
MANÁGUA.— O presidente Evo Morales chegou a Manágua, na quarta-feira, 19 de julho, para comemorar com os nicaragüenses o 38º aniversário da Revolução Sandinista e compartilhar com os participantes do 23º Encontro do Foro de São Paulo, que até 18 de julho reuniu nesta capital partidos e movimentos de esquerda na região.
«Muitos dos presidentes de hoje são um produto destes fóruns», diz ele em declarações oferecidas ao Granma Internacional, à Telesur e à agência Prensa Latina. Lembra as dezenas de reuniões políticas e sociais das que participou como líder sindical. «Foi uma grande escola de debate permanente sobre a libertação de nossos povos».
O presidente boliviano, que se tornou um símbolo da esquerda internacional e dos movimentos sociais, não se esquece do tempo em que apenas dispunha de dinheiro para participar de eventos tais como o de Porto Alegre e o próprio Foro de São Paulo. «É importante agora que nós, como autoridades, acompanhemos esses segmentos da América Latina».
Na capital nicaraguense foi aprovado o Consenso de Nossa América, o primeiro documento programático do Foro de São Paulo.
«É o melhor momento para unirmo-nos e fazer reviver a nossa luta», concorda o presidente boliviano. Acredita que os ataques contra os países progressistas não são um evento isolado, mas uma estratégia clara para interromper o processo de mudanças na região.
Compara a situação na Venezuela hoje com a intervenção ocidental na Líbia, que terminou com o desmembramento do país, destruindo seus indicadores econômicos e sociais, os melhores na África.
«Tal como sempre os Estados Unidos querem o petróleo venezuelano e para isso são as muitas tentativas de intervenção e golpes de Estado. O que eles querem é uma nova Síria, um novo Iraque ou Afeganistão na América Latina».
Exorta os povos a ficarem claros de que os Estados Unidos vão lançar mão de qualquer pretexto para se apoderarem dos recursos da Venezuela. «A agressão direta é o último recurso que têm», considera o presidente boliviano. «Muitos países não vão suportar essa agressão».
O presidente boliviano lamentou que alguns presidentes da região se prestam ao jogo do golpismo. E também criticou o papel da Organização dos Estados Americanos nos ataques ao governo bolivariano.
«Não se consegue entender como um irmão latino-americano como Luis Almagro se tornasse o melhor golpista e o melhor instrumento do império», lamenta.
Evo também oferece sua solidariedade ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sujeito a uma perseguição política em seu país. «Não há nenhuma evidência contra Lula, é uma injustiça», diz sobre a condenação de nove anos imposta recentemente a Lula por um tribunal brasileiro.
«A direita sabe, o império sabe que, caso Lula se apresentar como candidato é o vencedor e eles não vão querê-lo de volta». Morales está confiante de que, mais cedo ou mais tarde a verdade irá prevalecer.
No caso de Cuba, disse que as últimas medidas de Donald Trump para reforçar a implementação do bloqueio econômico são um «sinal de fraqueza» dos Estados Unidos.
«Há 50 anos Cuba estava sozinha e resistiu, mas agora Cuba não está sozinha, graças à luta de Fidel e seu povo sábio».
Evo está confiante de que a Ilha vai responder aos novos ataques com sua tradicional política de paz e Washington vai ficar isolado.
«Neste momento, nós todos devemos estar unidos», propõe. «Se Fidel, Chávez e Kirchner estivessem vivos iriam reafirmar a unidade dos nossos povos».
A unidade é uma palavra que ilumina o rosto do líder indígena. «A unidade nos permitiu mudar a Bolívia em pouco tempo. Antes fomos submetidos, submissos ao império americano».
«O Movimento ao Socialismo (MAS), garante Evo, é composto pelo setor mais insultado na história boliviana. Mas agora os índios e camponeses se juntaram a nós».
Evo lembra que anteriormente muitos viram na Europa um modelo de governo e agora são os europeus os que vêm a países como a Bolívia para aprender sobre as experiências libertadoras. «Estamos crescendo economicamente como nunca antes. Em 11 anos, temos feito o que não foi feito nos últimos 180 anos».
Dentro de minutos, Evo deverá estar sentado ao lado do comandante Daniel Ortega, na Praça da Fé, em Manágua, na frente de milhares de nicaraguenses que se reúnem em cada 19 de julho para celebrar o triunfo da sua Revolução, em 1979.
«Hoje, os ex-guerrilheiros são presidentes e vice-presidentes. O levante armado contra as ditaduras e das oligarquias não estava errado».
Ele confessa sua admiração pelos homens e mulheres que lutaram contra o regime de Somoza. Garante que o governo da Nicarágua, liderado, desde 2007, pela Frente Sandinista, está se tornando «um dos melhores na América Central», com um crescimento econômico elevado e resolvendo os problemas sociais da maioria.
«Essa é a Revolução Sandinista».





