ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
O Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (BAII) já aprovou mais de US$ 1,730 bilhão para financiar nove planos de infraestrutura em nações da região. Photo: XINHUA

PARA ninguém resulta um segredo a inserção da região Ásia-Pacífico como eixo operativo da economia mundial. O avanço da China entre as potências do mundo, a solidez mostrada durante anos pelo Japão e Coreia do Sul e o desenvolvimento vertiginoso de várias nações emergentes, tornam uma região do futuro o continente mais oriental, onde se gerarão os maiores movimentos de capital, em nível internacional.

Esta realidade contrasta com a história do território, possuidor da maior concentração de população universal, que durante anos teve que depender de instituições financeiras dominadas por Ocidente e que muitas vezes obviaram suas principais necessidades.

Neste contexto surgiu o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (BAII), com a perspectiva de criar um sistema financeiro forte e articular fluxos de investimento para o desenvolvimento da infraestrutura no continente.

Porém, este novo organismo, qualificado pelos especialistas como a instituição de empréstimo multilateral do século 21, também pretende resgatar os mercados um pouco abandonados pelo Banco Mundial (BM) ou o Banco Asiático de Investimento (BAI) na região, bem como promover o comércio e a cooperação econômica com outros países da Europa e a África.

Mais de 400 dias depois do começo de suas operações, a entidade, surgida pela iniciativa chinesa, já possui 57 afiliados e mais de US$ 1,730 bilhão para aplicar nove planos de infraestrutura em nações da região.

A criação do banco, que atualmente tem a sede em Pequim, faz parte também do plano do gigante asiático para resgatar a antiga rota da seda e conseguir maiores ligações entre a Ásia e a Europa.

O capital atual do BAII é de US$ 100 bi-lhões, dos quais a China, como principal promotor, deu a metade.

Com motivo das alegações de que essa enorme contribuição facilitará um controle quase absoluto de Pequim, o presidente da organização, Low Jiwei, asseverou que o contributo de 50% representa um apoio para o novo projeto e a participação do gigante asiático, embora no começo seja de muito peso, será reduzida na medida em que novos países adiram ao projeto.

A Índia, Rússia, Alemanha e Coreia do Sul destacam como os outros grandes acionistas do banco, constituído, em 29 de junho de 2015 e inaugurado no ano passado.

PROJETOS APROVADOS

Se bem a maior ambição do BAII é promover o desenvolvimento social e econômico da Ásia em projetos que liguem pessoas, serviços e mercados deve, em primeiro lugar, trabalhar para restabelecer o panorama de alguns países da região.

É por isso que entre seus desafios mais imediatos se encontra o financiamento de obras para modernizar estradas, ferrovias e portos, melhorar o acesso à eletricidade, espalhar os serviços de telecomunica-ções, promover o planejamento urbano, serviços sanitários e de água potável, questões básicas para aumentar exponencialmente a conectividade entre as regiões.

Atualmente, além do monitoramento os fluxos financeiros da Rota e Faixa da Seda do século 21, o BAII participa de nove projetos de investimento tais como a construção de um gasoduto no Azerbaijão e a edificação de um terminal portuário comercial e um novo sistema ferroviário no Omã.

O organismo também proporcionará US$ 20 milhões para o desenvolvimento, construção e operação da maior usina independente de turbina a gás, de ciclo combinado, no Myanmar.

Foi aprovado, ainda, um empréstimo de US$ 216,5 milhões para o melhoramento do acesso à infraestrutura e os serviços urbanos de bairros pobres na Indonésia.

Entretanto o Paquistão, Bangladesh e o Tadjiquistão apoiarão o projeto da Estrada Nacional M-4, a ampliação do sistema de distribuição de energia e um plano para o aperfeiçoamento de estradas fronteiriças, respectivamente.

De acordo com os diretivos do BAII a concretização destas obras em setores estratégicos permitirá à instituição traba-lhar para atingir objetivos mais ambiciosos, como o progresso de uma infraestrutura para que os países integrantes cumpram as diretrizes de desenvolvimento em relação ao meio ambiente.

UMA NOVA ORDEM FINANCEIRA?

De acordo com um artigo do jornal The New York Times, os países estão descobrindo que devem operar cada vez mais ao redor da China».

Provavelmente, essa seja a causa de que dos 57 membros do BAII, 20 deles sejam de outros continentes, com destaque para Alemanha, Reino Unido, França, Itália e a Espanha.

Segundo os membros da comunidade internacional, o recente banco é acompanhado de vantagens financeiras e por isso resolveram associar-se a ele.

O surgimento desta instituição faz parte, também, da sorte de queda de braço atual entre os Estados Unidos e a China, primeira e segunda potência mundiais, respectivamente, no desejo de ampliarem sua influência na economia mundial.

Por outro lado, é preciso assinalar que resulta meritório que Pequim, apesar de não estar no seu melhor momento, resolvesse encorajar uma iniciativa como o BAII, disposto, ao menos, a atender as necessidades de uma região como a Ásia-Pacífico.

Perante a estrutura dominante e a hegemonia do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, herdeiros dos acordos de Bretton Woods depois da Segunda Guerra Mundial, o BAII oferece uma alternativa às nações do Sul, algo novo no entorno do poder financeiro internacional.