«Apesar de todos os desígnios de nossos adversários, vamos superar as dificuldades»
Díaz-Canel liderou, no sábado, 3 de maio, o ato por ocasião do 80º aniversário da vitoria sobre o fascismo e o 65º do reatamento das relações entre Cuba e a então União Soviética
No ato, foi lembrada a coragem e o heroísmo de milhões de cidadãos soviéticos que lutaram na guerra mais sangrenta da história da humanidade.Photo: Estúdios Revolución
Ao amanhecer do sábado, 3 de maio, o primeiro-secretário do Comitê Central do Partido Comunista e presidente da República, Miguel Díaz-Canel, liderou o ato político e cerimônia militar por ocasião do 80º aniversário da vitoria sobre o fascismo.
No mausoléu do Soldado Internacionalista Soviético teve lugar a homenagem, que começou com a colocação de oferendas florais diante da chama eterna, em nome da Federação da Rússia, das repúblicas da Bielorrússia, Cazaquistão e Azerbaijão, das Forças Armadas Revolucionárias e do Instituto Cubano de Amizade com os Povos Icap).
O embaixador da Federação da Rússia em Cuba, Viktor Koronelli, lembrou que há 80 anos acabou a guerra mais sangrenta na historia mundial, deixando sinais impossíveis de apagar; e alertou que atualmente «somos testemunhas das tentativas de tergiversar a verdade sobre a Segunda Guerra Mundial».
Lembrou, ainda, a coragem e o heroísmo de milhões de cidadãos soviéticos, e precisou que a vitoria foi o resultado da unificação de todos os países que fizeram parte da coligação anti-hitlerista. Qualificou como dever sagrado evitar outra guerra mundial e fez um alerta acerca do perigo que representa o ressurgimento do fascismo
No encerramento da cerimônia, o secretário de Organização e membro do Bureau Político do Partido Comunista de Cuba, Roberto Morales Ojeda, referiu-se à transcendência que teve para a humanidade a vitoria sobre o fascismo. Destacou a façanha dos povos que «de forma firme, heróica e decisiva derrotaram as forças nazi-fascistas durante a 2ª Guerra Mundial».
«O 80º aniversário deste evento transcendental é também um dia para lembrar, honrar e refletir acerca das lições que deixou a vitoria sobre o fascismo, resultado a coragem de milhões de pessoas que lutaram em diferentes fronts», enfatizou.
Em suas palavras, Morales Ojeda ressaltou que «somente a unidade, o heroísmo e o patriotismo de todos os povos que faziam parte da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas puderam conter e esmagar a maquinaria bélica fascista».
Da mesma maneira, alertou acerca das ameaças atuais do imperialismo estadunidense e os perigos que ameaçam nossos povos de maneira permanente.
«Hoje devemos entender o significado do fascismo como a expressão mais acabada do pensamento reacionário burguês e imperialista», asseverou. E acrescentou que «este aniversário se comemora em um momento em que a ideologia fascista e suas práticas tentam se reinventar, adquirindo as formas mais diversas, e fazendo-nos lembrar que o espírito cruel e sem piedade permanece nas mentes das elites oligárquicas e imperialista em vários países do mundo».
Morales Ojeda, secretário de Organização do Comitê Central do Partido, não deixou de lembrar a digna contribuição de Cuba à vitória sobre o fascismo e o sangue dos cubanos mortos nas batalhas, que assim testemunham.
«Comemorar a vitória sobre o fascismo não é somente lembrar o passado, também é um apelo para a ação no presente, hoje mais do que nunca se torna necessário manter viva a memória da luta antifascista e transmiti-la às novas gerações, garantiu Morales Ojeda.
Finalmente, ratificou que seu Partido e seu governo mantêm seu compromisso irrevogável de continuar ao lado das causas justas e fazer prevalecer sua prática solidária, de compromisso com a defesa da liberdade e a dignidade humana.
No ato político e cerimônia militar também marcou presença o ministro das Forças Armadas Revolucionárias (FARs), general-de-corpo-de-exército Alvaro López Miera.
O presidente da República depositou rosas brancas ao pé da escultura que lembra o general-de-exército Issá Aleksandrovicht Pliyev – duas vezes condecorado como Heroi da União Soviética, na 2ª Guerra Mundial – que foi nomeado chefe do agrupamento de tropas soviéticas em Cuba, durante a chamada Crise dos Mísseis, em 1962.
UMA HISTÓRIA COMPARTILHADA
«Cuba sempre poderá contar com o apoio da Rússia; nossa grande tarefa conjunta é tornar realidade todos os planos e projetos, sempre para o bem de nossos povos irmãos; e não tenho dúvida de que, trabalhando ombro a ombro, apesar de todos os desígnios de nossos adversários, vamos superar as dificuldades». Assim expressou Koronelli, em outro ato, efetuado no sábado, 3 de maio, pelo ensejo do 65º aniversário do reatamento das relações diplomáticas entre Cuba e a então União Soviética.
O encontro também foi liderado por Miguel Díaz-Canel e também estiveram presentes o presidente da Assembleia Nacional do Poder Popular e do Conselho de Estado, Esteban Lazo Hernández; Manuel Marrero, primeiro-ministro; Roberto Morales Ojeda, secretário de Organização do Comitê Central do Partido, e outros líderes.
O embaixador russo expressou que entre os parceiros da Rússia na América Latina e o Caribe «Cuba tem um lugar especial. É nosso aliado-chave na região». Ressaltou o «caráter singular» que seu país confere aos laços com a Ilha «que são baseados em um sólido fundamento histórico e não dependem da conjuntura externa».
No encerramento, Lazo Hernandez destacou que o relacionamento entre ambas as nações «deveio fraternidade entranhável, baseado na solidariedade, o respeito mútuo, a confiança e a luta compartilhada em prol de um mundo melhor».
«A amizade que durante mais de seis décadas tem forjado nossos povos e governos está invariavelmente ligada à visão do líder histórico da Revolução Cubana, Fidel Castro Ruz», refletiu.
Lembrou que «a União Soviética estendeu sua mão fraterna a Cuba; juntos enfrentamos bloqueios, ameaças e outros desafios; também construímos nossos sonhos de justiça social, equidade e desenvolvimento para nossos países e para outras nações com as quais contribuímos em suas lutas contra o colonialismo ou a independência e a soberania».
Destacou as fluídas trocas entre ambas as nações, com visitas ao mais alto nível nos últimos anos. E ratificou a preocupação de Cuba pela doutrina militar crescentemente ofensiva dos EUA e da OTAN fora de suas fronteiras, a retórica agressiva e as sanções unilaterais contra a Rússia e as tentativas de isolá-la.
Acrescentou que a agenda econômica bilateral tem permitido projetar e orientar os esforços em correspondência com o Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social de Cuba até o ano de 2030.
«Que este aniversário – disse – «não seja somente um momento de reflexão sobre o caminho percorrido, mas sim um ponto de começo rumo a um futuro mais próspero para ambas as nações, pela certeza de que vamos avançar juntos em prol desse objetivo pelo bem-estar de nossos povos», sublinhou.
O apoio à luta contra o bloqueio econômico, comercial e financeiro dos Estados Unidos, com desbordadas manifestações de solidariedade em cidades de todas as latitudes; o rechaço mundial à incluso na lista de países patrocinadores do terrorismo, e a profunda e coerente presidência do Grupo dos 77 mais a China, elevaram ainda mais o prestígio de Cuba em suas relações com o mundo