ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

QUITO.– Vários intelectuais latino-americanos afirmaram coincidentemente, em 14 de fevereiro, que as recentes derrotas dos governos de esquerda no continente representem o fim do ciclo dessa corrente política na região.

«Acontece é que nunca se deu suficiente atenção ao fato de que justamente com a chegada ao poder dos primeiros líderes progressistas se iniciou a contraofensiva da direita», assegurou a acadêmica Isabel Ramos, ao discursar em um encontro organizado pela Rede de Intelectuais em Defesa da Humanidade e a Casa da Cultura Equatoriana, na véspera das eleições gerais no Equador.

De acordo com Ramos, nessa tentativa de recuperar o poder, a qual o presidente equatoriano Rafael Correa define como uma restauração conservadora, os meios de comunicação desempenham um papel preponderante.

«A partir da instalação dos governos progressistas na América Latina, com a tomada de posse do líder venezuelano Hugo Chávez com sua vitória eleitoral em 1998, percebe-se a construção de uma agenda negativa por parte da mídia, encaminhada a tirar legitimidade aos governantes da esquerda», precisou.

Entretanto, o politólogo argentino Atilio Borón reafirmou que o triunfo desses governantes fez perder força à visão hegemônica do continente que sempre tiveram os Estados Unidos, e imediatamente foram vistos como uma ameaça para seus interesses.

No encontro intitulado ‘Pelo futuro do Equador e a América Latina também falou a jornalista cubana Katiuska Blanco, quem ressaltou os avanços políticos e sociais alcançados na região nos últimos anos, sobretudo no âmbito da soberania e independência.

«Hoje é impensável acreditar em uma América Latina submisa», expressou Blanco, após lembrar que os Estados Unidos tampouco têm o poder que tinham há 30 anos.

O encontro de intelectuais e artistas latino-americanos concluirá em 15 de fevereiro, com uma declaração de apoio ao candidato presidencial da governante Aliança PAIS, Lenin Moreno. (PL)