
CARACAS, Venezuela.— Assim como o poeta disse que a Era está dando à luz um coração e dói, é verdade que o mundo está dando à luz novos caminhos, novos valores, porque está se defendendo da guerra e da insensatez da desumanidade. Esse processo dói; e nenhuma palavra se assemelha tanto ao que está acontecendo quanto à ALBA-TCP, aquele momento precedido por um canal de parto escuro.
Esse pensamento nasce ao assistir nesta quarta-feira, 24 de abril, no Palácio de Miraflores – sede do governo venezuelano – à 23ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América-Tratado de Comércio dos Povos (ALBA-TCP), que contou com a presença do primeiro-secretário do Comitê Central do Partido Comunista e presidente da República de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermúdez.
Os presidentes Nicolás Maduro e Díaz-Canel foram os primeiros a entrar no local. O dignitário anfitrião deu as boas-vindas aos estadistas e líderes que se reuniram ali e falou sobre os líderes progressistas que estavam presentes.
Lembrou que já se passaram 20 anos de «nossas alianças, de nossas forças: a ALBA». Contou o que vivenciou em todos esses anos, graças ao trabalho de nossos dois comandantes.
«A ALBA se tornou uma aliança para a vida de nossos povos», disse Maduro. Também disse que a América ainda é a mesma América libertária de 200 anos atrás, e que a unidade de seus povos é necessária; que a ALBA tem que ser um governo, tem que ser nações, mas também, e acima de tudo, povos mobilizados.
«Somente a partir dessa ferramenta de integração regional que é a ALBA», refletiu o presidente bolivariano, «é possível fazer o milagre do equilíbrio, do respeito, de uma nova epopeia». Falou, ainda, sobre os desenvolvimentos científicos compartilhados, a integração do conhecimento universitário, o treinamento de médicos e enfermeiros na região e a criação de uma agenda para mitigar os impactos das mudanças climáticas.
Maduro também comentou sobre o extremismo e o fascismo aos quais o império global recorre para resolver suas crises. Dedicou parte de seu discurso ao povo palestino, que está sofrendo genocídio. E não deixou de mencionar a grande questão do Haiti e a necessidade de um novo modelo para resgatar seu equilíbrio.
OUTRAS IDEIAS DE FRATERNIDADE
O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, pediu para «organizar o plano de trabalho que emerge de todas as propostas feitas aqui», e falou da ALBA como uma arma para a paz, de Cuba em sua batalha heróica; e denunciou o «imperialismo da terra», que mina a unidade latino-americana e comete crimes contra a humanidade.
Ralph Gonsalves, primeiro-ministro de São Vicente e as Granadinas, agradeceu a convocação da Cúpula na bela e pacífica Caracas e agradeceu à Venezuela pelo que fez pelas nações caribenhas.
Referiu-se à solidariedade que é a pedra angular da ALBA, à resiliência e à reciprocidade que reina dentro da organização e agradeceu à Venezuela e a Cuba por seu valioso papel em seu bom funcionamento.





