ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Photo: Granma

Muito longe, lá no continente europeu, justamente nos Pirinéus, entre Espanha e a Franca, os olhos de andorranos e cubanos ficaram encharcados pela emoção. Sentiram a dor própria da despedida, nunca maior do que aquela que foram aliviar nossos 39 médicos, integrantes da brigada médica do Contingente Henry Reeve, quando há três meses chegam ao Principado de Andorra para combater a famélica pandemia que se assanhava, maiormente, em diversos pontos da geografia europeia.

A bela região que os viu chegar, sem mais armas do que os seus conhecimentos e o sol dos seus corações delatando-se em seus gestos, despediu-se, em 30 de junho, daqueles que, se sobrepondo ao temor do horrendo, cobriram fronts vazios que tremiam de espanto e devolveram sorrisos e vida onde havia soluços e pânico.

Não é, embora saibamos muito bem, a voz dos seus compatriotas a que fala agora desse selo que caracteriza os médicos cubanos, que como luzes generosas apagam escuridões em tantos locais sombrios do planeta, mas sim os que ali os viram se mostrar tal como são, sem mais ardis que suas manhas cubanas, com as quais deixam – sem pretender – recordações definitivas naqueles que chegam a conhecer.

«Nas sociedades europeias temos chegado a um ponto no qual não estamos acostumados às pessoas fáceis de tratar, próximas, agradáveis, joviais, pessoas limpas, ordeiras, singelas, generosas», expressou em uma carta de despedida – reproduzida pela agência Prensa Latina – Xavier Miquel, diretor do Hotel Panorama, onde foram alojados os médicos, o qual também assegurou que «temos encontrado todas essas qualidades em todos e cada um dos membros da brigada Henry Reeve. Nos “nossos cubanos”. Dói-nos a sua partida, pois não pode ser de outra maneira com pessoas como vocês», diz também a carta.

Haverá quem ignore que sempre acontece assim quando chega a hora da partida? Alguns perguntarão a que se deve esse sinal inalterável de todo o exército estabelecido para distribuir pelo mundo sua natureza? Poderia pensar-se que são seres alados, que foram parar lá, anjos capazes de “tirar dores”, talvez bondades ao acaso? Nós, felizmente, sabemos disso. Consta-nos como e por obra de quem foram formados. Conhecemos seus desvelos e seus destinos, de sua disposição para saírem airosos e ganhar a vida, ainda perante obstáculos desalmados e vergonhosos.

Hoje, 1º de julho, pisam na terra cubana aqueles que desde o mês de marco passado e até há poucas horas, atenderam a 8.223 doentes, fizeram 66.484 processos de enfermagem e tiraram da morte 106 vidas. São esperados aqui por seus entes queridos, todo o povo de Cuba e seus restantes companheiros, soldados do bem, que em uma Ilha bloqueada e asfixiada economicamente conseguem vencer a Covid-19, com números cada vez mais admiráveis e esperançadores.

Enquanto chega este grupo vindo da Andorra, outras 36 brigadas estão lidando em cenários complexos contra a pandemia, e já atenderam a 162.185 pacientes e salvaram 5.036 vidas. Enquanto mantêm viva a esperança com a sua presença, o mundo enxerga e fala.

Por todos os lados crescem listas e enunciados, levantam-se vozes certas, que sentem o dever da justiça e sabem o que faz pela paz, a ventura e a vida do mundo, cada dia, o Contingente Henry Reeve, fundado por Fidel há 15 anos. Vozes unidas estão pedindo o prêmio Nobel para eles, sem que outra proposta ressoe mais alta, nem algum outro candidato o tenha mais merecido. Ainda falta para o veredicto do Comitê que atribui o prêmio; entretanto, a justiça dos bons já atribuiu, há muitos meses, o Nobel aos namorados da vida.