ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

O conselheiro de Segurança dos EUA, John Bolton, em 20 de setembro passado, anunciou que o presidente Donald Trump assinou o plano da nova Estratégia de Cibernética Nacional que autoriza oficialmente o governo estadunidense fazer ataques cibernéticos ofensivos.

«Vamos fazer muitas coisas de forma ofensiva e acho que nossos adversários precisam saber», declarou Bolton em entrevista coletiva. Este documento contribuirá para «garantir a Internet segura»; segundo Bolton, agora os órgãos competentes poderão «identificar, neutralizar, desmantelar, degradar e dissuadir ações contrárias aos interesses nacionais».

Deverão se preocupar, declarou o conselheiro de Segurança Nacional, «a pessoas que tenham cometido ou estão se preparando para cometer atos hostis contra nós no ciberespaço». E enfatizou que as respostas a estes ataques não será confinada ao ciberespaço, mas incluem também, respostas legislativas, sanções econômicas e ações militares.

«O presidente decidiu que o novo plano se encaixa em nosso interesse de segurança nacional, não porque queiramos que haja mais operações ofensivas no ciberespaço, mas precisamente para criar as estruturas de dissuasão que irão demonstrar aos nossos adversários que o custo é muito alto» , enfatizou.

No documento, o Irã, a Rússia, a China, a República Popular Democrática da Coreia (RPDC), entre outros, são acusados de usar o ciberespaço como um instrumento para atacar os EUA. E Bolton menciona exemplos de ataques «perpetrados» pela Rússia e pela RPDC.

Em julho passado, o promotor especial Robert Mueller, do Departamento de Justiça dos EUA, acusou 12 membros do Diretório Principal de Inteligência da Rússia (GRU), de «piratear» a campanha presidencial de Hillary Clinton, para as eleições estadunidenses de 2016.

Segundo a Associated Press (AP), ciberpiratas russos obtiveram os segredos militares de Washington, incluindo os de seus drones e sua tecnologia de defesa crítica. O grupo de ciberpiratas localizou pelo menos 87 pessoas trabalhando em áreas sensíveis do setor militar do país, como drones, mísseis, foguetes e caças furtivos, entre outros.

O Escritório de Administração de Pessoal, uma agência independente do governo dos EUA, informou que os ciberpiratas fizeram vários ataques contra importantes sites estadunidenses, incluindo a rede de computadores do Pentágono, as contas de Twitter e YouTube do Comando Central dos Estados Unidos (Uscentcom), além de que os piratas roubaram dados de acesso de milhões de funcionários dos Estados Unidos, incluindo funcionários do Departamento da Defesa.

Moscou recusa tais acusações e considera que é uma invenção. O governo russo disse repetidamente que as acusações são «absurdas» e representam uma tentativa de desviar a atenção dos assuntos domésticos dos EUA e de sua responsabilidade nos ataques realizados contra instalações, empresas, unidades militares e civis, serviços públicos e privados da Rússia, Irã, RDPC e a China.

A Chancelaria russa reiterou o apelo a «organizar uma reunião do grupo de trabalho bilateral de cibersegurança para examinar esses problemas com a participação de especialistas da Rússia e dos EUA».

QUEM ATACA QUEM

O governo estadunidense, seus serviços e instituições de inteligência, empresas ligadas ao complexo militar-industrial, desenvolvem uma forte ofensiva contra a República Islâmica do Irã, há uma década.

Em 2010, um ataque cibernético realizado contra uma usina eletronuclear iraniana causou danos ao sistema de arrefecimento da usina, o que poderia ter causado um grave incidente com consequências imprevisíveis. Este é considerado o primeiro ataque cibernético que causa danos no mundo físico.

Várias fontes afirmam que o vírus Stuxnet afetou as centrífugas do sistema nuclear iraniano. Uma vez dentro da usina, a pressão das centrífugas aumentou até elas falharem sem que se detectasse, confundindo os técnicos que acreditaram que eram falhas físicas. A intenção foi sabotar e atrasar o desenvolvimento do programa nuclear iraniano. Há elementos hoje para considerar que, no ataque, os serviços especiais estadunidenses e israelenses estiveram envolvidos.

Embora pareça uma questão de ficção científica, além dos ataques à infraestruturas, os cibercriminosos podem atentar diretamente contra a vida humana, podem ser pirateados marcapassos com função sem fio e acabar com a vida de um «inimigo», declararam fontes próximas da CIA.

Segundo contou ao programa da CBS 60 minutos, em 2007, o vice-presidente dos Estados Unidos durante o mandato de George Bush, Dick Cheney, seu médico ordenou que desativasse a função sem fio de seu marca-passos, temendo que pudessem pirateá-lo e acabar com a vida dele.

