
A necessidade de «enfrentar os desafios atuais, colocando os interesses e objetivos comuns acima das diferenças, e atuando como uma autêntica comunidade regional» foi, em 9 de abril, uma das propostas de Cuba para a 9ª Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), na voz do primeiro-secretário do Comitê Central do Partido e presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez.
«Cuba estará sempre na vanguarda dos esforços para fortalecer a Celac e avançar rumo a uma integração que permita à América Latina e ao Caribe se reposicionar no cenário internacional», afirmou.
A anfitriã da reunião, a presidente hondurenha Iris Xiomara Castro Sarmiento, disse que temos certeza de que a Celac não apenas superará os desafios atuais, mas também manterá vivos os sonhos pendentes de nossos povos e de nossos heróis Simón Bolívar, Francisco Morazán, José Martí, Augusto César Sandino, Fidel Castro e Hugo Chávez.
Responsável pela presidência pro tempore desde março de 2024, que agora passa para a Colômbia e Gustavo Petro, Xiomara enfatizou que nada do que nossos povos fizeram e lutaram é passado, «tudo é presente e tudo é futuro». E lembrou as palavras do comandante Hugo Chávez: «a utopia está no horizonte, caminhamos em direção a ela para não parar de caminhar».
Com a presença de 11 chefes de Estado e de governo, e uma intervenção – a do presidente venezuelano, Nicolás Maduro Moros – em modo virtual, a Cúpula contou com a presença de vice-presidentes, chanceleres e outros dignitários dos 33 países que compõem a Celac.
A reunião aprovou uma declaração final que abordou questões cruciais para a região, como a integração, cooperação, solidariedade, migração, a nova política tarifária dos EUA e as medidas unilaterais contra nossos povos.
Foi reafirmado o compromisso de fortalecer a Celac como o mecanismo de coordenação política que inclui todos os países da região e foi destacada a plena validade da proclamação da América Latina e do Caribe como Zona de Paz, aprovada na 2ª Cúpula da Celac em Havana, sob a liderança do general-de-exército Raúl Castro Ruz.
Princípios como cooperação internacional, democracia e Estado de Direito, multilateralismo, proteção e promoção de todos os direitos humanos, respeito à autodeterminação, não-interferência em assuntos internos, soberania e integridade territorial foram ratificados, e a imposição de medidas coercitivas unilaterais foi rejeitada.
O bloqueio econômico, comercial e financeiro contra Cuba por parte do governo dos EUA e a inclusão da Ilha na lista espúria de países que supostamente patrocinam o terrorismo foram condenados de forma esmagadora.
Xiomara Castro disse que se trata de um «bloqueio cruel e desumano, que o heroico povo cubano vem sofrendo há mais de 64 anos». E acrescentou que Cuba também não exporta terroristas; «Cuba exporta professores, cientistas, médicos e a dignidade exigida por nossos povos».
A solidariedade com o Haiti e a exigência de que seu destino seja determinado por seu povo e não pela interferência estrangeira foi o consenso, assim como o apoio a esse povo irmão com ações.
O presidente colombiano, Gustavo Petro, destacou que «hoje o mundo, e especialmente nossa América, estão em um dilema, o caminho da solidão – em referência às políticas protecionistas e isolacionistas da nova administração dos EUA – ou o caminho do multilateralismo, que é a saída à qual nossos governos e povos devem se agarrar se não quiserem desaparecer», disse.
«A América Latina não pode baixar a bandeira da dignidade humana, e isso está no multilateralismo, caso contrário, é monarquia. As ações de nossos povos têm que ser em comum, como nos ensinou a Covid-19, que nos deixou com uma das maiores taxas de mortalidade, porque esperamos que as vacinas nos fossem enviadas, e elas chegaram tarde. Mas Cuba nos deu um exemplo de como isso deve ser feito, por que não fazemos o que Cuba fez em escala latino-americana, por que não nos vinculamos à vida em vez da morte?».
Os desafios que o mundo e a região enfrentam atualmente também foram abordados pela líder mexicana Claudia Sheinbaum. «É um bom momento para reconhecer que a América Latina e o Caribe precisam de unidade e solidariedade de seus governos e de seus povos para fortalecer a integração», disse.
«Do México, partimos de uma premissa básica: uma região mais unida é uma região mais forte». Acrescentou que «nenhum país da América Latina e do Caribe deve ser deixado para trás, nenhum menino ou menina da América Latina e do Caribe deve ser deixado para trás, nenhum homem ou mulher da América Latina e do Caribe deve ser deixado para trás», enfatizou Sheinbaum, conclamando a dizer «não ao bloqueio de Cuba e não ao bloqueio da Venezuela».
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva insistiu que nossos povos, agora mais do que nunca, precisam estar unidos. “«Mas a realidade, pelo menos na esfera econômica, contradiz isso, já que o comércio inter-regional representa apenas 14% dos bens produzidos aqui». O presidente da Bolívia, Luis Arce Catacora, expressou o compromisso de seu país «com a integração baseada na complementaridade, no reconhecimento das assimetrias e na solidariedade».
Os presidentes do Uruguai, Yamandú Orsi, e da Guatemala, Bernardo Arévalo, e os primeiros-ministros de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves, e da Guiana, Mark Phillips, também fizeram uso da palavra.
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro Moros, disse que a Celac enfrenta grandes desafios e que «nossa união precisa se reinventar e se adaptar de forma criativa a esses tempos, que estão em processo de desenvolvimento».
Afirmou que «a ofensiva contra o mundo inteiro, contra nossa região, para tentar impor uma era de dominação imperial, nos obriga a considerar um despertar coletivo da consciência dos povos e governos que amam nossa soberania, nossa autodeterminação e têm um profundo amor pelo sonho de um futuro em liberdade, com soberania e independência, com a prosperidade conquistada e trabalhada por nossos povos».






