ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Photo: Cubaminrex

«As novas medidas de Washington contra Cuba, que limitam tanto as viagens de seus cidadãos ao nosso país quanto os negócios com algumas entidades nacionais, confirmaram, em 8 de novembro, o sério recuo existente nas relações bilaterais sob a administração de Donald Trump», asseverou a diretora geral dos Estados Unidos do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Josefina Vidal.

Segundo a diplomata, os regulamentos anunciados, em 8 de novembro, que serão aplicados a partir do dia 9 de novembro, implicam o ressurgimento do bloqueio e a proibição de viajar a Cuba pelos americanos.

A esse respeito os departamentos do Estado, Tesouro e do Comércio anunciaram, em 8 de novembro, a implementação das medidas anunciadas por Trump, em 16 de junho, em Miami, onde se reuniu com a fração mais reacionária da comunidade cubano-americana na Flórida.

Os regulamentos dão continuidade ao Memorando de Segurança Nacional Presidencial acerca do Fortalecimento da Política dos Estados Unidos em relação a Cuba, que define o novo rumo de Washington em relação a Havana.

Entre as novas medidas, uma lista do Departamento de Estado foi publicada com 179 organismos cubanos com os quais as entidades americanas e os cidadãos não poderão realizar transações financeiras diretas.

Segundo Josefina Vidal, é uma lista arbitrária composta por uma diversidade de entidades cubanas supostamente ligadas, de forma infundada, ao setor de defesa e segurança nacional.

A lista inclui os ministérios desde a Forças Armadas e do Interior, a Polícia Nacional Revolucionária, até empresas, sociedades anônimas, a Zona Especial Desenvolvimento Mariel, os terminais de contêineres de Mariel e Havana, dezenas de hotéis em toda Cuba, agências de viagens e lojas.

«O cúmulo disto e a inclusão de marcas comerciais de refrigerantes (como Tropicola e Cachito) e runs e até mesmo um serviço de fotos como PhotoService», disse Vidal.

A lista será revista e atualizada periodicamente, segundo o Departamento do Estado.

Por outro lado, é proibida a viagem individual de cidadãos estadunidenses sob a categoria de trocas povo a povos, que foram estabelecidas durante a administração de Barack Obama.

De agora em diante, os americanos viajarão com o patrocínio de uma organização de seu país e terão que ser acompanhados por um representante desta organização.

Também são impostas condições de viagens educacionais, que de agora para frente terão que ser patrocinadas por uma organização americana autorizada e serão acompanhadas por um representante dessas organizações.

Respeito ao impacto das regulamentações de Washington, a diplomata disse que prejudicará a economia cubana e seus setores estatais e não estatais, mas também prejudicará os cidadãos dos EUA, que limitados de seus direitos não poderão viajar livremente a Cuba.

As medidas afetarão também, disse, aos empresários dos Estados Unidos, os quais terão perdas de interessantes oportunidades de negócios existentes hoje em Cuba, no que respeita a sua concorrência.

Algumas medidas, acrescentou, não escondem seus antecedentes subversivos, como aquelas que influem sobre os viajantes para realizarem atividades deste tipo e dessa forma justificar a legalidade de suas visitas em Cuba.

A diplomata explicou que a administração Trump estabeleceu condições específicas para a categoria de viagem que apoia ao povo cubano.

Agora deverão cumprir um programa de atividades em tempo integral, que implica, seguindo os padrões dos EUA, manter contatos com o povo, apoiar o que eles definem como sociedade civil e promover sua independência do Estado cubano.

Vidal explicou que os negócios e os acordos conseguidos antes da aplicação das medidas estão isentos de sanções.

Durante a última etapa do governo de Barack Obama, os vôos diretos foram restabelecidos, algumas agências de cruzeiro chegaram a Cuba e foram assinados acordos na área de telecomunicações e gestão hoteleira com empresas dos EUA, entre outros.

«Trata-se de um pequeno grupo de negócios», expressou Vidal, assinalando que a permanência do bloqueio condicionou que não sejam conseguidos empreendimentos maiores.

AMPLIA REJEIÇÃO ÀS NOVAS MEDIDAS

Os anúncios de Washignton geraram uma onda de rejeição em amplos setores da sociedade norte-americana, que segundo todas as sondagens favorecem a aproximação entre ambos os países.

O Conselho Nacional de Comércio Exterior (NFTC) dos Estados Unidos considerou improdutivas as restrições da administração Trump.

Em um comunicado, o vice-presidente da NFTC, Jake Colvin, disse que limitar as empresas de seu país para participar da Zona Especial de Desenvolvimento Mariel impede que os americanos façam parte de uma atividade econômica potencialmente benéfica para os trabalhadores e o povo cubano.

«Qualquer que conheça o funcionamento da economia cubana sabe que esses regulamentos adicionais para as empresas dos EUA só tornarão mais difícil os negócios com Cuba», disse o presidente da coalizão Engage Cuba, que se dedica a gerir em Washington o fim do bloqueio.

«As novas sanções podem custar a economia dos EUA bilhões e afetar milhares de empregos», acrescentou Williams.

Legisladores estadunidenses de ambas partidos, por sua parte, rejeitaram as medidas.

A senadora democrata Dianne Feinstein disse, através do Twitter, que isolar o povo cubano anteriormente não teve efeito esperado para os interesses dos EUA e certamente agora tampouco.

«A hipocrisia dos ideólogos da Casa Branca é evidente», disse o senador Patrick Leahy em um comunicado.

Acrescentou que Cuba não representa a menor ameaça para os Estados Unidos e usou os qualificadores de oneroso e mesquinho para qualificar as novas medidas, segundo PL.

«Estes novos regulamentos prejudicarão os empresários em desenvolvimento e o povo cubano, ao impedir aos americanos viajar à Ilha», concluiu.

De seu lado, o congressista republicano Mark Sanford (Carolina do Sul) considerou que a proibição de viajar a Cuba, promulgada em um momento crítico da Guerra Fria, é desatualizada e uma limitação injusta da liberdade americana.

O jornal de New York Times citou Daniel P. Erikson, conselheiro da Casa Branca durante o mandato de Obama, que destacou a confusão da aplicação dessas mudanças gerará para os viajantes americanos devido à dificuldade de saber que tipo de transações são proibidas.

«Trump não restringirá o tipo de armas de assalto que os americanos podem comprar, mas dirá que tipo de refrigerantes poderão comprar em Cuba», disse em sua conta do Twitter Ben Rhodes, assessor de Obama e um de seus arquitetos da mudança de política em relação a Cuba.

Aqueles que tinham razões muito diferentes para criticar os anúncios da administração Trump foram os legisladores de origem cubana que fizeram uma carreira política contra qualquer aproximação entre ambos os países.

Ileana Ros-Lehtinen disse que as medidas foram um passo de avanço, mas deixavam muito que desejar.

Entretanto, Marco Rubio, que constrange a administração atual para mudar a política em relação a Cuba, criticou que os funcionários do Departamento de Estado recusaram implementar plenamente a vontade expressada pelo presidente na diretriz de junho.

A posição dos legisladores anticubanos contradiz a tendência crescente, mesmo no eleitorado da Flórida, de apoiar a aproximação entre ambos os países.

As medidas de Washington, da mesma forma, chegam justamente uma semana depois que 191 dos 193 países da ONU condenaram o bloqueio imposto pelos Estados Unidos contra o nosso país há mais de meio século.

(José Manuel Lapeira e Carlos Caparrós, estudantes de jornalismo, colaboraram neste artigo)