ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

AO mesmo tempo em que milhares de pessoas se reuniam nas proximidades do Palácio de Miraflores para festejar a reeleição do presidente Nicolás Maduro, a oposição, os Estados Unidos, a União Europeia e a direita latino-americana punham em andamento um plano desestabilizador — há muito tempo denunciado — contra o novo processo democrático vivido em 20 de maio na Venezuela.

O povo venezuelano, vítima de uma das mais encarniçadas guerras econômicas dos últimos tempos, só comparável com o bloqueio imposto a Cuba há mais de 50 anos, reafirmou Nicolás Maduro como o presidente legítimo, com mais de seis milhões de votos.

No entanto, os supostos «defensores da democracia» na região e o mundo reativaram seu plano hostil contra a nação de Bolívar e ignoraram a clara mensagem dos cidadãos na votação.

Caracas, habituada a este tipo de ações, a partir de que em 1998 tomasse um caminho diferente dos princípios que profere Washington, amanheceu mais uma vez sob o assédio de uma nova onda intervencionista.

O semanário Granma Internacional descreve dez das ações desestabilizadoras que foram implementadas poucas horas depois das eleições.

1- NOVAS SANÇÕES DOS ESTADOS UNIDOS

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no próprio domingo, 20, novas sanções unilaterais contra Venezuela, violando os princípios da Carta das Nações Unidas e das regulamentações do direito internacional.

Através de uma ordem executiva, Trump proibiu que qualquer cidadão, instituição ou empresa estadunidense adquirisse dívidas com a Venezuela ou montantes e propriedades pertencentes ao executivo venezuelano nos Estados Unidos, incluídos aqueles investimentos derivados da empresa Petróleos da Venezuela S.A. (Pdvsa).

As autoridades venezuelanas recusaram essas ilícitas e ilegítimas medidas que tentam alargar a barreira econômica e financeira contra sua Pátria e que pretendem quebrantar o direito à autodeterminação do seu povo e atentar contra seu modelo de desenvolvimento socioeconômico.

2- TENTATIVAS DE DESCONHECER A VONTADE POPULAR

Catorze governos da América Latina, conhecidos como o Grupo de Lima, asseveraram que não reconhecem os resultados das eleições na Venezuela, segundo um comunicado emitido na segunda-feira 21 de maio.

Por trás dos argumentos para manter sua posição agressiva há uma suposta abstenção dos venezuelanos no domingo, 20. Contudo, os presidentes do Chile e a Colômbia, membros do bloco, foram eleitos com participação mais baixa do que a registrada por Nicolás Maduro e não são alvo de nenhuma demanda por esse motivo.

Igualmente, o Grupo de Lima inclui nações como o Brasil, onde um golpe de estado parlamentar tirou a presidenta Dilma Rousseff do poder e mantem preso injustamente Luiz Inácio Lula da Silva, o candidato mais popular, com vista às eleições no gigante sul-americano. No Peru, seu presidente demitiu pelas acusações de corrupção e em Honduras as eleições de 2017, caracterizaram-se por escândalos de fraude e corrupção.

3- AGRESSÕES DIPLOMÁTICAS

Os governos da Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru e Santa Lúzia, integrantes do Grupo de Lima, acordaram reduzir suas relações diplomáticas com a Venezuela, além disso chamaram seus embaixadores em Caracas, para «manter consultas».

O grupo asseverou que também apresentará uma resolução, no 48º período de reuniões, da Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) relacionada com a situação na Venezuela.

4- ATAQUES DA OEA

No passado mês de fevereiro, a OEA aprovou uma resolução que exigia do governo da Venezuela cancelar as eleições presidenciais do país. Esta entidade promotora da investida internacional para isolar os processos de mudança que começaram em toda a Pátria Grande, cujo centro desses objetivos é precisamente Venezuela, mantém uma campanha intervencionista contra essa nação, ao passo que fecha os olhos diante de situações escandalosas em outros países.

