
OS chamados empresários ou empreendedores foram apresentados pela política oficial do governo anterior do presidente Barack Obama como atores das mudanças graduais para a restituição do capitalismo na Ilha, embora na Lei Helms-Burton, armação fundamental do bloqueio e do projeto de um regime pós-socialista, esse setor não teria lugar sob o sol.
Essa doutrina terminou com a chegada do atual inquilino da Casa Branca, Donald Trump, que levou a política anticubana ao outro extremo e, mais de 20 anos após a promulgação da Lei Helms-Burton, decidiu não postergar mais o Título III.
A Lei, além de ferir os interesses de terceiros países, aplicando medidas extraterritoriais de bloqueio, impõe uma brutal regressão da posse da riqueza nacional aos sucessores de seus antigos proprietários, ao ignorar quase 60 anos de profundas mudanças no processo revolucionário.
A HORA DOS MERCEEIROS
No contexto da lei, levando em conta a desproporção das prováveis alegações dos cubanos, juntamente com grandes fortunas na ponta da pirâmide, ao amparo da Lei Helms-Burton exigirão seus direitos donos de mercearias, postos de venda, pequenas cafeterias, apartamentos, etc.
O termo de tráfico de propriedade é aplicado de acordo com a iniciativa legislativa, mesmo a favor dos antigos proprietários de terra, que independentemente de onde estejam localizados, em áreas agrícolas ou urbanas, terão o direito de que lhes sejam entregues ou ser pagos com juros altos todas as instalações, usinas, fábricas e construções de qualquer tipo que nos anos da Revolução foram construídas sobre estas propriedades, com as quais não haverá espaço livre para o grande tsunami da reconstrução capitalista.
Supostamente, na Ilha, serão alvos desta disputa não apenas todas as propriedades industriais, serviços ou imóveis estatais, sobre os quais o governo anticomunista que busca exercer o poder após a suposta derrota da Revolução, não teria autoridade para vender e privatizar esses bens a quem pagar mais, tal como aconteceu na URSS e no bloco socialista, uma vez que essas propriedades já teriam proprietários nos descendentes de seus antigos donos: empresas norte-americanas ou da antiga oligarquia nativa, conforme estabelecido pela Lei Helms-Burton.
Esta é uma mensagem que derrota os sonhos dos possíveis corruptos burocratas de colarinho branco, que desejam desempenhar um papel de liderança em um estágio supostamente pós-socialista, no qual emergirão como mestres das empresas e instalações que administram, em um tipo de versão crioula do colapso do socialismo real.
O caos causado por esse clima de vingança e luta pela violência é evidente, embora talvez o verdadeiro objetivo da Lei seja agir como um álibi premeditado da intervenção «humanitária» norte-americana.
UM VOVOZINHO MAFIOSO
Entre as reivindicações que devem ser preparadas hoje para serem apresentadas aos tribunais estão casos pitorescos, como o de um neto do mafioso Meyer Lansky, que endossado por escrituras amarelas assinadas por altos funcionários da ditadura de Batista, envolvida com o gângster, sonha em recuperar o hotel Habana Riviera e as terras ao redor, e de passagem, ter direito sobre o hotel Cohiba, construído sobre as propriedades nas que um dia seu avô mafioso sonhou levantar um império de cassinos, lupanares e acomodações de alto padrão.
A aplicação real da Lei afetaria o povo, proprietário de suas casas em mais de 95%, cuja imensa maioria adquiriu os títulos após 1959; seriam destruídos todos os sonhos dos cerca de 84 mil empresários que usaram suas casas particulares como capital inicial para alugar ou para o negócio da gastronomia e outras iniciativas, que naquelas condições dificilmente sobreviverão.
A outra grande liquidação de contas seria na agricultura, onde, de acordo com o site oficial da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em Cuba, aproximadamente 30% das terras aráveis são administradas por empresas estatais e cooperativas, chamadas UBPCs e as demais estão nas mãos de camponeses individuais, proprietários da terra, beneficiados pela Lei de Reforma Agrária de 1960, ou pertencem a cooperativas ou a usufrutuários da terra. Impor a reconstituição do latifúndio e da exploração, só seria possível com uma brutal repressão que acabaria com os desejos de emancipação e desenvolvimento pessoal daqueles que um dia, graças à Revolução, se tornaram senhores de seus destinos.
Desta forma, os sonhos dos pequenos empresários e outros não tão pequenos acabariam, que com sucessos e também com possíveis mal-entendidos, têm espaço dentro do projeto socialista cubano.





