ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

A Europa, essa senhora velha, elegante e interessante, com milhares de anos de memória histórica, cultural e política, hoje tem como principais desafios o terrorismo, a imigração, as crescentes desigualdades e também algumas tentativas de secessão no seio do bloco.

A Europa foi palco, em 2017, de pelo menos 17 ataques terroristas, que deixaram dezenas de mortos e centenas de feridos, em algumas de suas nações (Suécia, França e Reino Unido) e desses ataques a maioria foi da autoria do autodenominado Estado Islâmico.

Mas, além do indiscutível drama humano causado por terroristas e a migração, muitos no Velho Continente tentam usar o fenômeno como uma desculpa para promover suas idéias xenófobas, antiintegração e antimuçulmanas.

Este também foi um ano de preocupações; especialmente, devido ao ressurgimento da extrema direita, que se tornou evidente e que, ao que parece, continuará de forma sustentada.

Existem três casos emblemáticos: Holanda, França e Alemanha, que são fundamentais para a constituição da UE e que viveram um ano bastante atípico.

Nas eleições parlamentares holandesas, por exemplo, realizadas em 15 de março de 2017, Geert Wilders, representante do extremista Partido da Liberdade, tornou-se o segundo partido político mais votado, ganhando mais de 11% dos votos.

Por outro lado, no segundo turno das eleições presidenciais na França, neste ano, a Frente Nacional, liderada por Marine Le Pen, classificou-se como o segundo partido mais votado, alcançando quase 34% dos votos, apesar da sua agenda antieuropeia e xenófoba.

Além disso, em 24 de setembro de 2017, após a votação na Alemanha, o Partido Alternativo desta Nação, liderado por Frauke Petry, converteu-se na terceira força política, atingindo 13% dos votos, o que significou que, pela primeira vez, depois da Segunda Guerra Mundial, uma força política da extrema direita entrará no Parlamento nacional.

Mas estes não são os únicos exemplos da presença da extrema direita no concerto europeu, pois também houve casos notáveis em outros países ‘centralistas’ do bloco, como a Itália, Áustria, Bélgica, Grécia e a Dinamarca.

Tudo isso aconteceu no meio de um contexto marcado pelo esgotamento dos partidos tradicionais, as repetidas crises econômicas, os níveis de desigualdade que atingem segmentos cada vez mais importantes da população e um processo contínuo de imigração.

As estatísticas acerca dos fluxos migratórios marítimos para a Europa mostram uma mudança de tendência, porque, de acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), ao longo deste ano chegou ao continente metade dos migrantes em relação ao ano passado. No entanto, o número de mortes, com referência a 2016, continua sendo muito semelhante.

Em resposta aos dados fornecidos pela OIM, este ano, um total de quase 118 mil pessoas chegaram na Europa pelo mar — 85% delas através do Mediterrâneo Central, a rota que liga a Líbia com a Itália — quando em 2016, por outro lado, cerca de 260 mil migrantes pisaram o solo europeu.

Ainda, veio a chegada de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos e o confronto entre a ordem institucional e o movimento de independência na Catalunha; fenômenos que significam desafios para o bloco. Além das consequências da saída iminente do Reino Unido da União, uma das principais economias da região, que se tornaria o primeiro membro da tripulação a deixar o navio europeu.

Ao mesmo tempo, e perto das fronteiras da UE, uma nova ordem mundial vem sendo reconfigurada, com a ascensão da Rússia e seu crescente papel na esfera internacional, como foi o caso na luta contra o terrorismo na Síria.

Este ano 2017 também foi o momento de eventos simbólicos, como o centenário da Grande Revolução Socialista de Outubro e o 60º aniversário do Tratado de Roma, que dotou a União Europeia de uma carta de fundação.