ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Photo: Ismael Francisco

O Departamento norte-americano de Estados ordenou, em 3 de setembro, a saída de 15 diplomatas cubanos da capital dessa nação, uma semana depois de que o governo da Ilha instara a Washington a não tomar decisões antecipadas.

Segundo um alto funcionário da entidade federal, a medida está relacionada com os incidentes de saúde informados pelos membros do serviço exterior estadunidense em Havana, mas sublinhou que não significa uma mudança de política contra o país caribenho nem responsabilizá-lo pelos fatos.

«Estamos mantendo relações diplomáticas», acrescentou a fonte, referindo que a decisão é devido a que o governo norte-americano considera que Cuba não cumpriu com a proteção de seu pessoal na Ilha.

Esta medida procura, acrescentou, igualar a capacidade de funcionamento das sedes diplomáticas nas respectivas capitais, depois de que, em 29 de setembro, os Estados Unidos anunciou a decisão de retirar mais da metade de seu pessoal diplomata em Havana.

As medidas da passada semana e de hoje, 3 de outubro, tomam-se a pesar do reconhecimento pela parte do Departamento de Estado de que os investigadores não puderam determinar quem é o responsável ou o que causou estes fatos, os quais Washington qualifica de ataques sem ter evidências a esse respeito. O funcionário da entidade federal, quem disse que somam 22 os diplomatas estadunidenses que mostraram problemas de saúde na nação caribenha, reiterando que hoje, os motivos desses fatos são desconhecidos.

Segundo a fonte oficial, o governo cubano informou que continuará a investigação em relação a este tema e cooperando com eles nesse esforço.

Também continuaremos com nossa própria investigação, acrescentou o representante do Departamento de Estado, quem sublinhou que tais decisões não representam una determinação de culpas.

Depois do anúncio, em 30 de setembro, a diretora-geral dos Estados Unidos na chancelaria cubana, Josefina Vidal, qualificou a decisão de precipitada e assinalou que afetará as relações bilaterais, particularmente, a concreção de vários acordos em temas de interesse mútuo.

Vidal ratificou que o Governo de Cuba não tem responsabilidade com esses fatos e cumpre de maneira responsável com o estabelecido pela Convenção de Viena de 1961, sobre a proteção da integridade física dos diplomatas e seus familiares.

Pouco antes disso, durante um encontro com Tillerson, em 26 de setembro, nesta capital, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, apelou à não politização de um assunto de tamanha natureza e a não tomar decisões antecipadas e sem baseamentos nem evidências e resultados investigativos concludentes.

Após as decisões de Washington acerca deste tema, diversas vozes qualificaram as medidas do Departamento de Estado de excessivas e alertaram acerca do perigo que representam para o processo de normalização das relações bilaterais.

Senadores e congressistas, grupos empresariais e de transporte, ex-diplomatas e analistas consideraram desacertada a posição da administração de Donald Trump, que, em 16 de junho, anunciou o retrocesso de alguns dos avanços atingidos entre ambas as nações.

Várias fontes advertiram que estas decisões só favorecem a figuras como o senador cubano-americano Marco Rubio, acérrimo opositor da aproximação entre as duas nações, quem em 30 de setembro qualificou de deveis e inadmissíveis as ações de seu governo e apelou à expulsa dos diplomatas cubanos de Washington. (PL)