ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Caricatura LAZ

CUBA assiste, pela segunda ocasião, à Cúpula das Américas. Depois de seis encontros nos quais as forças mais conservadoras do continente conseguiram manipular e fazer pressões para manter a Ilha excluída, a história demonstrou que a unidade latino-americana é capaz de mudar o contexto regional. Não foi um favor que se fez a um país submetido ao isolamento, é um direito recuperado graças à capacidade de resistência da Ilha.

Mesmo quando a Organização dos Estados Americanos (OEA) utiliza anualmente este encontro para apostar no neoliberalismo, a esquerda da América Latina ganha espaço nestas cúpulas. Cuba chegou à 7ª Cúpula das Américas representando também um direito conquistado pelos países da região e perante uma administração norte-americana que apostou em novos métodos, embora fosse com os mesmo propósitos, respeito às suas relações com seus vizinhos.

Foi no Panamá onde o general-de-exército Raúl Castro Ruz e o então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, conversaram na mesma mesa, e onde Cuba novamente reafirmou sua posição em relação à sua autodeterminação e a construção do seu projeto social e contra a imposição do bloqueio genocida e à ocupação ilegal do território de Guantánamo onde está encravada a base naval. O ano 2015 foi motivo de um encontro histórico, nada mais nada menos que em um evento definido, do seu começo, pelas tensões entre posições políticas percebidas.

Esta ocasião também promete ser singular. Em um contexto caracterizado pelas contradições entre os projetos integradores e a posição dos Estados Unidos com sua ideia do pan-americanismo, o encontro vai trazer à baila as profundas diferenças, tanto sociais quanto políticas, entre ambas as posições. Nesta ocasião, o debate acerca de governabilidade democrática perante a corrupção define a agenda. A presença dos Estados Unidos estará na mira de todos, depois que a atual administração tornasse oficial sua política agressiva e de desprezo contra diferentes países latino-americanos e acirrasse o as hostilidades contra Cuba.

Perante este contexto e experiências anteriores: será possível que das muitas divergências entre ambas as partes haja consenso? Poderá a esquerda latino-americana retomar sua liderança na região?

Certamente no Peru 2018 as plataformas progressistas não estão em seus melhores momentos. A direita investe com força e procura estabilizar sua hegemonia. A Casa Branca continua escurecendo os vínculos com os países da região, com forte ênfase contra a Venezuela. Não obstante, a participação de Cuba nesta Cúpula significa que apesar da situação, a Ilha maior das Antilhas assiste e demonstra a fortaleza e o compromisso com todos aqueles que apelam à paz, no melhoramento da América Latina e acreditam que é possível uma mudança regional a favor das maiorias.

Jovens, trabalhadores, intelectuais..., todos representantes de Cuba ratificarão com posições progressistas e com suas experiências, os sucessos de um país que continua repensando seu projeto social. Novamente o contexto terá a presença daqueles que tentam tergiversar a imagem de Cuba e defender posições que não estão na linha do projeto de país que tentamos construir.

Os objetivos, contudo, são mais importantes: rejeitar o bloqueio, exigir a devolução do território ocupado pela ilegal base naval em Guantánamo, recusar a imposição da Doutrina Monroe, e enfrentar a corrupção, banir a pobreza e a iniquidade econômica e social. Estas aspirações estão além das eleições, campanhas ou estratégias empresariais: trata-se do respeito e a sobrevivência das nossas nações como entidades culturais, territoriais, econômicas e políticas soberanas; de que a Nossa América continue sendo um só povo, desde o Rio Bravo até a Patagônia.