ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Quase três quartos de século decorreram depois de vencido o fascismo. Foto: SPUTNIK

O dia 9 de maio é de comemoração na Europa: por um lado, é lembrada a vitória contra o fascismo, na Segunda Guerra Mundial e, por outro, é comemorado o Dia da Europa, que sentou os alicerces da integração moderna da União Europeia (UE).

Contudo, ambos os festejos ocorrem em meio do auge das ideias da extrema direita na região e depois da formalização da saída do Reino Unido do bloco, o que supõe um forte golpe para o mecanismo herdeiro da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço.

Cada ano, com um desfile militar, em Moscou, é lembrado um triunfo crucial para pôr fim a um dos piores conflitos em nível mundial, no qual o povo soviético sacrificou mi-lhões de seus filhos para sair vitorioso na Grande Guerra Pátria.

A bandeira vermelha da Vitória, com a foice e o martelo, tremulou no Reichstag, em 2 de maio de 1945 e, no dia 8, a Alemanha nazista assinou a capitulação, às 22h43 (hora local de Berlim), se bem já era 9 de maio no território soviético.

A partir de então as forças soviéticas começaram a liberar os prisioneiros que sobreviveram ao Holocausto e depois se uniram estadunidenses e britânicos.

Esta data não é considerada o fim da Segunda Guerra Mundial, mas o dia 2 de setembro de 1945, quando teve lugar a rendição japonesa.

A cada ano, realiza-se na Rússia um desfile militar pelo Dia da Vitória e para a ocasião contou com a participação de 72 aeronaves, entre aviões e helicópteros.

Para isso, as tripulações das aeronaves completaram um ciclo de ensaios no polígono militar de Alabino, na periferia de Moscou, segundo a Sputnik.

Em uma de suas reflexões – datada em 10 de maio de 2012, o Comandante-em-chefe Fidel Castro rememorou o 67º desfile da vitória sobre o nazifascismo e disse: «a técnica militar exibida em Moscou, em 9 de maio, mostrava a impressionante capacidade da Federação Russa para oferecer resposta adequada e variável aos mais sofisticados meios convencionais e nucleares do imperialismo».

As últimas eleições na Europa mostraram um auge das ideias da extrema direita, algumas com certa inspiração fascista, o que faz com que muitos tenham medo de um ressurgimento do flagelo que bateu todo o continente, em meados do século passado.

Ainda que os partidos xenófobos e antieuropeus não triunfassem na Holanda e na França, conseguiram resultados históricos que os colocam mais perto de acessar ao governo do que nunca antes.

DIA DA EUROPA

Cada 9 de maio é lembrada a Declaração Schuman, que há 67 anos dava o primeiro passo rumo à construção da União Europeia atual. Em 1950, o então ministro francês dos Exteriores, Robert Schuman, impulsionou a criação da primeira Comunidade Europeia: a do Carvão e o Aço.

O continente ainda estava se recuperando do desastre econômico, político e social causado pela Segunda Guerra Mundial.

Em tal Declaração, Schuman expressou: «a paz mundial não pode ser salvaguardada sem esforços criadores equiparáveis aos perigos que a ameaçam».

Igualmente, disse que «a Europa não será feita de uma vez, nem em uma obra combinada; será feita graças a realizações concretas, que criem, em primeiro lugar, uma solidariedade de fato».

E assim, aos poucos, o Velho Continente foi se recuperando e unindo esforços. E em 1951 tinha criado a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), integrada pela França, Alemanha, Itália, Bélgica, Luxemburgo e os Países Baixos.

Os esforços continuaram e em 25 de março de 1957, seis países – Itália, França, Alema-nha, Bélgica, Holanda e Luxemburgo – concordaram a criação da Comunidade Econômica Europeia (CEE), um espaço para a integração regional através do comércio.

Foi criado o Conselho Europeu (CE), assinou-se o Acordo de Schengen, que suprime os controles nas fronteiras inter-UE, e criou-se o Eurogrupo, que reúne aqueles ministros da Fazenda de países cuja moeda oficial é o euro.

E foi na Cúpula de Milão, em 1985, que o CE decidiu estabelecer o dia 9 de maio como Dia da Europa.

Mas, apesar do longo e difícil caminho de integração, o resultado do referendo no Reino Unido sobre a permanência no bloco marcou um antes e um depois para a UE, que enfrenta, pela primeira vez, o trauma da saída de um de seus membros.

De fato, ainda são ignoradas as consequências econômicas e sociais, tanto para Londres quanto para Bruxelas, de que sejam quebrados, de um dia para o outro, os laços forjados durante décadas. A renegociação de tais acordos se espera demore alguns anos. (Serviço Especial)