ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Depois das eleições do domingo, 23 de abril, já são conhecidos os dois candidatos que irão ao segundo turno, em 7 de maio. Photo: AFP

PARIS.— Após cinco anos de governo socialista, estagnação econômica e uma crise de credibilidade na política, nas eleições efetuadas no domingo, 23 de abril, na França, os votantes optaram por duas propostas que vão do centro para a extrema direita e longe dos partidos tradicionais.

De acordo com pesquisas realizadas nos locais de votação, durante o dia, pelos institutos Ipsos e Elabe e com mais de 80% dos votos escrutrados, o candidato independente e liberal Emmanuel Macron, da recentemente criada formação Em Marcha!, teria vencido o primeiro turno das eleições com 23,7% dos votos.

Entretanto, o segundo lugar para o segundo turno, em 7 de maio, seria para a Frente Nacional, de Marine Le Pen, que teria obtido cerca de 22% dos votos.

Esta seria a segunda ocasião em que esse partido da extrema-direita francesa avança para a segunda rodada. O pai de Le Pen, Jean Marie, perdeu nas urnas, em 2002, para Jacques Chirac.

Muito perto da fase final ficou, com 19% dos votos, o candidato da França Insubordinada, Jean-LucMelenchon, cuja campanha foi ganhando terreno em meses recentes, graças ao carisma do candidato, uma forte agenda social da esquerda e o uso inteligente das novas tecnologias.

Os partidos tradicionais da política francesa: socialistas e conservadores, saíram derrotados nestas eleições, ao não classificar nos primeiros lugares. Tanto Francois Fillon como Benoit Hamon admitiram a derrota e foram a favor da candidatura de Macron.

Mais de 45 milhões de votantes franceses foram convocados às urnas para a nomeação do presidente, para o período 2017-2022.

Mais de 57.000 policiais, soldados e gendarmes foram mobilizados para manter a segurança da votação, marcada pelo atentado que teve lugar, na quinta-feira, 20 de abril, na capital francesa e que se desenvolveu com calma nos 66.546 locais de voto.

De acordo com os principais analistas e pesquisas realizadas, o candidato de Em Marcha! é amplamente favorito para vencer no segundo turno contra Le Pen, da extrema direita.

De acordo com uma pesquisa recente do Instituto Elabe, o ex-ministro da Economia no governo de François Hollande venceria por diferença superior a 25%. Uma grande parte do eleitorado, deixando de lado suas inclinações ideológicas, votaria nele para evitar a chegada ao poder da Frente Nacional, cuja agenda é anti-europeia e contra os imigrantes.

Apesar das mudanças feitas por Le Pen depois que assumiu a liderança do partido, da mão de seu pai, a moderação no discurso e o afastamento das demonstrações abertamente racistas, esta formação política ainda provoca o alarme em todo o mundo, por suas posições radicais contra a União Europeia, a migração e o sistema político.

Após reconhecer os resultados, Le Pen criticou seu potencial rival e disse que era o ‘herdeiro’ do presidente François Hollande. «Eu estou propondo uma alternância fundamental que possa estabelecer outra política», acrescentou.

Macron, que há três anos era mais um nome na política francesa, está se configurando como o ocupante mais provável do Palácio do Eliseu.

Este ex-banqueiro, que não é considerado nem da direita nem da esquerda, poderia tornar-se, com 39 anos, o mais jovem presidente da história da França, informou a AFP.

Formado nas escolas francesas de elite, Macron se emancipou de Hollande, em agosto de 2016, depois de servir por dois anos como seu ministro da Economia, para se concentrar na construção de seu próprio movimento político.

«A França não pode enfrentar os desafios do século XXI com os mesmos homens e as mesmas ideias do passado», disse Macron, em novembro de 2016, ao lançar sua candidatura presidencial, que foi apresentada como uma alternativa para os políticos que governaram o país durante décadas.

«A vida política francesa tem claramente um ponto de viragem», disse no domingo, 23 de abril, após os resultados. No quartel de Em Marcha! a atmosfera era festiva, enquanto Macron fez um apelo para concentrar os esforços na próxima fase.

FRANCESES APOIAM CANDIDATURA FRANCESA PARA EVITAR POSSÍVEL VITÓRIA DE LE PEN

Após serem conhecidos os resultados das eleições presidenciais de domingo 23 de abril, na França, Emmanuel Macron recebeu várias manifestações de apoio, a fim de conter Marine Le Pen.

O presidente cessante, François Hollande, é uma das personalidades que se juntaram à longa lista de políticos de esquerda e direita que exortou os franceses a votar em Macron, para impedir a vitória da candidata ultranacionalista.

«É impossível permanecer em silêncio contra o risco da extrema direita», disse Hollande em um discurso transmitido pela televisão, no qual anunciou que vai votar em Macron.

Macron, da plataforma! Em Marcha! é o favorito para se tornar, no próximo dia 7 de maio, no mais jovem presidente da França, depois de liderar o primeiro turno no domingo, 23, com 24,01% dos votos, superando a líder da Frente Nacional (FN), que ganhou 21,30%, de acordo com resultados finais, segundo a agência AFP.

Na segunda-feira, 24, soube-se que Le Pen tinha deixado a presidência da FN, para estar acima de «questões partidárias».

«Hoje à noite, eu não sou mais a presidente da FN, eu sou a candidata para as presidenciais», disse à estação France 2.

No entanto, isso é considerado um movimento puramente estratégico, porque ela vai continuar controlando todas as alavancas do poder, em um partido quase dinástico que seu pai, Jean-Marie Le Pen, liderou por quase quatro décadas e cuja presidência assumiu em 2011.

Seus conselheiros acreditam que ela já garantiu seus eleitores tradicionais, que querem acabar com a imigração, fechar as fronteiras e endurecer as leis contra o terrorismo e a criminalidade, de modo a procurar novos votos na esquerda.

Enquanto isso, Macron, que enfrenta um primeiro sufrágio universal, lançou na segunda-feira um processo de «negociações políticas», para alcançar a maioria parlamentar, nas eleições legislativas de junho, indispensável para governar e implementar seu programa.

De acordo com duas pesquisas publicadas no domingo, 23, Macron, que há três anos era praticamente desconhecido, vai derrotar com folga Le Pen no segundo turno das eleições, com uma diferença de pelo menos 20 pontos percentuais.

O que está em jogo no segundo turno foi já expresso pelos dois candidatos: Europa e a globalização.

Perante seus partidários reunidos no sul de Paris, Macron disse que levaria «a voz da esperança» para o seu país e o Velho Continente, enquanto Le Pen pediu um voto contra a «globalização selvagem que ameaça nossa civilização».

Macron e Le Pen têm duas semanas para convencer os 47 milhões de eleitores.

MANIFESTAÇÕES DEIXAM 143 DETENTOS E NOVE FERIDOS

A prefeitura da polícia de Paris informou na segunda-feira, 24 de abril, a prisão de 143 pessoas, por causa das manifestações antifascistas desencadeadas na capital francesa durante o encerramento do primeiro turno das eleições presidenciais.

Além disso, um total de nove pessoas ficaram feridas durante os motins. Entre os afetados, seis eram policiais e três manifestantes.

As autoridades relataram acerca de várias destruições de vitrines e mobiliário público, bem como o lançamento de objetos contundentes às forças de segurança, pelo qual a polícia respondeu com gás lacrimogêneo, disse a Telesur.