
Discurso proferido por Miguel Mario Díaz-Canel Bermúdez, primeiro-secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba e presidente da República, no ato de solidariedade com Cuba, em A Voz do Operario, Portugal, em 15 de julho de 2023, «Ano 65o da Revolução»
(Versões estenográficas - Presidência da República)
Saudações, Portugal (Aplausos).
Um grande abraço para os trabalhadores e para os irmãos portugueses solidários com Cuba! (Aplausos.)
Um abraço para todos aqueles que estão aqui nesta sala expressando o seu apoio à Revolução Cubana, ao povo cubano; para aqueles que estão em outras salas assistindo a este evento nos telões e também para aqueles que não puderam vir! (Aplausos.)
Um abraço e um reconhecimento aos organizadores, aos produtores, aos roteiristas e aos artistas, que nos presentearam apaixonadamente com sua arte revolucionária (Aplausos), que nos presentearam com canções e danças de solidariedade! (Aplausos.)
Além disso, os cubanos que estão aqui com vocês hoje estão muito animados! (Aplausos e exclamações de «Cuba vencerá!»)
Vamos fazer um teste, alguém me disse que, se eu falasse devagar em espanhol, vocês me entenderiam e não seria necessário um tradutor, não é mesmo? (Responderam que sim.) Assim está melhor (Aplausos).
Estamos sentindo emoções muito intensas nesta reunião com vocês. Primeiro, a forma como vocês se mobilizaram, os esforços que tiveram que fazer para chegar até aqui; muitos de vocês vieram de outras regiões do país, de muito longe, dedicaram parte do tempo de suas famílias hoje, sábado à tarde e à noite, para estar conosco, seremos gratos a vocês pelo resto de nossas vidas e nunca esqueceremos este encontro com vocês (Aplausos).
Esse encontro entre irmãos, entre amigos, entre pessoas cujo ideal é a construção de um mundo melhor, que «é possível», tal como nos disse Fidel, tem precedentes. Nos últimos dias — e também quero agradecer-lhes por isso — quando estivemos em um conjunto de atividades públicas aqui em Lisboa, sempre tivemos o apoio de um grupo de jovens comunistas, que estão aqui (Aplausos prolongados e exclamações de «Cuba vencerá!»), e de outros membros de organizações solidárias que nos acompanharam com as mesmas palavras de ordem que vocês estão aplaudindo aqui nesta sala (Aplausos).
Aqui estamos com vocês, compartilhando nossos sentimentos. Vocês não sabem quantas ideias passam pela nossa cabeça quando vemos como, em diferentes latitudes, aqueles de nós que querem um mundo melhor podem compartilhar ideias, podem compartilhar compromissos, podem compartilhar sonhos e, acima de tudo, podem compartilhar a convicção de que seremos capazes e que venceremos! (Aplausos prolongados.)
Apreciamos muito a arte dos trovadores e do grupo português que esteve aqui cantando para todos nós; apreciamo-lo muito, e para nós é um gesto tremendo, que um coro de mineiros portugueses tenha cantado canções tradicionais portuguesas para nós e, é claro, estamos muito satisfeitos que um grupo de cubanos que moram em Portugal, duas eminentes professoras cubanas de balé e dança que têm trabalhado muito com crianças aqui, tenham feito essa magnífica apresentação de uma magnífica performance de canções tradicionais portuguesas, fizeram essa magnífica apresentação de uma canção antológica de Silvio Rodríguez, La masa (Aplausos), e também uma bela canção infantil, mas para todas as idades, de uma emblemática compositora cubana da minha cidade, Teresita Fernández, que é La Ronda (Aplausos). Estávamos conversando com uma dessas professoras, em 14 de julho, à noite, e ela me disse: «Vamos ver se vocês gostam do que vamos fazer».
Ver crianças vestidas como pioneiros cubanos também é comovente quando estamos longe de nossa terra natal há dias (Aplausos).
