ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Photo: Peraza Forte, Iramsy

PEQUIM.— Quando Karl Marx e Friedrich Engels publicaram a primeira edição do Manifesto Comunista, em 1848, possivelmente não imaginaram que 72 anos depois o «fantasma do comunismo» atingiria a China e tornaria essa nação uma potência mundial.

Após um ano da publicação, no gigantesco país asiático, desse influente tratado político, em 30 de junho de 1921, foi fundado o Partido Comunista da China (PCCH), organização que atualmente guia o povo na construção de um melhor país.

Durante os 96 anos seguintes, o PCCH derrubou o imperialismo, o feudalismo, o capitalismo e em 1949 fundou a nova China, essa que atualmente caminha para se tornar a primeira economia global.

«O caminho difícil marcou nosso sucesso. No passado sempre está a chave do presente, na história está a raiz da atualidade», expressou em um encontro com o Centro de Prensa China-América Latina e o Caribe (CLACPC), o catedrático Mei Renyi, presidente do Instituto de Pesquisa Intercultural da China.

Quase um século depois de seu nascimento e com o aval de tirar da pobreza mais de 700 milhões de pessoas e atingir impressionante desenvolvimento, graças à aplicação da política da Reforma e Abertura, essa instituição política mantém praticamente as mesmas bases e objetivos que nos anos em que foi fundado, mas assume novos desafios, acordes com a realidade atual, na condução da nação pelo caminho da construção do socialismo com características chinesas.

Embora, em seus começos, o PCCH fosse uma força marginalizada, atualmente com aproximadamente 88 milhões de membros é a vanguarda do povo e da nação, em geral.

Contudo, muitos perguntam como esta organização política conseguiu essas conquistas, questão que para o professor Mei é muito clara. «Na década dos anos 20, China era um país totalmente agrícola, a chave estava no campo e ninguém atendia essa zona. Porém, o Partido Comunista constituiu suas bases no campo, o qual proporcionou uma força incrível. O povo é a maior força do PCCH», significou.

De acordo com Mei, também diretor do Instituto de Pesquisas de Literatura Estrangeira, da Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim, «quando Mao Zedong entrou em Pequim, em 1949, enfrentou-se ao grande desafio de governar a nação e continuar respondendo aos princípios fundacionais do Partido, que eram representar o povo. Tomar o poder era um teste para o Partido continuar respondendo ao povo».

Apesar das mudanças e os novos tempos, os governantes chineses de hoje têm a mesma missão e o objetivo principal do executivo de Xi Jinping, secretário-geral do PCCH, é ajustar o ritmo e modelo de desenvolvimento, para continuar no caminho do progresso, bem como o fortalecimento da intensa campanha contra a corrupção, nos escalões mais altos do governo e do Partido.

Essas aspirações devem receber um novo impulso durante a realização do 19º Congresso Nacional do PCCH, previsto para a segunda metade de 2017. Dentro e fora da China esperam com ânsias a realização de uns dos eventos políticos mais importantes do ano, onde será debatido o futuro da nação mais povoada do mundo.

«Os novos caminhos escolhidos têm que servir ao povo, depender do povo e é o povo quem deve desfrutar dos sucessos», asseverou Mei. E acrescentou que o modelo chinês deve ter diretrizes e uma base teórica que responda às realidades, além da continuidade em suas políticas. «China não poderá resistir às repentinas mudanças políticas em curto prazo», assinalou.

Jin Canrong, vice-presidente e catedrático do departamento das Relações Internacionais da Universidade de Renmin, a qual também partilhou com o CLACPC, considera que «o desenvolvimento econômico da China é o acontecimento dos últimos 50 anos», um sucesso que nem poucos atribuem à guia do Partido e de seus líderes.

Para Canrong, daqui a 30 anos, devido ao progresso econômico, a nação asiática experimentará um crescimento integral e seu Produto Interno Bruto (PIB) superará todo o volume do mundo ocidental.

«Um de nossos maiores sucessos é a industrialização», refere. E pensa que, futuramente, outros países «podem ultrapassar-nos quanto ao número de habitantes, mas não em industrialização».

«Daqui a pouco a China vai se tornar uma potência integral», coincidem os acadêmicos. E essa nova vitória, como nos últimos 80 anos, será sob o guia do Partido Comunista.