ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Photo: Cubadebate

No âmbito de sua participação na 15ª Cúpula do Brics, o primeiro-secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba e presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, «manteve reuniões e cumprimentou vários líderes presentes neste importante evento», segundo a conta da Presidência no Twitter.

Durante um intervalo nas sessões, o líder cubano conversou com o presidente das Ilhas Comores e da União Africana, Azali Assoumani, «sobre as relações entre os dois países, que também estão unidos por laços com a África».

O chefe de Estado caribenho reiterou o convite para a Cúpula do G-77, que será realizada no próximo mês em Havana.

Também conversou com a ex-presidente brasileira e presidente do Banco do Brics, Dilma Rousseff, sobre «a possibilidade de realizar projetos conjuntos».

Díaz-Canel também se reuniu com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, a quem agradeceu pelos empréstimos concedidos pela Índia — um dos países que compõem a organização — para desenvolver energias renováveis e o cultivo de arroz.

SUL GLOBAL: UM CAMINHO MULTILATERAL E INCLUSIVO

Após três dias de trabalho, os países do Brics concluíram nesta cidade, a moderna Johanesburgo, uma cúpula, a 15ª, que pode catalisar o tão almejado, mas elusivo, caminho para alcançar, mais cedo do que tarde, o mundo multilateral e inclusivo de que a humanidade e o planeta tanto precisam, porque a dimensão ambiental é intrínseca a qualquer futuro, a começar pelo mais próximo, uma questão essencial que também é um princípio sine qua non para esse grupo.

Na manhã de quinta-feira, 24 de agosto, na sala reservada para entrevistas coletivas, no Sandton Convention Centre, local da reunião, os líderes dos países do Brics — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — apresentaram a Declaração Final e resumiram os resultados da reunião.

O mais abrangente dos acordos, embora esperado, foi o anúncio da ampliação do grupo, que a partir de 1º de janeiro de 2024 incluirá também a Arábia Saudita, a Argentina, o Egito, os Emirados Árabes Unidos, a Etiópia e o Irã.

Atualmente, os Brics respondem por 30% do Produto Interno Bruto (PIB) global e 42% da população mundial. A partir do próximo ano, esse PIB excederá 36% e sua população se aproximará de 44%.

O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, saudou a ampliação; seu colega chinês, Xi Jinping, disse que era uma decisão histórica: «é outro sinal de uma decisão dos Brics de se unir e cooperar, mas agora em um círculo mais amplo de países em desenvolvimento. Essa determinação responde às expectativas da comunidade internacional e aos interesses comuns dos mercados emergentes», acrescentou.

Para o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, o fato de tantos países (mais de vinte), incluindo os que se juntarão agora, estarem expressando seu interesse em se juntar aos Brics, demonstra a relevância desse concerto de nações.

«Nossa diversidade», definiu Lula, «reforça a luta por uma nova ordem que acomode a pluralidade econômica, geográfica e política no século XXI».

Além do consenso entre os cinco Brics originais para ampliar o grupo, seus líderes avançaram nos critérios para o estabelecimento de uma moeda comum e outros vínculos nas áreas de economia, comércio internacional — em que favorecem o uso de moedas nacionais — política, meio ambiente etc.

Do ponto de vista simbólico, o grande interesse gerado pela 15ª Cúpula do Brics, para a qual foram convidados mais de 60 chefes de Estado e de governo do chamado Sul Global, também não passou despercebido pelo mundo.

Na Declaração Final de mais de 26 páginas, o grupo Brics destacou, entre muitos outros postulados e posições, sua defesa do multilateralismo e expressaram sua preocupação com o uso de medidas coercitivas unilaterais, que — insistiram — são incompatíveis com os princípios da Carta das Nações Unidas e produzem efeitos negativos, especialmente no mundo em desenvolvimento.