ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
O presidente da Generalitat, Carles Puigdemont, junto a Ada Colau, prefeita da cidade, na homenagem às vítimas do atentado em Barcelona. Foto: EFE

«NÃO temos medo», disseram os catalães depois dos atentados em Barcelona e Cambrils, em 23 de agosto, que deixaram um total de 15 mortos e uma centena de feridos.

Tal como nos últimos ataques na França, Alemanha, Bélgica, Suécia e Reino Unido, o objetivo principal dos terroristas era causar pânico.

Os lugares alvo multiplicam o efeito. A rua (La Rambla) é um lugar muito frequentado na capital catalã, que recebe anualmente mais de 30 milhões de turistas. Sem dúvida, os atacantes foram procurando vítimas estrangeiras.

Seu objetivo é que os europeus sintam temor de viajar, visitar um lugar público, desfrutar de um concerto ou sair à noite a um clube e, certamente conseguem.

Facas de cozinhas, machados ou facões, que qualquer um pode conseguir sem provocar suspeitas, estão entre as armas utilizadas para perpetrar as agressões.

Há décadas, os serviços de inteligência tentam evitar que explosivos de alto poder cheguem às mãos equivocadas, mas a guerra contra utensílios comuns do começo parece falhada.

O esmagamento resulta o modus operandis que se espalha pelo mundo, devido a seu nível de efetividade e a pouca preparação necessária para implementá-lo.

Com milhões de carros deslocando-se nas zonas altamente povoadas, a prevenção de incidentes como os de Nice, na França ou Barcelona se torna quase impossível.

Contudo, alguns governos querem transmitir algo de tranquilidade aos seus cidadãos. Na Austrália, o primeiro-ministro, Malcolm Turnbull, apresentou um projeto para instalar cercas metálicas, postes, jardineiras e vasos gigantes com flores para mitigar possíveis ataques com carros nos principais lugares públicos do país.

O governo britânico, que depois dos atentados em Westminster incrementou o número de barreiras nas pontes, pretende dificultar o aluguel de carros e evitar que as pessoas incluídas na lista de vigilância o consigam.          

Estocolmo, atacada pelo extremismo, em abril passado, ordenou a colocação de blocos de granito para resguardar os pedestres em locais chaves da cidade. A medida será complementada com cerca de quatro dezenas de figuras de concreto, em forma de leão, com um peso de cerca de três toneladas cada uma.

Inclusive, se fossem colocadas barreiras em todas as calçadas da Europa, o que parece impossível, ninguém poderá dar garantias plenas de segurança. Os agressores, simplesmente, mudariam a estratégia ou buscariam a forma de pular as barreiras.

No caso da Catalunha, a célula que perpetrou os atentados era de 12 membros, quase todos jovens. O ataque mais mortífero, o de Las Ramblas, foi feito por uma única Pessoa, Younes Abouyaaquob, um marroquino, de 22 anos. Embora o Estado islâmico, reivindicasse os fatos, tudo indica que propriamente o grupo se radicalizou sob a influência de Abdelbaki es Satty, assente em um lugar de Girona.

Segundo os moradores e pessoas próximas, muitos dos terroristas eram jovens normais e integrados à sociedade, «eles falavam perfeitamente o catalã, escolarizados aqui», disse a imprensa à vereadora da prefeitura de Ripoll, lugar de procedência da maioria deles.

Só na Espanha se estima que mora 1,5 milhão de muçulmanos e na Europa são mais de 4% da população geral. Sob o lema de «Não em meu nome», milhares deles saíram protestar contra os radicais que agem em nome de sua religião. Temem que a comunidade toda venha pagar as consequências das ações de uma minoria radical.

A recusa ao Islã e as ideias da ultradireita se espalham como pólvora pelo Velho Continente, onde vários partidos políticos querem se aproveitar dos acontecimentos.

Talvez tão perigosos como o mesmo terrorismo, seja o desconforto e as preocupações dos europeus na utilização e validação dos planos extremistas contra os imigrantes ou a diminuição das liberdades individuais, em nome de uma suposta segurança.

Ataques contra a comunidade muçulmana, em sentido geral, e não receber os milhões de refugiados que chegam do Oriente Médio e da África, fugindo da instabilidade política e a guerra, só daria pé ao ódio do qual se alimentam os radicais.

Por esse caminho ninguém poderia garantir que o que ocorreu em Barcelona, Londres ou Paris novamente aconteça.

Em 17 de agosto, minutos depois dos atentados na Catalunha, a mãe de Mertxe Pasamontes, uma psicóloga barcelonesa, de 47 anos, pegou um táxi para voltar da estrada para sua casa.

Sem saber que o motorista era muçulmano e marroquino, da mesma nacionalidade que o atacante, a senhora foi toda a viagem conversando acerca do fato em Las Ramblas. Ao chegar ao seu destino, o motorista se negou a cobrar e lhe disse: «nem todos somos iguais». Depois, voltou ao centro da cidade para levar mais pessoas.