ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

A assistência rápida e oportuna ao povo do Haiti novamente foi fornecida pela brigada médica cubana com base naquele país após a ocorrência de um terremoto de 5,9 graus na escala Richter, às 8h11 do dia 6 de outubro de 2018, perceptível em todo o país.
A maior afetação pelo sismo ocorreu no Nord Oeste e uma ligação noturna ao dr. Oscar Fonseca Almaguer, a cargo do grupo de médicos cubanos que trabalham no departamento de L'Artibonite pela diretora do hospital La Providence mobilizou imediatamente as forças disponíveis na área para atender a vários feridos pelo colapso das casas e da igreja na comuna Gros-Morne.
«Rapidamente enviamos para Gros-Morne uma equipe composta por um cirurgião, um anestesista, um ortopedista, um instrumentista, um laboratorista e quatro especialistas em Medicina Geral Integral. Entre os resgatados estava um médico haitiano, ao qual caiu a parede de sua casa acima dele, o que causou um hematoma gigante na região lombo-sacra. Ele foi operado com urgência, sem complicação. Eles também relataram que ali tinham sido tratados 11 pacientes, nenhum grave», disse Evelio Betancourt Tamayo, chefe da Brigada Médica Cubana no Haiti.
Posteriormente, à comuna de Port de Paix enviaram um cirurgião e um ortopedista, os quais só atenderam sete pacientes, nenhum deles com perigo para suas vidas, todos com ferimentos leves e a maioria com ataques de pânico, essa equipe se juntou a um grupo de paramédicos para ajudar no trabalho de resgate e salvamento.

«Todos eles chegaram por volta das 6h30 da manhã do dia 7 de outubro. Deste essa hora até as 4h00 da tarde, não atenderam novos casos, por isso, decidiu-se recolocar esses colaboradores na comuna de Bassin Bleu, uns 30 quilómetros de distância, para que caso fosse solicitada a ajuda, estariam prontos para fornecê-la, mesmo com os 28 colaboradores que trabalham lá», explicou o diretivo.
Para avaliar o que aconteceu no distrito de Port de Paix, os chefes dos departamentos de Artibonite e Nord Oeste percorreram o local no dia 7 e se reuniram com autoridades haitianas. Ali sofreram a primeira réplica do evento sismológico com uma intensidade de 5,2 graus, sendo perceptível nos departamentos Nord leste, Norte, Artibonite e Nord Oeste.
O hospital da comuna de Port de Paix ficou praticamente inutilizável pelos danos sofridos, portanto, apesar de ter a logística garantida com 12 médicos haitianos, enfermeiros e paramédicos, os serviços eram oferecidos nas áreas circundantes a tal instituição já que até a sala de cirurgia corria risco de colapso.
Em 8 de outubro, à 1h00 da manhã, um novo terremoto de magnitude 4,2 foi registrado, a 33 km da comuna de Port de Paix, sem registros de danos materiais ou vidas humanas. Também não houve percepção de terremotos em outros departamentos do Haiti. Depois não houve réplicas, o país voltou ao normal e os colaboradores mobilizados não atenderam mais casos relacionados ao evento sismológico.

Os 581 colaboradores cubanos que trabalham no país têm garantidas cem por cento das reservas perante situações excepcionais. A direção da brigada médica contatou imediatamente as pessoas mais próximas do local para conhecer a situação real das afetações.
«Em nenhuma das nossas posições, onde trabalhamos e vivemos, houve incidentes lamentáveis, nem nas comunas», asseverou o doutor Betancourt Tamayo em sua mensagem ao Granma Internacional, já que o epicentro do terremoto foi no mar, perto do canal da Ilha da Tartaruga.
Desde 9 de outubro não há cubanos nesses lugares, já que não é necessária sua presença, embora perante a ocorrência das repetidas réplicas, 28 funcionários permaneçam ativos na Comuna Bassin Bleu, perto do local, para que, se forem solicitados, possam estar prontos.
O chefe da Brigada Médica Cubana apontou que atualmente preparam um plano de atividades para festejar o 20º aniversário de assumir a colaboração lá e asseverou: «Dois grupos da brigada realizam nas comunas de Gros Morne e Port A Paix pesquisas ativas e clínicas móveis, para detectar novos casos em tempo».

Quadro
• A brigada médica cubana chegou em 1998 com cerca de 350 membros, como resultado da destruição causada pelos furacões George e Mitch.
Em 2010, aumentou para mais de 700, aos quais se uniram 380 graduados da Escola Latino-Americana de Medicina de 27 países, para enfrentar a emergência causada por um terremoto letal que matou, em poucos segundos, pelo menos 220 mil pessoas. feriu outras 300 mil e deixou sem abrigo 1,5 milhão.
Da mesma forma, as brigadas de saúde da Ilha Maior das Antilhas ajudaram o governo haitiano a controlar a grave epidemia de cólera, que ceifou a vida de mais de 7 mil pessoas.
É composta por 581 empregados, dos quais 173 são médicos e 331 são mulheres.

A Brigada Médica Cubana atende:
• 21 hospitais comunitários de referência
• 31 salas de reabilitação
• 14 centros de saúde
• 1 Centro Oftalmológico da Operação Milagre
• 1 sala de atendimento integral para o colaborador
• 1 oficina de ortoprótese
• 1 oficina de eletromedicina

Principais indicadores nos quase 20 anos de apoio solidário ininterrupto:

• 29.671.562 pacientes atendidos, dos quais 11.279.654 em suas casas
• 577.421 cirurgias, incluindo 201.477 grandes cirurgias.
• 178.104 partos assistidos (18.390 por cesariana)
• 71.859 pacientes tratados pela Operação Milagre (oftalmologia)
• 320.941 vidas salvas

Enfrentamento ao cólera
• Desde outubro de 2010, mais de 77 mil casos foram tratados
• Outubro a dezembro de 2010: 54.437
• 2011: 21 910
• 2012: 319
• 2013: 262
• 2014: 415
• 2015: 180
• 2016: 273
• 2017: 17
• 2018: 3
• Falecidos: 277, o que representa uma taxa de letalidade de 0,35%

Fonte: Estatísticas da Brigada Médica Cubana no Haiti