ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

CARACAS.— Tal como aconteceu durante quase duas décadas da Revolução Bolivariana, não há eleições ou plebiscitos em que o chavismo vença e a direita venezuelana e seus aliados internacionais fiquem satisfeitos.

Apesar das adversidades e campanhas de boicote, as forças seguidoras das ideias de Chávez conseguiram mobilizar importantes setores da sociedade e superaram a marca psicológica de seis milhões de votos para o candidato à reeleição, o presidente Nicolás Maduro.

Também triplicaram o voto frente a Henri Falcón, representante da Avançada Progressista (AP), da direita, do Movimento Ao Socialismo (MAS) e do Copei, que atraiu apenas 1,9 milhão de votos, de acordo com o Conselho Nacional Eleitoral.

«O chavismo não apenas recuperou a maioria, mas está crescendo cada dia mais», disse o chefe do comandante da campanha Simón Bolívar, Jorge Rodríguez, em entrevista coletiva realizada no Teatro Bolívar, em Caracas.

Rodríguez, citado pela Agência Venezuela de Notícias (AVN), disse que a vontade do povo venezuelano deve ser reconhecida para definir o caminho a seguir com soberania, independência e autodeterminação.

O povo «sobrepôs-se a todas as agressões e deu um mandato claro», disse.

Acrescentou que a Venezuela e seu povo têm sido alvo de ataques e agressões excessivos da direita nacional e internacional que, em resposta às demandas das potências imperiais, está disposta a submeter o país a uma brutal guerra econômica, que tem sido acompanhada por sanções unilaterais e coercivas.

Rodriguez mencionou que, diante dos ataques, o presidente Nicolás Maduro tem como meta dialogar com todos os setores para avançar na superação dos problemas e em prol do bem-estar do povo venezuelano e da prosperidade nacional.

Ao analisar as votações dos últimos três anos, lembrou como os índices negativos evidenciados nas eleições parlamentares de 2015, quando o chavismo perdeu com 56% dos votos, foram superados na nomeação eleitoral para a Assembleia Nacional Constituinte (ANC) com 43% de participação, e nas eleições regionais e municipais, onde o chavismo capitalizou 54% e 70%, respectivamente, do apoio popular.

«Nesta eleição, disse, a tendência também se manteve e o presidente Maduro devastou seus rivais».

«Foi uma imensa vitória, de proporções épicas, da democracia venezuelana, uma lição para o mundo inteiro, uma mensagem poderosa que deve ser ouvida atentamente, principalmente por aqueles que persistem em sua intenção agressiva contra a Venezuela: cada voto envia uma mensagem de paz, de respeito por parte de um povo que foi assediado pelas ações de violência, de guerra psicológica e da mídia, por grupos financiados por atores da direita», ressaltou.

PARTICIPAÇÃO POPULAR CONTRA VENTO E MARÉ

Após a esmagadora vitória do chavismo no passado 20 de maio, um grupo de países correu para tentar deslegitimar os resultados.

Países como Chile e a Colômbia, membros do chamado Grupo de Lima, parecem esquecer que a abstenção em suas respectivas eleições presidenciais também ultrapassou 50%, sem que isso desencadeasse uma onda de sanções internacionais ou a retirada de embaixadores dos seus países.

Em outras nações como a Suíça, que é tomada como um exemplo de democracia em nível planetário, nas eleições federais realizadas em 2015, houve também uma participação de apenas 48,4% do eleitorado.

Nos Estados Unidos, líder das agressões contra a Venezuela, o atual presidente obteve menos votos do que seu rival democrata e ainda permanece à frente da Casa Branca.

Seguindo um plano pré-estabelecido, o Grupo de Lima, em um comunicado emitido pelas chancelarias do Peru e do México, disse que as eleições na Venezuela não cumprem «os padrões internacionais de um processo democrático, livre, justo e transparente».

Os países membros concordaram em reduzir o nível de relações diplomáticas com a Venezuela, para o qual chamarão a «consultas aos embaixadores em Caracas» e convocarão os embaixadores da Venezuela «para manifestar nosso protesto».

Por outro lado, na segunda-feira, 21, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs novas sanções ao governo venezuelano, ao assinar uma ordem executiva pela qual limita ao executivo de Nicolás Maduro a venda de dívidas e bens públicos nos Estados Unidos.

Assim, a ordem executiva proíbe qualquer cidadão, instituição ou empresa norte-americana de adquirir a dívida venezuelana ou ativos e propriedades pertencentes ao governo da Venezuela nos Estados Unidos, incluindo aqueles derivados da entidade Petróleos de Venezuela S.A. (Pdvsa).

A nova medida de cerco se soma a um amplo conjunto de sanções com as quais Washington aspira a derrubar o atual governo, aprofundando a crise econômica e o descontentamento popular.

Silenciada tem sido, entretanto, a opinião de mais de cem observadores internacionais que participaram das eleições presidenciais de 20 de maio.

«Essas eleições devem ser reconhecidas por todos (...), são o resultado da vontade do povo venezuelano», disse o presidente do Conselho de Especialistas Eleitorais da América Latina (Ceela), Nicanor Moscoso, uma das organizações que participou como acompanhante.

Os observadores foram convidados pelo Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela (CNE) e ressaltaram que a abertura dos locais eleitorais foi concluída sem incidentes significativos, garantindo a liberdade de voto, segundo a Efe.

APELO AO DIÁLOGO

Antes de consumar sua vitória, Maduro fez um apelo para a consolidação da paz e da convivência entre todos os setores políticos da sociedade venezuelana, com vista a avançar para a solução dos problemas econômicos da nação sul-americana, noticiou a PL.

Por sua parte, o ex-presidente do governo da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, opinou, desde sua chegada ao país, como parte da missão internacional de acompanhantes, a necessidade de promover o diálogo na Venezuela.

Maduro estendeu a mão, no domingo, 20, à noite, do Palácio de Miraflores, durante a celebração da vitória popular, quando pediu para recuperar a economia venezuelana, através de um diálogo permanente e reconciliação com todos os setores políticos, sociais e econômicos.

Os candidatos da oposição Henri Falcón e Javier Bertucci disseram que desconheciam o resultado da eleição, apesar do fato de que o vencedor pediu para recontar 100% dos votos.

A oposição usa desculpas para justificar sua própria incapacidade de alcançar um mecanismo de mobilização, como o obtido pelas forças populares.

Comentaristas políticos consideram que tudo aquilo que foi dito é justificativa para a derrota ter um pai e não cair em saco vazio.

Os analistas também não descartam que a ignorância do resultado também faz parte do roteiro, supostamente escrito e em execução por poderosos interesses externos, para atrapalhar o rumo da Revolução Bolivariana.