ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Os direitos políticos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram violados, proibindo-o de participar das eleições presidenciais brasileiras. Foto: Internet

A alma do Brasil é diferente e isso se reflete no duelo eleitoral no primeiro turno de 7 de outubro, entre Jair Bolsonaro (que obteve 46,03% dos votos válidos) e Fernando Haddad (29,28%).

Cada voto do segundo turno das eleições marcadas para 28 de outubro será um ataque ou um impulso para a democracia do gigante sul-americano.

As eleições presidenciais realizadas no Brasil, no domingo 7, vão para uma segunda rodada entre os candidatos Bolsonaro, do Partido Social Liberal (PSL), e Haddad, do Partido dos Trabalhadores (PT).

Diante desse cenário, torna-se claro o estabelecimento de novas alianças com os candidatos que não aderiram à próxima instância, o que decidirá quem será o próximo presidente da nação para o período 2019-2023.

Há muitas coisas em risco na próxima rodada eleitoral, não só para os brasileiros, mas para o futuro da América Latina. Pode se esperar um Bolsonaro, candidato da extrema-direita, cuja campanha eleitoral foi marcada por suas declarações ultrajantes, qualificando-o como «racista», «homofóbico» e defensor da pena de morte, enquanto outros o chamam de «o Trump brasileiro». A questão é como com toda essa trajetória ficou como o candidato com a maior porcentagem de votos.

Por outro lado, o povo foi proibido de escolher seu representante, aquele que aclamavam: Luiz Inácio Lula da Silva. Em vez disso, a presidência de Fernando Haddad, que pode atrair parte dos eleitores de Lula, especialmente aqueles de baixa renda no nordeste do país, que almejam as melhorias sociais que tiveram com o ex-presidente.

O povo brasileiro tem o poder de decidir seu futuro, passar por cima de manipulações da mídia, corrupção, enganos, falsas promessas e escolher; como tivesse feito por Lula, aquele que o mesmo sistema judicial de seu país arrancou deles.
«Dom dinheiro» é poderoso, as elites políticas também, mas quando um povo decide deixar o ostracismo e defender seus direitos, seus princípios, quando é capaz de se unir pelo bem comum, pode desmantelar qualquer tentativa de obscurecer a democracia.

A realidade da nação brasileira hoje é a atmosfera de tensão e perplexidade que cobre o país, depois dos escândalos de corrupção e da dolorosa crise econômica dos últimos anos, que permeou diferentes áreas do cotidiano.

Há vários sinais de que os brasileiros votaram com raiva em 7 de outubro: uma pesquisa recente da Datafolha revelou que esse era o sentimento de dois em cada três eleitores.

O confronto e a violência são atualmente traços do Brasil para além da política: no ano passado, o país registrou um recorde histórico de 63.880 assassinatos, uma média de 175 por dia, taxa superior à do México. O sentimento de insegurança também influenciou o debate eleitoral.