A FireEye, empresa de pesquisa em áreas relacionadas com a proteção da segurança cibernética, está intimamente ligada à CIA, através de Robert Bigman, ex-CISO (diretor de Segurança da Informação) dessa agência, com quem assinou inúmeros contratos para pesquisas sobre o uso de malware, exploits de dia zero (ataques cibernéticos que ocorrem no mesmo dia em que uma vulnerabilidade é descoberta no sistema) e táticas apt (soluções técnicas para a Ameaça Avançada Persistente, apt).

A FireEye foi identificada como possível responsável por fazer falsos ataques, com o objetivo de apontar a Rússia e o Irã como criminosos cibernéticos.

A Rússia foi acusada, em 2017, de realizar um ciberataque global que causou perdas de bilhões de dólares na Europa, Ásia e América. «O ataque espalhou-se rapidamente pelo mundo»; em um comunicado, o Reino Unido acusou a Rússia de estar por trás do ataque cibernético, acusação que foi apoiada pela Casa Branca.

«Isso não tem nada a ver com a Rússia», declarou imediatamente o presidente russo, Vladimir Putin, durante uma visita à China. «A Microsoft disse diretamente que a fonte do vírus eram os serviços de inteligência dos Estados Unidos».
Agora que «percebemos que um gênio deixou sua garrafa (...) pode se revoltar contra seus pais», «(...) é necessário que a questão seja tratada imediatamente em um nível político sério», acrescentou Putin.

O diretor jurídico da Microsoft, Brad Smith, apontou que o evento ocorreu porque a Agência Nacional de Segurança (NSA) desenvolveu uma maneira de penetrar nos sistemas operacionais Windows que acabou nas mãos dos piratas.

O «TERABYTE DA MORTE» E OUTRAS QUALIDADES

O Departamento da Defesa dos Estados Unidos anunciou repetidamente que um grande ataque cibernético de magnitude desconhecida poderia ocorrer em escala global, em qualquer momento. O porta-voz do Pentágono, Alan R. Lynn, afirmou que há alguns anos receber um ataque de um ou dois gigas supunha um assunto importante.

«Atualmente, estamos enfrentando ataques cibernéticos de 600 gigabytes e ofensivas cibernéticas que nem poderíamos imaginar antes», ressaltou.

O Pentágono fala sobre um eventual efeito em massa de um terabyte (mil gigabytes). «A ocorrência de tal ataque é apenas uma questão de tempo», alertou Lynn.

Em 12 de maio do ano passado, o vírus de extorsão WannaCry infectou 200 mil usuários em mais de 150 países. O WannaCry é um programa de computador cujo objetivo é «sequestrar» os arquivos de um computador para depois pedir seu «resgate» aos usuários em troca de dinheiro.

«O tamanho do ataque faz com que pensemos que talvez não sejam lobos solitários», asseverou o blogueiro José Luis Camacho à Russia Today, argumentando que ataques dessa magnitude exigem financiamento significativo.
Parte do código deste vírus corresponde a uma «cyberarma» da NSA chamada EternalBlue, de acordo com o Bleeping Computer. Com esta ferramenta, o ataque aproveita uma conhecida violação de segurança conhecida do sistema operacional Windows que permite assumir o controle de um computador.

O PLANO APROVADO JUSTIFICA OS ATAQUES CIBERNÉTICOS CONTRA SUPOSTOS ADVERSÁRIOS

Trump revogou a chamada «diretiva presidencial 20», um documento confidencial assinado por Obama, que foi tornado público em 2013 quando o ex-analista da NSA, Edward Snowden, expôs 1,7 milhão de arquivos em programas de espionagem dos EUA.

Esse regulamento forçava o Pentágono e as agências de inteligência a obter a aprovação de outros departamentos do governo, antes de lançar ataques cibernéticos. Agora essa porta foi aberta e o Pentágono recebe a autorização para agir agressivamente, deixando para trás, segundo Bolton, «a posição defensiva mantida até agora».

O documento legaliza a pirataria e ataques cibernéticos contra outras nações. O que, então, pode ser esperado dos especialistas na fabricação de pretextos, ataques de bandeiras falsas, autoataques, ataques simulados ou agressões permitidas para alcançar objetivos escuros, como alguns apontam que foi o que aconteceu em 11 de setembro de 2001?

O novo plano abre um cenário mais perigoso para a paz mundial, a humanidade deve fechar filas para parar a loucura bélica que se estende ao ciberespaço.
Cuba promove o uso pacífico e legítimo das tecnologias de informação e as comunicações (TIC) e as oportunidades oferecidas pelo ciberespaço para o desenvolvimento e o bem-estar da humanidade.