O secretário-geral da OEA, Luis Almagro, ignorou a vontade do povo bolivariano no domingo (20) e reiterou que o organismo desconhece Nicolás Maduro como presidente legítimo da Venezuela. Aliás, asseverou que continuarão lutando pelo fim da ditadura e novamente apelou a formar um governo de transição.

5- AMPLIAÇÃO DO CERCO ECONÔMICO

Cumprindo as orientações dos Estados Unidos, vários países latino-americanos também asseveraram que coordenarão ações com organismos financeiros internacionais para não outorgar créditos ao governo da Venezuela, que enfrenta uma importante crise econômica.

Também, arguiram que intensificarão e ampliarão a troca de informação financeira para aperfeiçoar as sanções contra a nação sul-americana, com o objetivo de acirrar o cerco econômico contra Caracas.

6- ATIÇAR OS CONFLITOS FRONTEIRIÇOS

Com motivo das consequências da guerra econômica e a crise que sofre a Venezuela, incentivadas do estrangeiro, os fluxos migratórios desse país para as nações vizinhas aumentam.

Se bem que resulta um fenômeno comum na história da América Latina e no passado, a própria Venezuela recebeu milhões de colombianos e outros migrantes, o assunto se tenta manipular para justificar um conflito.

A Colômbia e Brasil são duas pontas de lança no aumento da presença de tropas dos Estados Unidos, cujo governo asseverou que não descarta a opção militar contra a Venezuela.

7- A UNIÃO EUROPEIA SE SOMA AOS ATAQUES

Contrária às tentativas de manter uma política exterior independente dos Estados Unidos, a União Europeia aderiu aos ataques contra o governo venezuelano.

O bloco anunciou que estuda a adopção de medidas, depois das supostas irregularidades nas eleições na Venezuela.

Segundo a UE e a Espanha, particularmente, as eleições da Venezuela apresentaram deficiências democráticas fundamentais e graves irregularidades, apesar de que os mais 150 observadores internacionais destacaram a validez e transparência dos resultados obtidos nas votações.

8- BOICOTE DA OPOSIÇÃO

Antes de conhecer os resultados oficiais emitidos pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), o ex-candidato presidencial Henri Falcón disse que desconheceria o processo eleitoral.

Falcón, que obteve 1,8 milhão (1,820 552 de votos -21,01%), retomou uma fórmula já usada pela direita venezuelana que é não aceitar o resultado dos votos quando são desfavoráveis.

Javier Bertucci, candidato de Esperança para a Mudança, obteve só 10,82% dos votos, e também se somou à campanha de recusa, falando em supostas violações da lei eleitoral da Venezuela», embora aceitasse o resultado, mas criticando o processo.

9- O CAMINHO DA VIOLÊNCIA

Após ser ratificado como chefe de Estado, Maduro convocou um diálogo e a reconciliação, propostas que imediatamente foram rejeitadas pela Mesa da Unidade Democrática (MUD) e outros partidos da oposição.

A MUD, organização opositora que não participou destas presidenciais na Venezuela, sacrificou há vários meses seu próprio espaço político no país e se somou à convocatória de um plano violento, alegando uma fraude, muito antes de se conhecerem os resultados, tal como a oposição participante e recusou qualquer possibilidade de se reconciliar na mesa de conversações com o executivo de Maduro.

Extremamente desacreditada e dividida, a MUD, que não tem um plano de governo próprio, mas sim várias diretrizes regidas do exterior, agora tenta fabricar uma montagem de falta de legitimidade a respeito de umas eleições nas quais decidiram não participar, perante a impossibilidade de defrontar o chavismo.

10.-MANIPULAÇÃO MIDIÁTICA

As fotos utilizadas na mídia internacional e até as manchetes escolhidas, a cobertura de imprensa acerca das eleições na Venezuela foi desenhada para tentar diminuir a participação dos cidadãos e seu apoio total à Revolução Bolivariana.

Igualmente, a maioria da mídia do Ocidente continua utilizando termos como presos políticos, apesar de que o governo mostra inúmeras provas de que aqueles que foram julgados estiveram envolvidos em ações ilegais ou apelos à violência, que deram cabo de centenas de vidas.