E outra das professoras cubanas que trabalhou nesse repertório é uma velha amiga minha de infância, da minha cidade, filha de uma família de artistas, professores e educadores que têm grande prestígio na cidade de Santa Clara, a cidade onde estão os restos mortais de Che Guevara! (Aplausos).
Queridos amigos:
Estar com vocês hoje é para nós uma evocação do encontro histórico com o Comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz (Aplausos) no Ato de Solidariedade no Porto, em 18 de outubro de 1998 (Aplausos).
Assim como foi para Fidel naquela época, é um enorme compromisso para nós expressar-lhes hoje nossa admiração, reconhecimento e carinho pelo apoio que recebemos de vocês.
Naquela época, quando Fidel participou desse evento, eram os anos do impacto da queda do bloco socialista, anos de incerteza para muitos, de invasão cultural, de globalização neoliberal e não exatamente de globalização solidária, de denúncias de danos ambientais e, para Cuba, para nós, de resistência heroica (Aplausos).
Antes de vir a Portugal para minha visita, estudei novamente o discurso de Fidel naquele evento. Tudo o que ele disse naquela ocasião, talvez com algumas nuances, é plenamente válido hoje na situação que estamos vivendo no mundo, em Portugal e em Cuba.
Como todos vocês sabem, estamos fazendo uma visita de Estado à República Portuguesa, a convite do presidente Marcelo Rebelo de Sousa, com quem passamos, em 14 de julho, um dia de trabalho intenso e produtivo, durante o qual ressaltamos os laços históricos que unem nossos países e nossos povos. No cerne desse vínculo está a empatia entre nossos povos e a solidariedade como sua expressão fundamental.
A ternura dos povos, como um poeta a chamou, e não há definição mais precisa quando se experimenta o que vocês estão nos dando hoje (Aplausos).
Para Cuba, a solidariedade foi e é um pilar de nossa política externa. Nós a oferecemos há décadas em todo o mundo e apreciamos muito o fato de que também a recebemos dos cinco continentes. A própria existência de nossa nação em Revolução, desde suas origens, não poderia ser explicada sem a solidariedade internacional (Aplausos). E isso foi certificado pelo Comandante-em-chefe Fidel Castro em seu conceito histórico de Revolução, no ano 2000.
Permitam-me, portanto, que reconheça especialmente em vocês, e em todos aqueles que não puderam juntar-se a nós hoje, as inúmeras provas de carinho e apoio que emanam do ativismo solidário da Associação de Amizade Portugal-Cuba, dos amigos da solidariedade de Portugal com Cuba ao longo de todos estes anos (Aplausos).
Incluo neste reconhecimento um profundo agradecimento pela sua incorporação à campanha europeia UnblockCuba, que permitiu multiplicar exponencialmente as mensagens de apoio à Revolução a partir deste continente.
A solidariedade portuguesa com o povo cubano foi ainda mais fortalecida durante os difíceis anos de enfrentamento da pandemia, com inúmeras iniciativas que beneficiaram centenas de famílias cubanas em diferentes províncias do nosso país (Aplausos).
Queridos camaradas, estimados amigos e irmãos e irmãs:
A prova de tudo o que eu disse acima pode ser encontrada quando se estuda, à luz desses dias sempre desafiadores, algo que Fidel disse há 62 anos e que eu compartilho com vocês. O Comandante-em-chefe disse: «O mundo tem sido solidário com Cuba e é por isso que Cuba se sente cada dia mais solidária com todos os povos do mundo (...)» (Aplausos.) «Cuba é solidária com todos os povos do mundo (...)». (Aplausos.) «Cuba deve a essa solidariedade, em grande parte, o fato de ter sido capaz de resistir aos ataques do imperialismo e Cuba sabe que, com essa solidariedade, continuará lutando e continuará resistindo». Foi isso que Fidel disse e, tal como vocês dissem, continuará vencendo! (Aplausos e exclamações de: «Cuba vencerá! Cuba vencerá! Cuba vencerá! Cuba vencerá! Cuba vencerá!»)
