
BRIDGETOWN.— Como podemos imaginar o que Tin Cremata estava sentindo quando o presidente Díaz-Canel colocou sua mão no ombro dele e sua voz era ofegante. Impossível de se saber.
Logo atrás dele está o Monumento às Vítimas do Crime de Barbados, e o chefe de Estado se lembra que Tim era uma criança 46 anos atrás, quando aquele ato de terrorismo o privou de «seu mais amado companheiro de brincadeira, seu melhor professor, seu guia, seu pai».
Na frente deles estão cerca de vinte pessoas. Mais do que chefes de Estado e de Governo da Comunidade Caribenha ou membros da delegação cubana que acompanha o presidente da República, neste momento são apenas mulheres e homens unidos por sentimentos de amizade e de tristeza. São mulheres e homens que se reuniram ali para prestar homenagem, em nome de muitos, às 73 pessoas cujas vidas foram tiradas naquele momento, e para condenar a barbárie do terrorismo.
A poucos metros de distância está o mar, cuja imensidão nos lembra constantemente o crime horrendo. A volta das ondas é às vezes ouvida entre as palavras de amigos caribenhos que queriam testemunhar os pontos fortes «desta família formada por Caricom e Cuba».

Vinte e quatro anos atrás, o Comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz também esteve aqui para inaugurar o «monumento simples, mas comovente» que evoca aquele evento monstruoso, como o descreveu em suas palavras na época. Desde aquele dia, em cada 6 de outubro, representantes do povo e do governo de Barbados têm se reunido neste lugar simbólico para comemorar esta tragédia e refletir sobre a crueldade do terrorismo.
A partir de hoje, em cada 6 de outubro, o Dia Antiterrorista Caricom-Cuba será comemorado em memória daqueles que morreram naquela data. Isto foi acordado na terça-feira, 6 de dezemro, pelos Cchefes de Estado e de Governo participantes da 8ª Cúpula Caricom-Cuba, porque, tal como disse a primeira-ministra de Barbados, Mia Amor Mottley, «a memória dessas vítimas deve sempre nos inspirar a preservar nosso Caribe como uma Zona de Paz».
Não há receitas mágicas para o luto, nem para a vida. Ouvir os amigos falar de amor, compromisso, solidariedade, apoio... é ir além das palavras. No meio do turbilhão da cidade que continua seu ritmo em torno da homenagem, as palavras dos amigos mostram que não há pequenas histórias, nenhuma delas é pequena quando os traços de dor nunca podem ser apagados da memória das famílias cubanas.
Na terça-feira, o Caribe homenageou a vida e condenou a injustiça. «Este local, este memorial», disse o presidente cubano em Payne Bay, «confirma que Cuba só pode estar na lista ꟷ caso ela existir ꟷ das vítimas do terrorismo».
«Se estamos aqui hoje, com o jovem que foi aquele rapaz, prestando homenagem a seu pai e às outras vítimas de um crime tão hediondo, é porque os bons acabam vencendo em longo prazo. Cuba salvou o amor das garras do ódio».
As palavras do presidente Díaz-Canel doem, escutando-o com sua voz rachando às vezes com emoção, imaginando o desespero dessas pessoas e depois de suas famílias, recitando em meio a tanta imensidão os versos de Minha bandeira, um poema escrito por Bonifacio Byrne... são atos que falam de amor, nunca de ódio.
A homenagem foi solene e comovente. A primeira-ministra de Barbados pediu um minuto de silêncio em memória daqueles que há mais de quatro décadas perderam injustamente suas vidas. Daqui Cuba também honra e faz silêncio; daqui Cuba também chora.
Diante da imensidão do mar de Barbados, é impossível não tremer quando a primeira das oferendas florais colocadas ao lado do Monumento chegou das mãos do presidente cubano e do amado Tin Cremata. É, em muitos aspectos, a homenagem de Cuba à vida.







