ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
À esquerda, a posse de Barack Obama em 2009. À direita, as pessoas reunidas em Washington em 20 de janeiro de 2017 para a posse de Donald Trump. Foto: VOX

WASHINGTON. — O novo presidente dos Estados Unidos, o republicano Donald Trump, em 20 de janeiro, assegurou em seu discurso de posse que colocaria os Estados Unidos em primeiro lugar na hora de tomar decisões econômicas ou de política internacional, utilizando o mesmo tom nacionalista que o catapultou à Casa Branca durante a campanha eleitoral do ano passado.

«A partir deste momento será a América primeiro», disse Trump no Capitólio de Wa-shington, onde se reuniram centenas de mi-lhares de seguidores para assistir à posse do presidente estadunidense número 45.

Trump criticou que durante muitas décadas seu país tenha impulsionado a indústria internacional à custa da norte-americana, subsidiado exércitos aliados e defendido fronteiras de outras nações sem preocupar-se da sua própria.

Suas credenciais de empresário bem-sucedido, que carecia de compromisso com a política tradicional, foi outro fator que estourou durante sua candidatura perante o rechaço generalizado do eleitorado à forma de vida de Washington.

«Durante muito tempo, um pequeno grupo na capital de nossa nação coletou os frutos do governo; entretanto, outras pessoas suportaram a carga».

Washington floresceu, mas a gente não compartilhava em sua riqueza. Os políticos prosperaram, mas os trabalhos foram embora. E as fábricas fecharam», disse.

«Estamos transferindo o poder de Wa-shington DC e devolvendo-o a vocês, povo americano. Nunca mais serão ignorados de novo», acrescentou.

«Juntos faremos com que os Estados Unidos ganhem de novo, estejam orgulhosos de novo, tenham a certeza de novo, e sim, juntos faremos com que os Estados Unidos sejam grandes mais uma vez», concluiu Trump ao retomar o slogan principal da campanha republicana de 2016.

Seu discurso se prolongou por 16 minutos, metade da duração em média das intervenções presidenciais em uma posse nos Estados Unidos, de acordo com a mídia local.

Contudo, teve tempo para criticar o estado do país que herda da administração democrata de Barack Obama, que assistiu à cerimônia igual que os ex-presidentes Jimmy Carter, Bill Clinton e George W. Bush.

A ex-candidata democrata derrotada nas passadas eleições, Hillary Clinton, também assistiu aos atos em companhia de seu esposo. Pouco antes assegurou no Twitter que fazia isso «para honrar nossa democracia e seus valores perduráveis».

UMA CERiMÔNIA MULTIMILIONÀRIA

Segundo a equipe de Trump, foram arrecadados ao redor de 100 milhões de dólares para a organização dos atos de posse, um número recorde na história das posses nos Estados Unidos.

A principal mídia estadunidense salientou que a assistência na sexta-feira, dia 20 de janeiro, foi de menos de um milhão de pes-soas, comparado com os quase dois milhões que se reuniram em Washington para ver chegar à Casa Branca ao primeiro presidente negro na história do país.

A cerimônia de troca de comando nos Estados Unidos é levada a cabo há mais de dois séculos, mas desta vez teve algumas características peculiares.

Trump escolheu não uma, mas duas Bíblias para fazer o juramento. Por um lado, seguiu a tradição usando o mesmo livro utilizado por Abraham Lincoln há 156 anos. Mas também utilizou uma presenteada por sua mãe em 1955, quando se formou do ensino primário aos nove anos, em Nova York.

Entretanto, o secretário de Segurança Nacional durante o governo de Obama, Jeh Johnson, não pôde assistir ao ser designado o «sobrevivente» do Governo, que tomaria o controle do Executivo, caso houver uma emergência.

A precaução se toma sempre que todos os membros do Executivo e dos ramos Judiciário e Legislativo se encontrem em um mesmo lugar. Johnson já foi designado anteriormente como «sobrevivente», algo que também se dá quando se realiza o Discurso do Estado da União, de acordo com a BBC.

DESPEDIDA DE OBAMA

O já ex-presidente estadunidense e sua esposa, a ex-primeira dama Michelle, deixaram Washington por última vez, em 20 de janeiro, no helicóptero presidencial com destino à base aérea de Andrews, de onde voaram a Palm Springs (Califórnia) para ir de férias.

Os Obama, noticiou a Efe, foram despedidos por Trump e sua esposa, Melania.

Depois, houve um pequeno ato de despedida na base aérea, onde se reuniram com pessoal da Casa Branca, assessores e amigos para dar um último adeus.

«Eu disse isso antes e vou dizê-lo outra vez. Quando iniciamos esta viagem, fizemo-lo com uma fé inquebrantável no povo estadunidense de que o país pode ser mudado», disse Obama.

O democrata agradeceu o respaldo, especialmente, dos jovens «que decidiram acreditar e bater nas portas e telefonar e falar com seus pais — que nem sabiam como pronunciar Barack Obama — e foram a comunidades que talvez jamais pensaram visitar».

Os presidentes salientes costumas fazer um último voo no avião presidencial, quando já deixam formalmente o cargo. Ainda que o aparelho seja o mesmo, não se chama de Air Force One, já que essa denominação é usada unicamente quando a bordo vai o presidente em exercício.

Obama usou pela última vez o Air Force One como presidente no passado 10 de janeiro para voar a Chicago, onde proferiu seu discurso de despedida.