Quem se atreveria a negar essas palavras que parecem ter sido ditas para hoje?
Conhecemos e apreciamos profundamente seus pronunciamentos contra o bloqueio dos Estados Unidos e contra a inaceitável inclusão (vaias) de nosso país na espúria e arbitrária lista de Estados patrocinadores do terrorismo, elaborada unilateralmente por esse país que se julga dono do mundo e que patrocinou, durante décadas, ações terroristas contra Cuba. Se alguém deveria estar nessa lista, esse alguém é o Governo dos Estados Unidos (Aplausos e exclamações de «Cuba sim, bloqueio não! Cuba sim, bloqueio não! Cuba sim, bloqueio não!»).
O bloqueio, conforme demonstrado pela situação diária do povo cubano, é o principal obstáculo para o desenvolvimento econômico e social do nosso país. Tem um impacto cruel na vida cotidiana de cada família cubana. É uma violação enorme, maciça e sistemática dos direitos humanos de todo um povo, a fim de forçá-lo a abandonar o caminho da justiça social que decidiu seguir no processo de construção socialista (Aplausos).
Quanto mais vocês poderiam fazer por Cuba e quanto mais Cuba poderia fazer pelo mundo sem o obstáculo do bloqueio, sem as 243 medidas adicionais aprovadas pelo presidente Trump e mantidas pelo presidente Biden para agravá-lo e intensificá-lo? (Vaias.)
No caso da lista fraudulenta de supostos Estados patrocinadores do terrorismo, a reinclusão do presidente Trump nela, poucas horas depois de deixar a Casa Branca, teve o propósito doentio de adicionar novos e mais difíceis obstáculos de efeito imediato para reverter o progresso feito nas relações entre os dois países, quando algumas restrições foram relaxadas durante o governo anterior de Obama.
Estar nessa lista custou a Cuba a suspensão das operações com nosso país por parte de numerosos bancos e agências financeiras de todo o mundo, o que causou, entre outras consequências, a paralisação das transferências destinadas à compra de alimentos, medicamentos, matérias-primas para nossos processos produtivos e outros bens para a população.
Vocês sabem muito bem que Cuba não patrocina o terrorismo. O mundo sabe disso.Cuba tem sido vítima de ações terroristas perpetradas, apoiadas ou assistidas com olhos cúmplices pelo Governo dos Estados Unidos (vaias).Foi o governo dos Estados Unidos, e não o governo cubano, que permitiu que terroristas notórios, diretamente responsáveis pela morte de centenas de nossos compatriotas, levassem uma vida pacífica em seu território sem serem levados à justiça por seus crimes. Lisboa, na década de 1970, foi palco de um desses crimes: o assassinato dos diplomatas cubanos Adriana Corcho e Efrén Monteagudo, vítimas de uma carta-bomba na embaixada de Cuba em Lisboa, em 1976, ano que detém o terrível recorde de atos terroristas contra nosso povo.
Cuba patrocina a paz, o entendimento entre as nações e o respeito aos princípios do direito internacional. Junto com seus irmãos das Américas, promoveu e defende a Proclamação da América Latina e do Caribe como Zona de Paz. Cuba pratica a solidariedade, e é a expansão dessa nobre prática que o Governo dos Estados Unidos teme (Aplausos); porque Cuba sobreviveu às políticas hostis aplicadas contra ela, graças ao seu povo e graças ao apoio internacional que os povos de todo o mundo nos dão ao nos abraçar (Aplausos).
Vocês celebraram como seus os nossos triunfos e nos acompanharam nos momentos mais difíceis, conscientes de que a verdadeira solidariedade consiste em compartilhar o que se tem e não em dar o que sobra. Vocês nos deram e têm a ternura do nosso povo! (Aplausos.)
