ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Rosa deixou uma marca indelével na história.

A revolução chegou à Alemanha! As massas de soldados que durante anos foram levados ao matadouro para o bem dos lucros capitalistas, as massas de trabalhadores que por quatro anos foram exploradas, esmagadas e esfomeadas, se revoltaram. O militarismo prussiano, essa temível ferramenta de opressão, esse flagelo da humanidade, está quebrado no chão.

Os conselhos de trabalhadores e soldados foram formados em toda parte. Trabalhadores de todos os países, nós não dizemos que na Alemanha todo o poder reside agora nas mãos do povo trabalhador, que o triunfo completo da revolução proletária se conseguiu. Mas trabalhadores de todos os países, agora o próprio proletariado alemão fala com vocês. Neste momento, somos justificados perante a história, perante a Internacional e perante o proletariado alemão. As massas concordam conosco entusiasticamente, constantemente expandindo círculos proletários, compartilhando a convicção de que chegou a hora de acertar contas com o governo da classe capitalista. Mas esta grande tarefa não pode ser realizada apenas pelo proletariado alemão, só pode lutar e vencer apelando para a solidariedade dos proletários em todo o mundo.

Mas também sabemos que em seus países o proletariado fez os sacrifícios mais temíveis de carne e osso, que estão fartos com a carnificina horrível, que o proletariado está agora retornando a casa e que encontra necessidade e miséria lá, enquanto as fortunas no valor de bilhões se acumulam nas mãos de alguns capitalistas.

O imperialismo de todos os países não conhece «entendimentos», apenas reconhece um direito: os lucros do capital; conhece apenas uma língua, a espada: conhece apenas um método: a violência.

A Europa foi arruinada por esta chacina amaldiçoada. Doze milhões de corpos cobrem as cenas deste crime imperialista. A humanidade está à beira da morte por causa de um derramamento de sangue sem precedentes na história. Vencedores e perdedores estão à beira do abismo. A humanidade é ameaçada pela fome, uma parada de todo o mecanismo de produção, as pragas e a degeneração.

Os grandes criminosos dessa temível anarquia, deste caos desencadeado — as classes dominantes —- não são capazes de controlar sua própria criação. A besta do capital que conjurou o inferno da guerra mundial é incapaz de banir, de restaurar a ordem real, de garantir o pão e o trabalho, a paz e a civilização, a justiça e liberdade, à humanidade torturada.

Só o socialismo está em uma posição de completar a grande obra da paz permanente, de curar as milhares de feridas pelas quais sangra a humanidade, de transformar as clareiras da Europa, pisadas pela passagem do cavaleiro apocalíptico da guerra, em jardins florescentes, de conjurar dez forças produtivas por cada uma destruída, de despertar todas as energias físicas e morais da humanidade e de substituir o ódio e a dissidência com solidariedade interna, harmonia e respeito por cada ser humano.

Se os representantes dos proletários de todos os países pudessem dar-se as mãos sob o lema do socialismo para fazer a paz, então a paz seria alcançada em poucas horas. Então não haveria disputas sobre a margem esquerda do Reno, da Mesopotâmia, do Egito ou das colônias.

Então haverá apenas um povo: os seres humanos trabalhadores de todas as raças e línguas. Então, haverá apenas um direito: a igualdade de todos os homens. Então haverá apenas um objetivo: prosperidade e progresso para todos.

Homenagem a Rosa Luxemburgo, em Berlim. Foto: DPA

A humanidade enfrenta a alternativa: dissolução e queda na anarquia capitalista, ou regeneração através da revolução social. Se acreditam no socialismo, agora é a hora de provar isso nos fatos.

A FORÇA MAIS AVANÇADA DA CLASSE TRABALHADORA

A proletária moderna aparece hoje na galeria pública como a força mais avançada da classe trabalhadora e, ao mesmo tempo, de todo o sexo feminino, e surge como a primeira lutadora de vanguarda há séculos. A mulher do povo trabalhou muito desde sempre.

Na horda primitiva carregava cargas pesadas, coletava comida; semeava cereal, moía, fazia cerâmica; na antiguidade era escrava dos patrícios e alimentava seus filhos com o próprio seio; na Idade Média, estava ligada à servidão das fiações do senhor feudal. Mas desde que a propriedade privada existe, a mulher do povo quase sempre trabalha longe da grande oficina de produção social e, portanto, longe da cultura também... O capitalismo a jogou no jugo da produção social, nos campos alheios, nas oficinas, na construção, nos escritórios, nas fábricas e nos armazéns que a separam pela primeira vez da família. A mulher burguesa, por outro lado, é uma parasita da sociedade e sua única função é participar do consumo dos frutos da exploração: a mulher pequeno-burguesa é o animal de carga da família. Somente na pessoa da proletária atual a mulher acessa à categoria de ser humano, pois somente a luta, somente a participação no trabalho cultural, na história da humanidade, nos torna seres humanos.

Para a mulher burguesa a casa dela é o seu mundo. Para a proletária, sua casa é o mundo inteiro, com toda sua dor e alegria, com sua fria crueldade e sua rude grandeza. A proletária é aquela mulher que migra com os trabalhadores dos túneis da Itália até a Suíça, que acampa em ravinas e enxuga fraldas cantando canções junto a rochas que, com a dinamite, voam descontroladamente pelo ar. Como operária do campo, como trabalhadora sazonal, descansa na primavera em sua pilha modesta de roupas no ruído, no meio de trens e estações com um lenço na cabeça e à espera paciente de um trem para levá-la de um lado a outro.

A mulher burguesa não está realmente interessada em direitos políticos, porque não exerce nenhuma função econômica na sociedade, porque goza dos frutos acabados da dominação de classe. A reivindicação de direitos iguais para as mulheres é, para as mulheres burguesas, pura ideologia, típica de grupos isolados fracos sem raízes materiais, é um fantasma do antagonismo entre o homem e a mulher, um capricho.

A proletária, por outro lado, precisa de direitos políticos porque na sociedade exerce a mesma função econômica que o proletário. Tem os mesmos interesses e precisa das mesmas armas para se defender. Suas reivindicações políticas não estão profundamente enraizadas no antagonismo entre homem e mulher, mas no abismo social entre a classe explorada e a dos exploradores; no antagonismo entre o capital e o trabalho.

A mulher trabalhadora, junto com o homem, sacudirá os pilares da ordem social existente e, antes de esta lhe conceder algo parecido com seus direitos, vai ajudar a enterrá-lo sob suas próprias ruínas.

A REVOLUÇÃO

A abolição da dominação do capitalismo, a realização da ordem socialista: isso e nada menos é o tema histórico da atual revolução. Esta é uma grande obra, que não pode ser completada por um piscar de olhos... ela só pode surgir a partir da ação consciente das massas, dos trabalhadores da cidade e do campo, levado com sucesso através do labirinto de dificuldades pela mais alta maturidade intelectual e idealismo inesgotável das massas populares.

O caminho da revolução é claramente mostrado por seus objetivos e pelo método consistente de suas tarefas. Todo o poder nas mãos das massas trabalhadoras, nas mãos dos Conselhos de trabalhadores e soldados, garantindo a obra da revolução contra seus inimigos ocultos: essa é a diretriz para todas as medidas a serem tomadas pelo governo revolucionário.

Cada passo, cada ato do governo como uma bússola deve apontar nessa direção.