ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Em 2016, entrou em vigor uma nova lei, que permite aos casais que assim desejarem ter dois descendentes. Foto: XINHUA

PEQUIM.— Ter a chance de caminhar por qualquer rua da China, visitar seus lugares turísticos ou tomar o metrô (sobretudo na hora H) é suficiente para perceber a dimensão de estar no país mais povoado do mundo.

Seus mais de 1,3 bilhão de chineses representam aproximadamente 19% da população mundial.

Contudo, ao tempo que se tenta frear a superpopulação do gigante asiático e aliviar o amontoamento nas grandes cidades, existe também a preocupação sobre o crescente envelhecimento de seus habitantes.

A POLÍTICA DO FILHO ÚNICO E SEU FIM

Com a proclamação da República Popular da China, em 1° de outubro de 1949, o país começou a viver uma época de melhoria econômica e, com isso, um notável crescimento demográfico, fato que foi apoiado pelas mais altas instâncias do governo.

O líder Mao Zedong, ao referir-se a isso, expressou uma vez «deve ser considerado positivo que a China tenha uma população abundante. Inclusive, se a população da China se multiplicasse várias vezes, poderia encontrar soluções aos problemas criados por seu incremento (...)», disse.

Mas na década de 1970 do passado século, a população do país alcançou quase o bilhão, convertendo-se em uma preocupação e um desafio para as autoridades, foi nesse contexto que se estabeleceu a chamada «política do filho único», a qual limitava as famílias a ter apenas um descendente.

Existiam casos como as minorias étnicas ou habitantes de alguns locais rurais que ficaram isentos disto; chegado o ano 2013, permitiu-se ter um segundo descendente àqueles casais, nos quais uma das partes fosse filho único.

Ao tempo que com a aplicação desta política se conseguiu uma melhoria nos indicadores sociais, como a renda per capita, o acesso à educação e a diminuição na pobreza e se evitou que a população chinesa chegasse ao 1,7 bilhão; também aconteceu um fenômeno adverso: o envelhecimento populacional e a redução da população ativa do país.

Segundo um estudo das Nações Unidas no ano 2050 haverá na China aproximadamente 440 milhões de pessoas maiores de 60 anos, o que poderia influir negativamente no acelerado crescimento econômico que manteve o país há anos.

Ciente desta situação, depois da reunião plenária anual de 2015 do Partido Comunista da China, decidiu-se pôr fim à «política do filho único», e a partir de 1º de janeiro de 2016 entrou em vigor uma nova lei, que permite aos casais que assim o desejarem ter dois descendentes.

A China é atualmente o país mais povoado do mundo, com mais de 1,3 bilhão de habitantes. Foto: XINHUA

Doze meses mais tarde, os primeiros resultados foram percebidos: de acordo com informações governamentais naquele ano nasceram 18,46 milhões de bebês no gigante asiático, número que representou um crescimento de 11,5% em relação ao ano anterior.

Naquela época, o diretor de divisão da Comissão Nacional de Saúde e Planejamento Familiar, Yang Wenzhuang, afirmou: «Fica demonstrado que a política universal do segundo filho chegou a tempo e funcionou efetivamente».

Um ano depois o número de nascimentos caiu para 17,58 milhões, dos quais 51% foram os segundos bebês de suas respectivas famílias, de acordo com dados da mencionada Comissão, que considera que o número «continua estando a um nível relativamente alto».

Uma das causas deste decrescimento é devido à redução de casais que pensam em ter família e ao fato de que a maioria dos jovens chineses não está interessada em ter descendentes e quando o fazem, optam por apenas um filho.

O demógrafo Jiang Quanbao, da Universidade Xi’an Jiaotong, explica o fenômeno ao dizer que os casais jovens enfrentam pressões econômicas, devido aos altos preços das moradias, bem como o custo da educação das crianças e sua manutenção. As mulheres também querem continuar os estudos superiores e uma melhor carreira profissional. «Ter um filho pode ser visto como uma necessidade e uma obrigação, mas ter dois não», comentou.

Entretanto, o governo também se enfrenta ao envelhecimento populacional. Dados da agência Prensa Latina refletem que no fim do ano passado no gigante asiático eram contabilizadas 241 milhões de pessoas maiores de 60 anos, que representam 17,3% de seus habitantes.

É por esta razão que o país promove melhor qualidade nos serviços oferecidos aos idosos e se prepara para um investimento nesse setor, que ascenderá a 26,24% do Produto Interno Bruto da China para 2050 (em 2015 representou apenas 7,33%).

O impacto disto será sentido na redução da força de trabalho, vital para continuar o rápido crescimento que experimentou a China, país que se coloca atualmente entre as primeiras economias do mundo.

ALIVIAR AS GRANDES CIDADES

O plano do governo chinês para enfrentar a superpopulação também inclui aliviar o número de habitantes em suas grandes cidades, tal é o caso de Pequim, onde existe um projeto para limitar sua população a 23 milhões, para 2020.

O plano inclui, também, melhorar sua gestão urbana (demolir prédios ilegais, melhorar ou realocar centros comerciais) e eliminar as funções não essenciais, como mercados de manufatura, logística e vendas no atacado.

Dessa forma se combaterá a poluição, os grandes engarrafamentos e a migração interna no gigante asiático.

Nesse sentido está sendo construído um centro econômico em Xiongan, que foi apresentado no ano passado durante o 19º Congresso do PCCh, por seu secretário-geral e presidente do país Xi Jinping, «liberaremos Pequim das funções não essenciais de sua função como capital e utilizaremos este esforço para encorajar o desenvolvimento coordenado da região de Pequim-Tianjin-Hebei; desenvolveremos planos com visão de futuro e adotaremos padrões altos para construir a Nova Área de Xiongan», apuntou.

O novo local será lar de universidades, instituições médicas, sede de corporações, instituições públicas e financeiras; também não terá arranha-céus em seu afã de ser uma zona amigável com o meio ambiente.

DEIXARÁ DE SER O PAÍS MAIS POVOADO?

Um estudo do Departamento dos Assuntos Econômicos e Sociais da Organização das Nações Unidas revelou que se espera que a população mundial atinja os 9,8 bilhões de pessoas em 2050; e cinco décadas depois os 11,2 bilhões.

Tal pesquisa também indicou que a China será desbancada pela Índia, como nação mais povoada, em nível mundial, ao assegurar que em 2050 a população do gigante asiático representará 18% dos habitantes do mundo; entretanto a da Índia será de 19%.

Dessa forma, a Índia se converterá em um dos epicentros do crescimento demográfico global, devido a sua alta taxa de fertilidade e de natalidade (esta supera grandemente a de mortalidade); enfrentando-se a flagelos como a pobreza e a desigualdade, pontos chaves dentro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Por outro lado, ao se referir à China, o estudo indicou que seu número de habitantes se manterá constante até 2030, quando finalmente começará a decrescer.

EM CONTEXTO:

- A China é a quarta nação maior do mundo em extensão territorial, contudo, é o país mais povoado.

- Espera-se que em pouco mais de dez anos ocorra uma diminuição demográfica no gigante asiático, segundo as Nações Unidas e se calcula que para 2100 tenha ao redor de um bilhão de habitantes.

- Estima-se que para 2020 haja entre 17 e 20 milhões de nascimentos anuais.

- As pessoas maiores de 60 anos representarão 34,9% da população chinesa em 2050, com 487 milhões.