ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Photo: Arquivo do Granma
Em uma «Caracas pacífica, alegre, digna e soberana», foi inaugurada, em 9 de dezembro, a Assembleia Popular pela Soberania e Paz de Nossa América, embora o império tenha buscado transformá-la em «um teatro de operações militares». Essa constatação foi feita durante o evento pelo ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, que também denunciou a guerra psicológica e militar travada contra seu povo numa tentativa de «quebrar sua vontade».
Nesse contexto, alertou Gil, há uma tentativa de reviver a Doutrina Monroe, que deve ser substituída pela Doutrina Bolivariana, a doutrina do povo. Portanto, defendeu que este fórum de debate leve à criação de uma constituição permanente para a Assembleia Popular, que serviria como uma estrutura internacional para responder a qualquer agressão.
Com esse objetivo em mente, mais de 500 líderes sociais, intelectuais, artistas, juristas, acadêmicos, parlamentares, partidos políticos, trabalhadores e representantes de comunidades indígenas se reuniram na capital Bolívar e Chávez, como demonstração de resistência e em busca de um marco regional coerente com os tempos atuais, em que o status da região como Zona de Paz está ameaçado.
Segundo a mídia local, a integração do Sul Global e a defesa da verdade, da justiça e do respeito ao direito internacional — violados hoje não só na América Latina e no Caribe, mas também em diversas partes do mundo — estão entre os objetivos do evento, que conta com a presença de uma delegação cubana.
Outros temas abordados na Assembleia incluem a luta contra medidas coercitivas unilaterais e outras ações de estrangulamento econômico e social, a defesa dos direitos dos migrantes, o futuro compartilhado do continente, cuja construção está nas mãos da juventude, e a emergência climática.
Na cerimônia de abertura, o proeminente intelectual cubano Abel Prieto abordou a contínua agressão militar que o governo dos EUA está promovendo contra a nação sul-americana, a qual, segundo ele, não só põe em risco o destino da Venezuela e do Caribe, mas também o equilíbrio de poder no mundo.
Suas palavras serviram também como uma denúncia da «escalada criminosa e das mentiras usadas para confundir amigos ao redor do mundo e dividir os povos da Venezuela e de Cuba». Abel Prieto enfatizou a necessidade de que os acordos alcançados neste fórum se tornem uma campanha ativa em defesa da paz e uma força mobilizadora.
Expressou ainda sua gratidão pela assistência prestada pelo povo e pelo governo venezuelanos após a passagem do furacão Melissa pelo leste da Venezuela, lembrando que, nos momentos mais difíceis, as duas nações permaneceram unidas.
Para encerrar o evento, o estado de La Guaira sediará o Concerto pela Paz e Soberania da Nossa América, para o qual diversos grupos caribenhos foram convidados.