ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
O vice-presidente da República, Salvador Valdés Mesa, garantiu em Honduras que Cuba continuará expandindo o diálogo com seus emigrantes. Photo: Estudios Revolución

TEGUICIGALPA, Honduras.— Esta quinta-feira, 27 de janeiro, será um dia histórico para Honduras; pela primeira vez uma mulher que demonstrou grande tenacidade, vontade e coragem, e que foi capaz de integrar fatores populares, Xiomara Castro de Zelaya, assumirá a presidência desta nação irmã.

O vice-presidente da República, Salvador Valdés Mesa, fez estas reflexões em uma reunião que realizou com representantes de organizações solidárias com Cuba no país centro-americano.

Valdés Mesa chegou aqui no início da tarde de quarta-feira, 26, para participar da posse da presidenta Xiomara Castro, que será realizada na manhã de 27 de janeiro no Estádio Nacional.

Nas eleições realizadas em 28 de novembro de 2021, a candidata do Partido da Liberdade e Refundação (Libre) e outras forças políticas que a apoiaram, obteve uma vitória retumbante, conquistando cerca de 1,7 milhões de votos, uma grande maioria em uma votação que contou com cerca de 80% dos votos, o maior comparecimento às urnas na história desta república.

Xiomara Castro, destacou Valdés Mesa no encontro com o movimento hondurenho de solidariedade com Cuba, criou grandes expectativas entre o povo daquela nação centro-americana, especialmente entre as massas mais pobres e humildes, e também na região.

«Acreditamos que esta vitória», acrescentou o vice-presidente cubano, abre novas perspectivas para o fortalecimento das relações entre Cuba e Honduras, pois estas são essencialmente relações históricas de solidariedade.

Honduras deu abrigo a Antonio Maceo, Máximo Gómez e outros patriotas cubanos que lutaram por nossa independência, e como nossas relações são desta natureza, elas devem estar sempre baseadas na história e no compromisso.

A poetisa Anarella Vélez Osejo, membro do movimento de solidariedade com Cuba e secretária de Cultura e Artes do Partido Libre, liderada por Xiomara Castro de Zelaya, também falou da permanência e do impacto neste país do escritor bayamês José Joaquín Palma.

Salvador Valdés Mesa chefia uma delegação que inclui também a vice-ministra das Relações Exteriores, Josefina Vidal, entre outros funcionários cubanos, que foram recebidos na chegada pelo embaixador cubano em Tegucigalpa, Francisco Delgado Rodríguez.

Durante a visita, o vice-presidente cubano também realizará reuniões com as autoridades locais e representantes de outros setores.

ENTRE IRMÃS E IRMÃOS

A vice-ministra das Relações Exteriores Vidal Ferreiro disse à imprensa que esta será uma nova oportunidade para ratificar a vontade e o compromisso de continuar expandindo as relações bilaterais, consolidando os laços de amizade entre as duas nações, bem como as relações econômico-comerciais e a cooperação em diferentes áreas.

Em uma mensagem no Twitter, o vice-ministro das Relações Exteriores já havia agradecido, em nome do povo cubano, a solidariedade e o apoio recebidos dos amigos hondurenhos e o acompanhamento permanente deste país na denúncia e condenação do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos contra Cuba.

Um testemunho dos novos tempos e esperanças que se abrem para Honduras com a chegada de Xiomara Castro de Zelaya à presidência foi-nos dado pela jovem Adela Rocío Vaquedano Escoto, membro do Partido Juventude da Libertad y Refundación (Libre) e estudante de Direito da Universidade Ceutec, em San Pedro Sula.

«A vitória de Xiomara é única na história de Honduras, tanto em termos de votos obtidos quanto de comparecimento às urnas; foi uma eleição única, um sinal da mudança que era necessária e exigida».

«Xiomara é uma presidenta legítima, ela tem o apoio total do povo e encarna a refundação de nosso país», disse Adela Rocío Vaquedano, que apoia a equipe de imprensa que acompanha o vice-presidente Salvador Valdés Mesa.

O que a vitória de Xiomara Castro Sarmiento significou para os jovens hondurenhos?

«As eleições não foram apenas maciças, mas uma nova votação foi lançada nas urnas, o voto da juventude e a vitória de Xiomara é, sem dúvida, uma vitória para a juventude hondurenha».

«Foi um evento sem precedentes, tanto para a participação dos jovens militantes que pertencem à Libre quanto para os não militantes. A juventude hondurenha também tomou as rédeas de Honduras».

