ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
A chilena Valentina Gómez Lira com uma de suas pacientes no Chile. Photo: CORTESIA DO ENTREVISTADO

A chilena Valentina Gómez Lira agradece a Cuba sua formação profissional como pedagoga e a hospitalidade recebida pelo povo, que lhe mostrou o caminho da entrega à defesa dos princípios coletivos para construir uma sociedade com justiça social.

Ela chegou a Cuba em 1996 e de forma voluntária trabalhou no Centro de Saúde Mental La Castellana, situado no município Arroyo Naranjo. Ali são atendidas mais de 300 pessoas com deficiência intelectual severa, por meio dos sistemas de residência (para maiores de 18 anos) e ambulatório (para crianças).

A diretora do lugar, a doutora Emelia Ycart Pereira, instou a chilena para que estudasse licenciatura em Logopedia pelo amor e a vocação mostrada em desenvolver habilidades para que seus pacientes pudessem valer-se por si mesmos e integrar-se em uma vida de trabalho ativa.

Valentina Gómez Lira se apresentou no Instituto Superior Pedagógico Enrique José Varona e cumpriu todos os requisitos exigidos para a matrícula, incluído o vestibular praticados aos cubanos, que optam por estudos universitários.

Da etapa estudantil, Valentina guarda gratas lembranças. Menciona a solidariedade entre os colegas para ajudar-se a compreender os complexos temas da carreira e a entrega dos professores, oferecendo reciclagens e consultas em horários extra docentes para que seus alunos findassem com bom rendimento acadêmico.

Através de um mensagem de correio eletrônico ao Granma Internacional, a chilena afirma: «A formação recebida da escola cubana é integral e hoje desde a praxe diária posso verificá-lo. Quando atendo meus pacientes tento conseguir uma boa comunicação para criar empatia, confiança, afeto e entregar todo tipo de apoio. Para isso a universidade e a sociedade cubanas lhe oferecem as ferramentas, que depois pôs em prática em sua vida como profissional».

Menciona o nome de duas de suas professoras, a doutora Adania Guanche por sua paciência, carinho e amizade para ajudá-la em seu trabalho de diploma para concluir a carreira. Também a quem ministrou a matéria de Anatomia, Diana Rosa Valdés, que nomeou sua filha Valentina e foi batizada pela chilena.

Para ela, o momento de maior emoção foi receber os títulos de graduados na Tribuna Antiimperialista José Martí, situada frente à atual embaixada dos Estados Unidos, em Havana e lugar de onde se travaram muitas batalhas, a mais emblemática, o retorno à pátria e a sua família do menino Elián González, no ano 2000, epopeia vivida pela chilena a plenitude.

Ao retornar a seu país, em 2010, aconteceu um dos maiores terremotos da história, causando mais de 500 mortos e milhões de danificados em cidades como Constitución, Concepción, Cobquecura e o porto de Talcahuano. Perante esta catástrofe foi uma brigada médica cubana do Contingente Internacional Henry Reeve, fundado pelo Comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz no ano 2005 e especializado no enfrentamento a situações de desastres e graves epidemias.

Valentina trabalhou junto a seus hermanos cubanos durante oito longos meses. Contou que uns 26 colaboradores da saúde da Ilha, um hospital de campanha e 12 toneladas de equipamentos, instrumentos e medicamentos chegaram à cidade de Rancagua em 1º de março, procedentes de Cuba, e imediatamente os médicos levantaram com suas próprias mãos o centro assistencial para oferecer atendimento médico gratuito à população.

Ela reconhece que os povoadores sofriam estresse pós-traumático e necessitavam carinho, segurança, compreensão e apoio psicológico, tratamento proporcionado pelos cubanos as 24 horas do dia. Valentina também foi testemunha da coleta de assinaturas de seus compatriotas para que a brigada médica não partisse de retorno e como milhares de pessoas foram-se despedir dos cubanos com lágrimas nos olhos.

A chilena conclui sua mensagem a esta publicação expressando: «Meu compromisso depois de me formar em Cuba tem sido entregar-me por inteiro a meu trabalho. Sou uma profissional da saúde e uma entidade transformadora, lutadora incansável por uma sociedade mais justa e equitativa. Trabalho na área pública com pessoas em estado de vulnerabilidade. Vejo-me caracterizada no ser social, que nosso Comandante-em-chefe sonhou, um profissional de ciência e consciência».