
Após 364 dias de exílio, na segunda, 9 de novembro, o ex-presidente boliviano Evo Morales voltou a pisar em suas terras com uma recepção popular em massa. «Hoje é um dia importante na minha vida, retornar à minha terra natal, que tanto amo, me enche de alegria», escreveu Morales em sua conta oficial no Twitter.
O presidente da Argentina, Alberto Fernández, que ofereceu a mão ao líder indígena após o golpe contra ele em 2019, acompanhou-o até a região fronteiriça de La Quiaca, onde ofereceu um jantar de despedida a Evo, e outros executivos e ex-ministros bolivianos exilados, incluindo o ex-vice-presidente Álvaro García Linera, informa a Telesur.
No ato de despedida, Fernández destacou a importância do retorno do ex-presidente à sua nação, «da qual nunca deveria ter saído e onde nunca deveria ter sido maltratado como foi». O presidente argentino acompanhou Morales até o meio da ponte internacional Horacio Guzmán, que une os dois países e faz a ligação com a cidade de Villazón, no sul da Bolívia.
Morales também se reuniu com o lutador social Milagro Sala, que reconheceu o compromisso e a força do líder. «Obrigado pela sua luta, pelo seu esforço, por resistir. Com vocês ressurgimos novamente como um povo original», disse Sala.
Ao chegar em território boliviano, o líder do Movimento pelo Socialismo foi recebido por milhares de seguidores que vestiam trajes típicos e brandiam com orgulho a bandeira wiphala. O evento ocorre após a posse de Luis Arce, como presidente da nação andina. «Eu sabia que voltaria para a Bolívia, mas não achava que fosse tão rápido. É um fato histórico», disse Morales horas antes.
A partir deste dia 9 de novembro começa a chamada Grande Caravana Popular, que percorrerá por terra mais de 1.100 quilômetros e cruzará três departamentos (Potosí, Oruro e Cochabamba), até chegar no dia 10 ao aeroporto de Chimoré, no mesmo dia e local de onde Evo teve que deixar o país com a ajuda dos governos do México, Argentina e Paraguai. «No dia 11 saí de Chimoré para salvar a minha vida e no dia 11 regressarei com vida», afirmou o ex-chefe de Estado nos últimos dias.
Em declarações à imprensa, Evo Morales informou que se instalará na região de Cochabamba. «Vou continuar como dirigente sindical enquanto me permitirem», explicou, acrescentando que pretende dedicar-se à agricultura.





