ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

COMO tudo aquilo que surge em tempos de emergência, o maior acampamento de refugiados não se pensava que permanecesse muitos anos. Não se pensava que existisse até o começo do século 21. Porém, Dadaab ainda se mantém em pé. Localizada no noroeste do Quênia, abriu-se em outubro de 1991 e junho de 1992 para acolher os refugiados que fugiam da guerra civil somali.

A primeira tentativa consistiu em acolher nos três acampamentos de Dadaab o número de 90 mil pessoas, assevera o site oficial da Agência para os Refugiados da ONU, Acnur. Contudo, o site confirma que moram nesse conglomerado de acampamentos mais de 463 mil refugiados, incluindo uma estimativa de 10 mil pessoas que conformam a terceira geração nascida em Dadaab de pais refugiados, também nascidos aí.

Paradoxalmente, Dadaab constitui, ao mesmo tempo, uma área de conflito e de mistura. É a terceira cidade queniana mais povoada depois de Nairóbi e Mombaça e, desde o ponto de vista familiar, resulta complexo asseverar sem questionamentos antropológicos a nacionalidade de seus moradores.

A disputa atual, contudo, não é essa, mas sim o fechamento do acampamento. O Quênia manifesta que o acampamento se tornou um refugio para o terrorismos e outras atividades ilegais. Não obstante, o porta-voz de Acnur, Babar Baloch declarou que o retorno dos refugiados somalis a seu país da origem dever ser voluntário e produzir-se com segurança e dignidade quando as condições o permitam.            

Mogadíscio, por outro lado, parece dar sinais a favor do retorno de seus refugiados, a partir do novo mandato, em fevereiro passado sob o presidente Mohamed Abdullahi Farmaajo, quem está do lado da reconstrução do país, severamente açoitado pela seca e pela guerra civil.

Tudo o descrito acontece no contexto da crise alimentar no Chifre da África, com 12 milhões de afetados no Djibuti, Etiópia, Quênia, Somália, Uganda e Eritreia, necessitadas de apoio de emergência por parte dos organismos internacionais.