Qual é o significado desta vitória para as mulheres hondurenhas?

«É a primeira vez, nos 200 anos de independência, que elas assumirão o poder. As mulheres, não apenas as jovens, são felizes, sentimo-nos representadas, pela primeira vez, de uma forma total e verdadeira».

«Para as mulheres jovens este é um precedente muito grande, não só porque Xiomara nos mostrou que podemos até aspirar a ser presidente, mas também porque Honduras sempre foi um país muito conservador, onde a participação das mulheres na política não tem sido fácil».

«Sensibilidade, nobreza e empatia eram muito necessárias na política hondurenha, e Xiomara representa isso, porque ela mostrou, não apenas com palavras, mas com ações, do que ela é feita. Xiomara é uma mulher que luta nas ruas, e as pessoas sabem disso, e é por isso que a apoiam».

COMO PODEMOS FAZER MAIS POR CUBA?

Como podemos fazer mais por Cuba? foi a pergunta que Dirian Beatriz Pereira Calix fez a Salvador Valdés Mesa, em um intercâmbio no qual falaram de solidariedade, e também de novos projetos possíveis, e da promoção de outros que já existiam entre os povos e os governos de ambos os países.

O vice-presidente agradeceu aos grupos de solidariedade por seu acompanhamento, especialmente agora, «quando participam da defesa dos ataques agressivos do inimigo, especialmente do imperialismo ianque, em seu desejo de destruir a Revolução», disse.

Destacou a capacidade do movimento hondurenho de mobilizar diferentes setores sociais para continuar denunciando o bloqueio econômico, comercial e financeiro dos EUA contra o povo cubano, e para defender a Revolução diante da manipulação e da mentira sobre as redes sociais.

Destacou as contribuições que fizeram para a luta contra a pandemia na Ilha, que incluíram campanhas como Seringas para Cuba, entre outras iniciativas, bem como a incorporação de Pontes de Amor, que se mobiliza em favor da Ilha em todo o mundo.

Valdés Mesa disse que o governo e o povo de Honduras podem continuar contando, como até agora, com o apoio e a solidariedade do governo e do povo cubanos.

Foi lembrado que brigadas médicas cubanas permaneceram em Honduras por mais de 20 anos, começando em 1998, após os efeitos do furacão Mitch, e após os furacões Eta e Iota, dois contingentes da Brigada Henry Reeve foram enviados, que realizaram trabalhos que foram reconhecidos pelo povo e receberam a Ordem Cruz do Comendador.

O vice-presidente da República reiterou assim a vontade e o compromisso de Cuba de avançar e expandir as relações bilaterais em benefício de ambos os povos fraternais.

Isto foi em resposta a vários pedidos feitos pelos representantes dos grupos de solidariedade, como o de Dirian Beatriz, que pediu a extensão das bolsas de estudo para os jovens deste país para poderem estudar na Ilha maior das Antilhas. Também falou da necessidade de a Ilha contribuir, mais uma vez, para ajudar dezenas de milhares e milhares de hondurenhos a superar o analfabetismo, usando métodos pedagógicos cubanos.

Jimmy Sorto elogiou o impacto das brigadas médicas cubanas nas comunidades mais pobres de Honduras, uma iniciativa humanista que deveria ser retomada.

Leonel Casco Gutiérrez, secretário de organização de uma das filiais da Associação de Amizade Honduras-Cuba, expressou o compromisso dos hondurenhos de aumentar a solidariedade, o que inclui o fortalecimento do intercâmbio cultural, bem como a aproximação entre os povos e entre governos.

Casco Gutiérrez observou, a propósito, o desejo do movimento de solidariedade e do povo hondurenho de que o trovador Silvio Rodríguez viesse ao país para oferecer sua música.

AMPLIANDO O DIÁLOGO COM SEUS EMIGRANTES

No último momento, Valdés Mesa estava realizando intercâmbios com cubanos que moram em Honduras. Abordou questões que fortalecem o relacionamento de Cuba com seus emigrantes, e relatou a participação dos cubanos que vivem aqui no processo de consulta popular sobre o Código de Família.

Garantiu que Cuba continuará expandindo o diálogo com sua emigração e afirmou que a reunião pendente entre a Nação e a emigração ocorrerá quando a pandemia o permitir.

Em 27 de janeiro, o vice-presidente da República de Cuba participará da posse da presidenta Xiomara Castro de Zelaya, que ocorrerá no Estádio Nacional de Tegucigalpa.

Photo: Estudios Revolución
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