ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

«AS armas não matam pessoas, o povo americano mata pessoas», disse em uma ocasião o cineasta Michael Moore.

No domingo, 5 de novembro, cerca de um mês após a chacina em Las Vegas, qualificada como a maior na história recente dos Estados Unidos, outro evento semelhante ocorre novamente, agora no Texas, quando um homem disparou seu rifle matando pelo menos 27 pessoas e ferindo dúzias, que assistiam ao templo da primeira Igreja Batista, em Sutherland Springs.

Após tantas mortes e vítimas mortais nos Estados Unidos devido a tiroteios, vem à tona a mesma questão: Será que é democracia a venda gratuita de armas? Em um país livre e democrático as pessoas não têm medo de sair para as ruas e, como muitas vezes acontece, a posse de armas não parece ser a solução para que os americanos se sintam mais seguros, diante de tamanha violência.

O uso de armas de fogo é permitido, por lei, nesse país do Norte. Isto foi aprovado por sua Constituição, na Segunda Emenda, promulgada em 15 de dezembro de 1791. Desde então, quantas chacinas ocorreram em nome dessa «liberdade». Apesar das inúmeras vítimas fatais e as constantes críticas, o Senado dos EUA continua sem aprovar uma lei que limite seu uso.

Mas a venda de armas no país mais poderoso do mundo é um negócio de bilhões de dólares e a National Rifle Association (NRA) é a organização responsável por isso.

Após este tiroteio no Texas, que foi classificado como o quarto mais mortal na história dos Estados Unidos, o presidente Donald Trump disse em uma entrevista coletiva, em meio a sua visita a cinco países da Ásia, que «a saúde mental é o problema» e não as armas, referindo-se a uma provável causa do tiroteio.

Essa declaração envolve uma grande contradição, como tantas outras do seu governo, porque em suas boas relações com a National Rifle Association, de acordo com a agência de notícias Efe, «o presidente dos EUA, Donald Trump, ratificou, em março passado, a suspensão de um regulamento promovido pelo ex-presidente Barack Obama para evitar que as pessoas com problemas mentais tenham acesso a comprar armas, uma sorte de vitória dos grupos a favor das armas, como a NRA acima mencionada».

De acordo com a agência de notícias, «a dita norma, que se estima afetava umas 75 mil pessoas, exigia que a Direção da Previdência Social notificasse ao governo federal os nomes daquelas pessoas que recebem ajuda, com um registro histórico de doenças mentais, para que não pudessem comprar armas».

Além disso, dentro do pacote de decretos sobre controle de armas, aprovado por Obama, os fornecedores deviam ter licenças para vendê-las e ter seus registros criminais examinados, bem como proibir a venda de armas de assalto de estilo militar.

Então, depois que Donald Trump suspendeu os regulamentos assinados por seu antecessor, muitas famílias, como aquelas afetadas na pequena cidade de Sutherland Springs, no Texas, serão ameaçadas pelo luto. Todos os anos, mais de 30 mil norte-americanos têm suas vidas ceifadas por armas, de acordo com números oficiais.

As armas nunca irão fazer com que uma pessoa se sinta melhor. Saber que uma arma ou um rifle pode dar cabo da vida de outro ser humano deve ser motivo suficiente para não comprá-las.

De acordo com o estudo realizado pelo pesquisador norte-americano Michael Siegel, cerca de 300 milhões de armas estão nas mãos das pessoas nos Estados Unidos, quase uma para cada habitante. A conclusão deste estudo enfatiza que «quando a taxa de posse de armas aumenta 1%, a taxa de homicídios aumenta 0,9%». Uma estatística muito pouco encorajadora para uma sociedade que vive momentos cruciais e que promulga e tenta impor seu ideal de ‘democracia’, até mesmo manchado de sangue.