
Pretória, África do Sul.— O presidente Cyril Ramaphosa tomou posse na manhã de quarta-feira, 19 de junho, para seu segundo e último mandato de cinco anos à frente da África do Sul, em uma cerimônia solene que contou com a presença, entre outros dignitários, do membro do Bureau Político do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba e vice-presidente da República, Salvador Valdés Mesa.
A cerimônia de posse, que ocorreu entre 11h50 e 13h30, foi realizada, como é tradicional, no anfiteatro do Union Buildings, a sede do governo, onde o presidente do país mais ao sul da África foi empossado pelo presidente da Suprema Corte, Raymond Zondo.
Ao final da cerimônia, sempre guiado pela extraordinária cultura sul-africana, Ramaphosa cumprimentou chefes de Estado, chefes de governo, vice-presidentes e outros chefes de delegações, incluindo Valdés Mesa, com quem conversou brevemente e que também foi recebido calorosamente por Tshepo Motsepe, esposa do líder anfitrião.
A cerimônia contou com a presença de cerca de 3.000 pessoas, incluindo 18 chefes de Estado e de governo, ex-líderes, delegações oficiais de vários países, chefes tradicionais sul-africanos e outras personalidades nacionais e internacionais.
A delegação oficial cubana à posse de Cyril Ramaphosa, chefiada por Valdés Mesa, incluiu Tania Margarita Cruz Hernández, primeira vice-ministra da Saúde Pública; Anayansi Rodríguez Camejo, vice-ministra das Relações Exteriores; Enrique Orta González, embaixador de Cuba na África do Sul, e Luis Alberto Amorós Núñez, diretor para a Diretoria da África Subsaariana, do ministério das Relações Exteriores.
Entre os líderes que participaram da posse de Ramaphosa estavam João Lourenço de Angola; Filipe Nyusi, de Moçambique; Emmerson Mnangagwa, do Zimbábue; Bola Tinubu, da Nigéria; Felix Tshisekedi, da República Democrática do Congo; Samia Suluhu Hassan, da Tanzânia; Denis Sassou-Nguesso, da República do Congo e o rei de Esuatini, Mswati III.
Também compareceram delegações de alto nível da China, Palestina, Namíbia, Lesoto, Uganda, Burundi, Sudão do Sul e Egito, além de representantes de organizações internacionais.
«NOVA ERA»
«Uma nova era está começando para o nosso país», afirmou o presidente Cyril Ramaphosa em seu discurso de posse, que lidera um governo de coalizão depois que o Congresso Nacional Africano (ANC) perdesse a maioria no Parlamento nas eleições de 29 de maio, apesar de ter vencido as eleições com pouco mais de 40% dos votos.
Depois de 30 anos mantendo sua hegemonia na Assembleia Nacional, o ANC teve que chegar a um acordo sobre o que chamou de «governo de unidade nacional», juntamente com sua oposição tradicional, a Aliança Democrática, cuja base majoritária é branca. O Partido da Liberdade Zulu Inkatha, o social-democrata Good e a Aliança Patriótica, de extrema direita, também se juntaram ao bloco.
«A formação de um governo de unidade nacional é um momento de profunda importância. É o início de uma nova era», disse Ramaphosa na inauguração de seu segundo mandato.
«É um momento em que devemos escolher entre seguir em frente juntos ou correr o risco de perder tudo o que construímos», enfatizou.
«As metas do novo governo, de acordo com a declaração de intenções acordada entre as partes que compõem o governo, incluem alcançar um crescimento econômico rápido, inclusivo e sustentável, bem como defender os direitos dos trabalhadores e reduzir a pobreza», disse o presidente sul-africano.
«Afirmamos nossa determinação de construir uma sociedade mais igualitária e solidária. Afirmamos nossa busca determinada para construir uma economia crescente e inclusiva que ofereça oportunidades e meios de subsistência para todas as pessoas», enfatizou.
Ramaphosa também declarou que o ANC convocará «um diálogo nacional sobre os desafios críticos que a nação enfrenta», convidando outros partidos políticos, a sociedade civil, os trabalhadores, as empresas e outros atores da sociedade a participar.
«Precisamos ser corajosos e ousados. Esta é uma nova corrente que promete progresso, transformação e mudanças profundas e fundamentais», disse o quinto presidente da África do Sul, fundada pelo líder Nelson Mandela em 1994 após centenas de anos de exploração e exclusão da população negra, ao final de seu discurso.





