ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Marrero Cruz concluiu a sua visita à Bielorrússia no museu da Grande Guerra Patriótica. Photo: Estudios Revolución

Minsk, Bielorrússia.– Implementar, no mais curto espaço de tempo possível, todos os acordos emanados da visita oficial do membro do Bureau Político e primeiro-ministro, Manuel Marrero Cruz, à República da Bielorrússia, tem sido uma prioridade partilhada nestes dias entre o chefe do Governo cubano e as mais altas autoridades da nação europeia.
 No sábado, 11, na cidade de Minsk, o percurso encerrou com resultados significativos em matéria agroindustrial e biotecnológica, e traçou o roteiro para novas negociações, confirmou a vontade de ambos os países de avançar com determinação em projetos conjuntos e de ar um maior dinamismo à economia e relações comerciais, até elevá-las ao mesmo nível das políticas.
 Na fábrica de lacticínios nº 1, da sociedade gestora Primer Lácteo, a delegação cubana iniciou o seu percurso, com o objetivo de conhecer in loco as possibilidades de negócio com uma entidade, orientada para a utilização de novos métodos de processamento de matérias-primas, recursos – economizando tecnologias e automação do controle de processos tecnológicos.
 Segundo o ministro cubano da Indústria Alimentar, Manuel Sobrino Martínez, que integra a delegação cubana à Bielorrússia, o ministério trabalha, desde o início de 2023, com um grupo de empresas bielorrussas no fornecimento de matérias-primas para a produção de lacticínios e carne.

A fábrica de tratores MTZ foi outra das entidades visitadas, de acordo com o interesse de ambas as partes em realizar um projeto de montagem de equipamentos em Cuba, sua reparação de capital e fabricação de peças de reposição em solo caribenho. Photo: Estudios Revolución

 «Já foi assinado este ano um contrato para entrega de matéria-prima em consignação, e hoje já está em Cuba um nível de leite em pó, que está sendo utilizado para a produção de diversos sortidos, estando também previsto o recebimento de carne».
 Da mesma forma, explicou, «foi identificada a possibilidade de estabelecer um negócio conjunto com empresas bielorrussas para que estas, com base nas capacidades industriais disponíveis em Cuba, possam fornecer matérias-primas, o que permitirá ampliar a gama de produtos no mercado nacional e outros destinos».
 Acrescentou que também estão trabalhando com a Academia das Ciências da Bielorrússia em três áreas, principalmente: a conservação de produtos alimentares, a utilização de diluentes e a utilização de aromas e aditivos.
 Seguindo a mesma linha de negócios, o primeiro-ministro e a delegação que o acompanha chegaram ao Agrocombinado Dzerzhinsky, cuja actividade principal é a transformação e comercialização de carne de aves.
 Após o passeio, em breves declarações à imprensa, o chefe do Governo reiterou que, em termos de trocas comerciais, a questão agroindustrial é a primeira prioridade.
 «Pretendemos avançar na criação de duas empresas conjuntas, uma de produtos lácteos, utilizando matérias-primas enviadas da Bielorrússia, e outra de produtos à base de carne», disse.
 «Estamos num bom momento de fortalecimento das relações de cooperação e apreciamos que os projetos conjuntos relacionados com o setor agroindustrial sejam os primeiros que podem avançar», disse Marrero Cruz.
 A fábrica de tratores MTZ foi outra das entidades visitadas, de acordo com o interesse de ambas as partes em realizar um projeto de montagem de equipamentos em Cuba, sua reparação de capital e fabricação de peças de reposição em solo caribenho.
 Eloy Álvarez Martínez, ministro das Indústrias, destacou a altíssima relevância deste negócio para alcançar a soberania alimentar e, ao mesmo tempo, alertou para a inclusão, desde o início, de uma aposta nas exportações.
 «Atualmente somos chamados, de acordo com a indicação dos primeiros-ministros dos dois países, a trabalhar com grande agilidade na materialização deste projeto», apontou.
O CAMINHO INTELIGENTE DA CIÊNCIA
 A empresa Akademfarm, pertencente à Academia Nacional das Ciências da Bielorrússia, também abriu as portas à delegação cubana. Foram discutidos projetos relevantes de desenvolvimento, produção e comercialização de medicamentos, já implementados há vários anos, e também outros que foram acordados no âmbito da visita oficial.
 Descobriu-se, por exemplo, que a vacina Cimavax contra o câncer do pulmão de células não pequenas poderá ser utilizada em território bielorrusso, e que com este produto já serão seis registados no país europeu.
 Mas o mais significativo, sem dúvida, foi a assinatura de três documentos que ampliam o canal de colaboração no setor da biotecnologia: dois memorandos e um acordo de cooperação.
 Relativamente ao alcance dos laços nesta área, o primeiro-ministro insistiu em não os limitar apenas à Bielorrússia, mas assumi-los como a possibilidade de chegar, através deste país europeu, à União Econômica Eurasiática, pois a própria Cuba pode ser a porta de entrada para o região da América Latina e Caribe.
UM SÍMBOLO DE RESISTÊNCIA
 A última atividade do chefe do Governo cubano em sua visita oficial à Bielorrússia, depois de três dias intensos, foi uma reverência aos heróis aos quais a humanidade deve sua sobrevivência.
 Juntamente com os membros da delegação, Marrero Cruz percorreu cada uma das salas do museu da Grande Guerra Patriótica, inaugurado em 2014 para salvaguardar a memória daqueles que não puderam ver a vitória, mas abriram o caminho para ela.
 Segundo as estatísticas, que não são números, mas vidas ceifadas, 2,3 milhões (2.357.000) de pessoas morreram na Bielorrússia, mais de 1,5 milhão de civis e 810.000 prisioneiros de guerra.
 Escrevendo no livro de visitantes, o primeiro-ministro garantiu que este museu, que resume toda a história do povo da Bielorrússia durante a ocupação nazista, «ajudará as novas gerações para que a história não morra e para que estas páginas da história sejam sempre lembradas».

Photo: Estudios Revolución