ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
A Cidade do Cabo está experimentando sua pior seca em mais de um século. Photo: AFP

21 de abril de 2018 é o «dia zero» para a Cidade do Cabo, na África do Sul. Naquele dia, se a situação atual não for superada, as torneiras desta importante cidade africana poderiam deixar de fornecer água potável aos seus cidadãos.

A seca devastadora que está afetando essa cidade sul-africana colocou-a em um «ponto de não retorno», de acordo com Patricia de Lille, prefeita da Cidade do Cabo, que se poderia tornar a primeira grande urbanização no mundo moderno a ficar sem água potável.

As secas, os anos de pouca chuva, o aumento da população, a escassez de fontes alternativas e a falta de conscientização, que levou a desperdícios indiscriminados, são apontados pelos especialistas como as principais causas desse problema, da qual a Cidade do Cabo é o exemplo mais crítico, mas não o único.

Em 2014, uma investigação das Nações Unidas concluiu que das 500 megacidades do mundo, uma em cada quatro sofre uma situação de «estresse hídrico», uma situação que, de acordo com a ONU, acontece quando os regimes de chuva anuais caem abaixo de 1.700 metros cúbicos por pessoa. Atualmente, na Cidade do Cabo, os habitantes só podem usar 50 litros por dia.

Outro relatório da organização multilateral afirma que, em todos os continentes, importantes centros urbanos enfrentam escassez, em meio a uma corrida contra o tempo para encontrar uma solução. Então, o caso da Cidade do Cabo pode ser esse ponto de não retorno que muitas outras cidades do planeta temem. •

OUTRAS CIDADES COM MAIOR PROBABILIDADE DE FICAR SEM ÁGUA EM UM FUTURO PRÓXIMO

Cidade do México (México)

Um em cada cinco habitantes, dos 21 milhões que moram na Cidade do México, recebe água apenas durante umas horas ao dia e 20% apenas recebe o serviço só uma parte do dia. A capital mexicana defronta-se com sérios problemas por causa da seca e tem que importar até 40% da água de nascentes distantes.

Pequim (China)

Embora a China tenha 20% da população mundial, apenas dispõe de 7% da água potável global. Em 2014, cada um dos mais de 20 milhões de habitantes de Pequim recebeu apenas 145 metros cúbicos.

A poluição é, também, uma das causas da escassez do líquido global.

Gaza (Palestina)

A vida em Gaza torna-se uma luta constante por obter água potável. Um relatório da Autoridade Nacional Palestina da Água, na cercada Faixa de Gaza, alerta para que até 97% da água potável nesse enclave costeiro não é apta para o consumo humano, devido à poluição por águas dos esgotos ou porque não cumpre os padrões sanitários.

Moscou (Rússia)

Embora uma quarta parte das reservas de água doce do mundo estejam na Rússia, 70% do fornecimento de água para a sua capital, Moscou, provém de meios artificiais. Um grande problema de poluição afetou o país no século passado e entre 35% e 60% de todas as reservas de água potável não cumprem os padrões sanitários.

Tóquio (Japão)

Com seus mais de 30 milhões de habitantes, a rede de água de Tóquio depende em 70% da água superficial (rios, lagos ou neve derretida). Além do mais, sua intensa mas curta temporada de chuvas provoca que a capital nipônica seja vulnerável à seca. As autoridades dessa cidade criaram um sistema de recolha e utilização da água da chuva para o fornecimento instalado, aproximadamente, em mais de 70 edifícios públicos e privados.