Estimados amigos:
Como se não bastasse a agressão econômica, comercial e financeira que Cuba enfrenta, em plena era digital, nossos inimigos se valeram de uma guerra midiática, por meio de todas as plataformas disponíveis, para instigar intensa e descaradamente a mudança de regime em Cuba. Para isso, figuras anticubanas nos Estados Unidos e seus acólitos na Europa projetaram e executaram campanhas para desacreditar Cuba, com a maior perversidade possível, distorcendo a realidade nacional, criando cenários hostis e mentindo e caluniando descaradamente.
Seguindo cegamente a orientação dessa narrativa, há aqueles que procuram fazer descarrilar o Acordo de Diálogo Político e Cooperação entre a União Europeia e Cuba, em um momento em que ambas as partes validaram sua utilidade para nos aproximar, apesar de nossas diferenças.
Dissemos àqueles que se opõem a nós que nós, cubanos, trabalhamos arduamente para construir uma sociedade que pode ser melhorada, que aprendemos com nossos próprios erros; mas Cuba tem o direito de viver em paz e de se desenvolver sem interferência estrangeira que busque mudar o destino que a maioria de seu povo escolheu soberanamente (Aplausos).
E ali, ao nosso lado, estão vocês, que dedicam incontáveis horas de sacrifício pessoal à causa da Revolução Cubana, o que nos comove e desperta admiração e profundos sentimentos de gratidão de nosso povo para com todos vocês.
Diante de vocês ratificamos que, apesar das dificuldades e agressões, Cuba não se renderá nem se dobrará! (Aplausos e exclamações de: «Cuba vencerá! Cuba vencerá! Cuba vencerá! Cuba vencerá!») Avançamos firmemente na atualização do nosso modelo econômico e social, e não renunciamos, mas ratificamos nossa convicção de construção socialista! (Aplausos e exclamações).
Com a participação ativa e consciente de nossos trabalhadores e com a solidariedade de nossos amigos de todos os continentes, lutaremos para conquistar toda a justiça para Cuba e para o mundo, que tem fome de justiça social (Aplausos e exclamações).
Finalmente, permitam-me confirmar que estaremos presentes em Bruxelas na Cúpula Celac-União Europeia, como demonstração da vontade de Cuba de continuar construindo pontes nas relações entre ambas as regiões, com base na igualdade, no respeito mútuo e com a aspiração de manter uma maior cooperação que beneficie os povos da América Latina e do Caribe (Aplausos).
Agradeço-lhes sinceramente com antecedência, porque sei que alguns de vocês também estarão em Bruxelas na vibrante Cúpula dos Povos, a favor do desenvolvimento, contra os efeitos das mudanças climáticas, pela igualdade e pela solidariedade (Aplausos).
Compartilho com vocês o que Fidel Castro sentiu naquele dia, no Porto, quando disse: «Vocês não podem imaginar o quanto somos encorajados por sua solidariedade, pelo que fizeram hoje, pela manifestação de hoje, pelo ato de hoje, por sua energia, por sua força, por sua vitalidade...» (Aplausos). E mais tarde Fidel disse, e também estamos sentindo isso aqui hoje: «Vocês nos dão um incentivo inestimável, multiplicam nossa confiança, realmente nos enchem de esperança. Não tenho palavras para lhes dizer o quanto somos gratos» (Aplausos).
Irmãs e irmãos:
Da nossa história comum e compartilhada e do presente, vocês todos recebam nesta tarde um abraço fraterno, com o amor sincero que nós, cubanos, sabemos dar aos verdadeiros amigos (Aplausos e exclamações).
Viva a amizade entre Cuba e Portugal (Exclamações de «Viva!»).
Cuba vencerá! (Exclamações de: «Cuba vencerá!»)
Até a Vitória Sempre! (Exclamações de: «Sempre!»)
(Aplausos e exclamações de: «Cuba vencerá! Cuba vencerá!»)
Muito obrigado.
(Aplausos.)





