ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Emmanuel Macron, Marine Le Pen, François Fillon e Benoît Hamon são os principais candidatos à presidência francesa. Foto: AFO

ENTRE escândalos e promoções de candidatos inesperados, a França se prepara para assistir às urnas, no próximo mês de abril, em umas eleições que decidirão o presidente e o futuro da nação.

Embora ainda seja cedo para dar um caráter concludente às pesquisas, a candidata ultradireitista Marile Le Pen e o mais jovem aspirante à presidência, Emmanuel Macron, emergem como os favoritos.

Uma recente sondagem, citada pela Telesur, indica que Le Pen sairia vitoriosa no primeiro turno; contudo, Macron vencerá o segundo turno, com 63% dos votos aproximadamente.

O aspirante republicano, François Fillon e o candidato do governante Partido Socialista, Benoît Hamon, ficariam na terceira e quarta colocação, respectivamente.

Marine Le Pen, que se postula pela Frente Nacional (FN), aspira a converter-se na primeira mulher em governar a nação europeia e para isso conta com um programa em prol de «devolver a liberdade à França e a palavra aos franceses».

Sua proposta, que contém 144 pontos, expõe realizar um referendo para que a França abandone a União Europeia — Frexit — e obtenha uma independência «monetária, territorial, econômica e legislativa».

Igualmente, Le Pen propõe limitar os direitos dos imigrantes, restringir as liberdades religiosas e desenvolver um nacionalismo econômico, isolando o país da globalização.

Alguns estudiosos concordam que as propostas da candidata da FN são similares às do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tanto em sua política antiimigrante como na do protecionismo econômico.

Em uma rodada de imprensa, pouco depois da vitória do republicano nos EUA, a candidata ultradireitista afirmou: «a eleição de Donald Trump é uma boa notícia para nosso país».

Muitos temem a possível vitória de Le Pen e suas consequências para o futuro da nação francesa. Para o ex-primeiro-ministro francês, Manuel Valls, um progressivo avanço da direita no continente pode levar à dissolução da UE.

Da mesma maneira, considera como uma ameaça a possível vitória de Le Pen: «o equilíbrio da vida política francesa mudará totalmente», disse Vals.

Por outro lado, François Fillon, que se postula pelos Republicanos, e um dos candidatos favoritos nas primeiras pesquisas, ficou atrás depois de um escândalo conhecido como «PenelopeGate».

De acordo com o semanário satírico Le Canard Enchaîné, Penelope Fillon, esposa do candidato da centro-direita, cobrou durante 15 anos uma grande quantia de dinheiro por um suposto cargo de assistente parlamentar de sua cônjuge.

Por isso se abriu uma investigação que agora inclui dois de seus filhos, pois foram contratados como colaboradores de Fillon (então senador), sem ainda terem obtido seus títulos de advogados.

Apesar disso, Fillon afirmou que não se retiraria da corrida presidencial e se qualificou a si mesmo como um «candidato fiável».

O programa de governo de quem se desempenhou como primeiro-ministro durante a presidência de Nicolas Sarkozy, prevê um recorte drástico no número de funcionários, a eliminação do expediente de trabalho de 35 horas e uma redução da imigração.

Também propõe liberalizar a economia, recortar os gastos públicos e aumentar o orçamento de defesa e segurança.

O grande beneficiado depois do escândalo de Fillon é Emmanuel Macron, um candidato que considera que «a divisão entre esquerda e direita está superada», e que representa um movimento político criado por ele: En Marche! (E.M, a sigla de seu nome e sobrenome).

Ainda não divulgou totalmente seu programa de governo, mas se conhece que promove uma política de asilo mais humana e eficaz para os migrantes, defende os muçulmanos, pronunciou-se contra a islamofobia, e propõe uma revisão do Código de Trabalho.

Em uma intervenção a inícios deste mês afirmou: «todas e todos nós somos da geração que viu cair o muro de Berlim, não esqueçamos que a Europa tem um passado... em meu programa não tem muros».

Macron foi nomeado por Hollande como ministro da Economia francês em 2014; contudo, no passado ano demitiu para dedicar-se por completo a sua plataforma, criada em abril de 2016.

Na lista de candidatos se encontra, também, Benoît Hamon, que se postula pelo governante Partido Socialista.

Hamon foi ministro da Educação por um tempo, durante a presidência de Hollande, e seu programa conquistou os mais jovens, graças a seu conteúdo social e ecologista.

O candidato propõe uma redução do expediente de traba-lho para reduzir o desemprego existente na França, um novo imposto para as empresas que utilizam robôs e a renda básica universal, considerado como o ponto estrela em seu programa.

Hamon se declara pró-europeu frente ao avanço da direita no continente: «Necessitamos uma Europa que defenda mais os cidadãos. Tem que reforçar as fronteiras exteriores da UE, não as nacionais. O déficit vale pouco frente ao risco de Marine Le Pen».

Hamon realizou um apelo a todos os representantes da esquerda na nação para «construir uma maioria e formar um governo social, econômico e democrático».

Contudo, caso ser eleito, tem perante si um grande desafio: reunificar um fraturado Partido Socialista que na última década perdeu mais de 60% de sua militância.

Além de propostas e planos de governo, o novo presidente da França deverá enfrentar uma nação sacudida, nos últimos dois anos, por uma série de atentados terroristas que ainda mantêm instável às forças da ordem e, em geral, a seus habitantes.

SISTEMA ELEITORAL NA FRANÇA

No próximo 23 de abril os franceses elegerão seu novo presidente mediante o voto universal direto, se nesse primeiro turno nenhum candidato obtiver a maioria absoluta (metade mais um dos votos válidos), os dois mais votados se enfrentariam no segundo turno, em 7 de maio. O vencedor governará durante os próximos cinco anos.

Depois das eleições presidenciais, irão realizar-se em junho as parlamentares.