
«O pedido de liberdade para o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, acompanha hoje a luta de todos os movimentos de solidariedade com Cuba no Brasil e em outros países», explicou ao Granma Internacional, Carmen Diniz dos Santos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-terra.
Para ela, a principal batalha internacional que vai dar o mundo neste ano 2019 será conquistar a liberdade de líder político, representante fiel dos ideais de emancipação do povo do gigante sul-americano, que foi preso sob acusações falsas criminais, para evitar que fosse eleito novamente como presidente.
Lembre-se que Lula está preso desde abril de 2018 na prisão de Curitiba, no sul do estado do Paraná, e recebeu uma sentença de 12 anos e 11 meses por supostos atos de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, em um caso cheio de preconceitos e fabricação de provas, algo que os advogados da defesa chamam de prisão política, pela quantidade de contradições que apresenta.
«Divulgamos por todos os meios à nossa disposição a verdade sobre o assunto e nosso principal objetivo é alcançar a unidade das forças populares para o apoio nesta luta», disse a também coordenadora do Comitê Carioca de Solidariedade com Cuba, no Rio de Janeiro.
Asseverou que o povo cubano está muito envolvido nesta campanha internacional, que tem como precedente as principais batalhas travadas pela liberdade dos Cinco Heróis, que completaram sentenças injustas em cárceres dos EUA e os três últimos foram liberados em dezembro 2014, devido à pressão popular exercida sobre o governo de Barack Obama.
«Estamos empurrando através de assinaturas coletadas no mundo das pessoas que querem a liberdade de Lula, também pedimos o envio de mensagens em cartões postais e cartas ao governo brasileiro e às agências internacionais. Queremos que o próprio Lula as receba, para que não se sinta sozinho nestes tempos de dura luta por sua liberdade. Ele precisa do carinho do povo, falar e conversar com os outros e agora está sozinho em sua cela» comentou a ativista brasileira.
Exemplificou com vários materiais publicados na Internet e um vídeo no canal de Youtube, disponíveis para aqueles que desejam ser informados sobre a verdade da questão e disse que também foram protagonistas na batalha para conseguir nomear Lula como candidato ao Prêmio Nobel da Paz, para o qual mais de 600 mil assinaturas foram coletadas.
«Toda a família de Lula é pobre, não tem recursos nem bens materiais. Lula não roubou ninguém e precisamos liberá-lo dessa prisão injusta», insistiu Diniz dos Santos referindo-se ao retrocesso que vive hoje o povo de seu país, ao que estão arrebatando os ganhos sociais alcançados pela luta de classes.
Ressaltou que o governo atual, liderado por Jair Bolsonaro, é um fiel aliado dos Estados Unidos, que responde aos interesses da Casa Branca e está disposto a colaborar para reprimir os movimentos e partidos políticos que se enfrentem às multinacionais e aos capitalistas.
«Nosso povo sofre porque os direitos dos trabalhadores, alcançados pela luta, foram abolidos. As organizações de resposta e de esquerda e os setores populares são reprimidos. Nosso presidente é um homem que defende a tortura para os opositores e seu objetivo principal é esmagar à força todas as pessoas que se manifestarem contra seu governo, inclusive o assassinato. Não entende do diálogo, porque vem do exército, com uma posição muito conservadora», assinalou a dirigente social brasileira.
Isso representa um claro retrocesso para os países latino-americanos, que ganharam espaço na integração para vencer as batalhas contra o imperialismo hegemônico exercido pelos Estados Unidos. Um exemplo da política equivocada do presidente Jair Bolsonaro foram suas expressões contra a presença dos médicos cubanos em seu país, o que levou Cuba a tomar a decisão de devolvê-los para casa.
Ela descreve como grande tristeza a saída da brigada médica porque deixaram centenas de municípios sem assistência profissional. Em janeiro, houve uma ruptura da barragem de Córrego do Feijão, no município de Brumadinho, Minas Gerais, no Sudeste do Brasil, e houve mais de 60 mortos e cerca de 260 foram dadas como desaparecidas.
«Os médicos cubanos, que moram lá, ofereceram-se para ajudar e o governo recusou. No entanto, uma brigada do exército de Israel foi criada, o que não ajuda o povo brasileiro, mas ameaça a estabilidade e a paz da Venezuela. O Corpo de Bombeiros do Brasil informou que o equipamento transportado pelos israelenses não serve para ajudar a população do lugar da catástrofe», afirmou Diniz dos Santos.
Este e outros exemplos fazem com que desconfie do governo de Jair Bolsonaro, no entanto, seus olhos se iluminam quando lhe perguntam o significado para ela da Revolução Cubana. «Quando a gente visita esta Ilha caribenha parece um sonho, porque meu objetivo principal de luta é alcançar em meu país, esses sucessos que os cubanos desfrutam. Eu acho que é a prova de que se pode resistir e vencer».




