
Buenos Aires, Argentina.— Era meio-dia quando o primeiro-secretário do Comitê Central do Partido Comunista e presidente da República de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, se reuniu na segunda-feira, 23 de janeiro, com artistas, intelectuais e acadêmicos dessa nação sul-americana.
«É comovente ver todos vocês aqui juntos», disse aos seus interlocutores, aos quais estendeu «o abraço fraterno, o carinho, a admiração que sentimos por vocês».E comentou sua intenção de «ver vocês e conversar por um tempo».
De pé, o chefe de Estado afirmou: «Respeitamos vocês, não só porque são amigos de Cuba, mas também porque vocês têm sido a vanguarda intelectual da Argentina. E então lembrou que em 2019, nesta mesma cidade, houve um intercâmbio emocional entre ele e um grupo de intelectuais de prestígio dessa nação sul-americana.
Naquele dia transbordante de inteligência, coração e senso de luta, entre outros pensadores, Tristán Bauer, Hebe de Bonafini, Atilio Borón, Adolfo Pérez Esquivel, Stella Calloni... estavam presentes mais de trinta pensadores do mais alto calibre. Em 2019, o Presidente Díaz-Canel os chamou de «nossos mestres», porque, em sua opinião, muitos deles foram professores, na medida em que ajudaram a interpretar o mundo com suas complexidades e desafios.

Foi ali que o dignitário, entre outras reflexões, lembrou aos amigos pensadores que «pela educação, treinamento revolucionário e convicções, não concebemos a existência de seres humanos sem uma ligação estreita com a ciência, a pesquisa política e social, a arte e a cultura em suas mais diversas expressões».
Enfatizou em 2019 que «as relações culturais entre Cuba e Argentina têm sua origem na visão profunda que se abriu em ambas as sociedades sobre o papel libertador da cultura, do pensamento e das ideias».
O presidente disse então: «Aqui acredito que hoje todos nós plantamos uma semente e que juntos vamos fazê-la germinar».
Do presente, o presidente cubano confessou aos mais de 70 pensadores: «Tenho boas lembranças dessa reunião». E não esqueceu o fato de que o tempo passou, que o mundo mudou. Ao oferecer detalhes sobre a realidade cubana, disse que a Ilha foi vítima do terrorismo norte-americano, «mas nós nunca patrocinamos o terrorismo».
Díaz-Canel lembrou que o que o país caribenho tem feito é enviar médicos para outras latitudes.
As vacinas fabricadas em seu próprio solo, o confronto com a Covid-19, a falta de oxigênio, que a certa altura foi crítica — uma realidade acentuada pelo bloqueio imperial que tentou por todos os meios impedir Cuba de resolver este problema — a filosofia da resistência criativa — aquela que consiste em avançar e avançar apesar de toda adversidade. O chefe de Estado falou com os intelectuais sobre estas questões e lhes disse que, através de seu apoio a Cuba, eles também fazem parte desta resistência criativa.
«Era essencial para nós nos encontrarmos novamente», disse o presidente, que descreveu a reunião atual como uma continuação da anterior. Ao argumentar porque o mundo mudou visivelmente, ele se referiu ao que vem acontecendo na América Latina, a como as forças da esquerda têm tomado posições, enquanto o inimigo não descansa e usa outras táticas, promove golpes suaves, hipocritamente e com muita calúnia no meio.
«Em tempos como estes», acrescentou o dignitário, «temos que nos perguntar: existe realmente um equilíbrio no mundo? Passou a descrever um planeta que usa a linguagem da guerra, que sofre de um abismo cada vez maior entre ricos e pobres, entre o Norte e o Sul. «Não há», denunciou, «aquele equilíbrio do qual José Martí falou, do qual nossos heróis falaram».
Sobre os desafios atuais na região, o presidente cubano salientou que «temos toda a base de pensamento na América Latina para conectar os processos». Afirmou que existe um compêndio de valores, de conceitos, de teoria revolucionária: «o que precisamosé ver como podemos transformar estas coisas em ações para reverter a ordem injusta que o mundo está sofrendo, especialmente nos países do Sul», enfatizou.
VOZES AMIGAS, VOZES DE RESISTÊNCIA
A prestigiosa intelectual Stella Calloni disse ao presidente e àqueles que o acompanharam na reunião: «Vocês se tornaram o foco da resistência. Por causa desta realidade, os revolucionários estão muito conscientes de tudo o que está acontecendo na América Latina», disse.
Calloni denunciou que o imperialismo norte-americano está travando uma guerra contra Cuba, porque o país caribenho é «o primeiro muro que eles querem eliminar».
«A destruição cultural de nossos povos», afirmou, «tem sido terrível, mas nossas culturas continuam existindo». A rigorosa pensadora advertiu que os monopólios da desinformação estão nos confundindo e que somos vítimas de uma guerra não declarada, mas clara e esmagadora.
«Os países onde as antigas culturas foram mantidas têm mais resistência», disse a escritora, para quem é óbvio que «a principal arma de guerra é a desinformação».
«Este é um dos momentos mais sérios da América Latina», alertou Stella Calloni, «porque os inimigos dos processos libertadores precisam nos controlar». E relativamente à Ilha maior das Antilhas, afirmou: «Temos que defender Cuba até a morte». E disse isto porque «Cuba é o maior exemplo de resistência na América Latina, não houve outro».
Outras vozes se uniram para fazer perguntas ao residente cubano; abordaram questões tão importantes como como articular o pensamento rigoroso, como usar a ciência, a tecnologia e a inovação para resolver os problemas atuais do hemisfério.
O que é a verdadeira democracia e como ela deve funcionar motivou mais de uma reflexão no dia do intercâmbio. A este respeito, Díaz-Canel Bermúdez lembrou que fomos levados a acreditar que a democracia representativa é a verdadeira democracia, e que muitas construções foram construídas em torno deste mito.
O chefe de Estado trouxe à tona uma verdade bem conhecida, à qual o Comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz retornou tantas vezes em suas Reflexões: não se pode falar de democracia se os recursos disponíveis não forem distribuídos de forma justa; para falar de democracia, deve haver o direito à educação, à saúde e a outras oportunidades que compõem uma vida digna.
Sobre o conceito de democracia, o presidente denunciou que há uma construção hipócrita cujo objetivo é a defesa dos interesses hegemônicos: «Este é o paradigma que eles vendem ao mundo», ressaltou. E depois falou da importância de nossos povos se aprofundarem e tomarem uma posição crítica diante do que é falso, e saberem «construir os verdadeiros paradigmas de que precisamos».
Tristán Bauer, cineasta e político argentino, e ministro da Cultura argentino, falou para agradecer aos cubanos por terem defendido a Revolução. Definiu o encontro entre Fidel e Che Guevara no México como algo mítico, um encontro no qual existem raízes do triunfo rebelde de 1959.

«Quão importante», disse o intelectual, «que os cubanos tenham sido capazes de sustentar a Revolução, apesar de tanta agressão». E olhando para a América Latina, tendo em vista os tempos atuais, Bauer lembrou que «estes sempre foram tempos difíceis». Falou de unidade, fraternidade e solidariedade como premissas essenciais com base nas quais os problemas da região devem ser resolvidos.
No final da reunião, e com emoção, o presidente Díaz-Canel falou da importância de estarmos muito unidos e compartilhou com nossos irmãos de luta esta certeza: «Tenham sempre a certeza de que Cuba nunca falhará a vocês».





