
Moscou.– «Será a primeira vez que o presidente Miguel Díaz-Canel Bermúdez esteja pessoalmente no Conselho Supremo da União Euroasiática (UEE), porém, antes disso, sempre participou através de videoconferência ou enviou uma mensagem de vídeo», declarou à imprensa, em 6 de maio, o assessor presidencial russo, Yuri Ushakov.
Ao se referir à presença do chefe de Estado cubano nesta cidade, Ushakov lembrou que Cuba é Estado observador na União Econômica Euroasiática (UEE) desde 2020.
«Gostaria de indicar, especialmente – enfatizou – que Cuba é o único parceiro da UEE fora da região com um status similar».
Ushakov também informou que o presidente Putin terá um encontro com seu homólogo caribenho, e que ambos devem avaliar os laços dos dois países em todos os âmbitos, incluída a política, a diplomacia e a cooperação econômica. «Será uma conversação importante», precisou o assessor de Vladímir Putin, segundo uma informação do meio de imprensa Sputnik.
RÚSSIA E CUBA: RELAÇÕES ESTRATÉGICAS
As relações econômico-comerciais entre Cuba e Rússia são estratégicas, qualificam ambos os governos. Constituem vínculos que, nos últimos anos, experimentam um crescente fortalecimento, afirmou, semanas atrás, o vice primeiro-ministro Ricardo Cabrisas Ruiz, na 21ª sessão da Comissão Intergovernamental de Colaboração Econômico-Comercial e Científico-Técnica, a qual lidera, junto ao vice-presidente do governo russo, Dmitri Chernyshenko.
Em declarações, durante os intercâmbios em Moscou, em março passado, e recolhidas pela Prensa Latina, Cabrisas, que é ministro do Comércio Exterior e o Investimento Estrangeiro, sublinhou que o ano de 2023 constituiu um marco nos métodos de trabalho conjunto, e foi o ponto de inflexão para o início da participação efetiva dos empresários russos no Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social de Cuba até o ano 2030.
Não obstante, precisou então Cabrisas, «necessitamos passar à concreção de resultados, a partir das necessidades latentes de nossos países e visões compartilhadas de desenvolvimento».
A vontade de fortalecer os resultados e continuar impulsionando as relações, incluindo novos campos, tem sido um dos fios que marcou os intercâmbios entre os presidentes Díaz-Canel e Putin, que agora voltarão a conversar no Kremlin, para continuar abrindo caminhos sobre bases mutuamente vantajosas.
Fruto destes encontros e do sistemático intercâmbio de delegações de alto nível e técnicas, cada vez são mais os eventos de destaque nas relações bilaterais, como os acordos deste ano para o fornecimento à Ilha de combustíveis, trigo e fertilizantes, a partir de créditos estatais russos.
Os vínculos econômicos, comerciais, financeiros e de cooperação entre ambas as nações, se estendem a setores como a energia, a indústria, a banca, a agricultura, a saúde, os transportes, a geologia e a mineração, as tecnologias da informação e as comunicações, entre outros.
Também destaca a incrementada presença de turistas russos na Ilha. Com base na vontade política dos dois Estados e governos, é um auge propiciado pelo incremento das rotas aéreas e o emprego, no sistema bancário cubano, dos cartões MIR, entre outras fortalezas que sempre ponderam os operadores turísticos locais. O mercado russo deveio o terceiro maior para a oferta turística cubana.
Embora menos espetacular, porque somente pode ser constatado com o decurso dos anos, deve se sublinhar que nos últimos cinco calendários o intercâmbio comercial de mercadorias (exclui os serviços) entre Cuba e a Federação Russa somente foi superado pelos mantidos com a Venezuela, China, Espanha e Canadá, pelo que a Rússia virou o quinto parceiro comercial da nação caribenha.
UMA EURÁSIA QUE PARECE LONGE, MAS QUE ESTÁ PERTO
A UEE está integrada por Rússia, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão e Armênia. Em 29 de maio de 2014 os presidentes dos três primeiros países assinaram o tratado de criação da união, que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2015, e depois adeririam as outras duas nações.
Em maio de 2018, a UEE e Cuba assinaram um memorando de entendimento encaminhado a eliminar barreiras no comércio e os investimentos, e incrementar a colaboração mutuamente benéfica.
Junto às áreas tradicionais de intercâmbio que a Ilha mantinha com esses países da antiga União Soviética, como a indústria e a agricultura, estava em foco, também, avançar em novos ramos, como o farmacêutico e a biotecnologia, nos quais a terra de José Martí tem muito com que contribuir.
Também favorece a posição geográfica da Ilha para ser ponte entre essas nações e a América Latina e o Caribe.
Depois, em 2019, foi estabelecida a primeira sessão da Comissão Conjunta, e se realizou um fórum de negócios. Dessa parte até agora, as trocas de delegações de alto nível e técnicas são permanentes.
Em dezembro passado, na anterior reunião do Conselho Supremo da UEE, Díaz-Canel, através de videoconferência, sublinhou que «Cuba continuará se envolvendo de forma ativa em acontecimentos e eventos da União Econômica Euroasiática, para fomentar uma colaboração que resulte mutuamente proveitosa dentro da União».
Como parte do permanente processo de estreitamento de vínculos, em 15 de janeiro passado, em Havana, teve lugar 3ª reunião conjunta Cuba-UEE, cuja delegação foi liderada por Serguéi Gláziev, ministro de Integração e Macroeconomia da Comissão Econômica Euroasiática, seu órgão regulador permanente.
No encerramento da comissão, Cabrisas Ruiz fez um apelo a «converter o assinado em projetos conjuntos rentáveis e sustentáveis para, desta maneira, construir nexos sólidos que nos permitam aproveitar as oportunidades existentes em benefício do crescimento mútuo».
Gláziev, que foi recebido por Díaz-Canel no Palácio da Revolução, afirmaria que o bloco vai «favorecer, de todo ponto de vista, nosso intercâmbio comercial e econômico».






