ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

Charge de Jorge

 

Photo: Jorge

Caracas, Venezuela.– Uma injustiça histórica pairou persistentemente contra o povo cubano. Sobre os filhos da Ilha maior das Antilhas caiu o peso de uma política de raiz venenosa que pretende asfixiar a Revolução, a qual apostou por defender seu modelo socialista de desenvolvimento.
 Cada ano, há umas três décadas, perante o olhar da Organização das Nações Unidas (ONU), a Ilha apresenta um relatório que detalha claramente as desumanas consequências do bloqueio econômico, comercial e financeiro que o governo dos Estados Unidos impõe – de maneira unilateral – ao país, desde fevereiro de 1962.
 Una maioria esmagadora apoia as declarações cubanas nesse âmbito. Contudo, a Casa Branca e seus aliados continuam sancionado ilegalmente um povo cuja única afrenta ao império tem sido a de não se submeter aos seus desígnios hegemônicos.
 A essa política hostil se acrescenta a arbitrária inclusão de Cuba na lista de Estados patrocinadores do terrorismo (lista ssot, por suas iniciais em inglês), contra o qual se têm pronunciado inúmeras vozes internacionais: figuras reconhecidas em diversos espaços e por pessoas de alto prestígio.
 Nesse sentido, o mês de setembro foi fértil em missivas enviadas à atual administração estadunidense. Nos começos do mês, o destacado intelectual espanhol Ignacio Ramonet enviou uma carta aberta ao presidente Joe Biden, sob o título: Tire Cuba da lista de patrocinadores do terrorismo!
 No texto, subscrito por «um número importante de personalidades, movimentos sociais, sindicatos, associações humanitárias e organizações não-governamentais do mundo», se lembra ao mandatário o «ato de justiça e de lucidez política» da administração do ex-presidente Barack Obama, e «da qual o senhor fazia parte», ao retirar Cuba dessa lista, em 2015. «O qual representou um passo muito positivo para forjar, finalmente, uma relação mais construtiva com Havana».
 E prossegue: «Durante o governo de Barack Obama, sendo o senhor vice-presidente dos Estados Unidos, se conseguiu, efetivamente, avançar rumo a uma normalização das relações diplomáticas entre dois vizinhos com sistemas políticos diferentes mas dispostos a se entenderem com base no respeito mútuo».    
 Insiste-se em que a nação antilhana «tem denunciado e combatido o terrorismo. Jamais o tem alentado ou patrocinado. Nunca o tem praticado».
 Não obstante, ressalta o jornalista e escritor, apesar das tensões que pudessem existir entre ambos os países, «não se pode citar um único caso de ação violenta ocorrido no território estadunidense que tenha sido apadrinhado, direta o indiretamente, por Havana».
 «Em troca (…) mais de 3.500 cidadãs e cidadãos cubanos morreram em atentados cometidos por grupos terroristas financiados, armados e treinados por organizações violentas baseadas, em sua maioria, nos Estados Unidos».
 Ainda, a isso se acrescenta o ilegal bloqueio que se sustenta ainda «desconhecendo a clara posição da comunidade internacional e as sucessivas resoluções da ONU».
 «Senhor presidente» – escreveu Ramonet – «essa situação tem que acabar (…) Não há nem um único argumento válido e razoável para acusar Cuba e manter sua população sob um castigo coletivo, ilegal e desumano».
 Pouco depois, 35 ex-presidentes do mundo, sob o guia do colombiano Ernesto Samper, reiteraram a Biden, em outra missiva, que «as relações entre os Estados devem se reger ou condicionar segundo o seu nível de sintonia ideológica, o qual suporia o fim da soberania e a autodeterminação como suportes fundamentais sobre os que foi estabelecido o sistema de governança mundial em paz depois da Segunda Guerra Mundial».
 Portanto, «manter a inclusão de Cuba na lista de Estados patrocinadores do terrorismo constitui uma medida coercitiva dificilmente justificável em pleno século 21». E ao mesmo tempo precisaram que «o impacto extraterritorial das medidas de cerco financeiro contra Cuba também afeta os interesses de nossos países, os setores bancários e empresariais».
 Nessa carta se reconhece a decisão do Departamento de Estado, em maio, de retirar Cuba da lista de Estados que não cooperam na luta contra o terrorismo.
 Contudo, de forma contraditória, as autoridades desse país teimam em mantê-la na outra lista. «Como se pode afirmar, ao mesmo tempo, que um país coopera na luta mundial contra o terrorismo e, ao mesmo tempo, acusá-lo de apoiá-lo abertamente?», sustentam.
 Depois, uns 600 parlamentares de 73 países assinaram uma mensagem conjunta, sob a coordenação e publicação da Internacional Progressista (IP), com o propósito de que seus respectivos governos ajam de maneira imediata para excluir a Ilha da «cínica» designação como terrorista, «em nome da dignidade, a decência e a integridade da Carta da ONU».
 Tal atitude hostil, proveniente de Washington, viola «os direitos humanos fundamentais, incluídos o direito à alimentação, o direito à saúde, o direito à educação, os direitos econômicos e sociais, o direito à vida e o direito ao desenvolvimento».
 O texto sustenta que «a designação é ilegal porque enfraquece o princípio de igualdade soberana dos Estados, a proibição de intervir nos assuntos internos dos Estados, e o princípio de arranjo pacífico das controvérsias internacionais, segundo especialistas jurídicos da ONU».
 Previamente a estas cartas, no passado mês de março, líderes políticos, religiosos e de direitos civis de Maryland solicitaram ao presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA, Ben Cardin, utilizar a sua influência para conseguir o cessar do bloqueio a Cuba, «como comunidades de fé moralmente opostas alo uso da guerra econômica contra nossos irmãos cubanos; como grupos da diáspora preocupados pelo deslocamento de pessoas de seus lares; como humanitários, acadêmicos, ativistas e defensores dos direitos humanos».
 Tantas vozes não se enganam. A palpável realidade de Cuba é evidência contundente e irrefutável dos argumentos que cada uma destas cartas defendem. Nem o povo de José Martí e de Fidel Castro nem as pessoas justas do mundo deixarão de chamar a atenção do governo estadunidense, até tanto sejam respeitados os direitos inalienáveis do ser humano que, dia a dia, vulneram as administrações do império.