O som foi ouvido em todo o prédio ontem. Na ONU, o representante permanente da Venezuela junto à organização, Samuel Moncada, denunciou «um gigantesco crime de agressão em curso, que ultrapassa todos os parâmetros racionais, toda a lógica jurídica e todos os precedentes históricos», perpetrado pelo governo dos EUA.
Essa conduta, alegou ele, inclui um bloqueio naval declarado, o roubo de 4 milhões de barris de petróleo venezuelano e guerra eletrônica no espaço aéreo, o que, segundo ele, constitui uma violação do Direito Internacional e uma ameaça à paz regional.
Na sessão do Conselho de Segurança, Moncada afirmou que a intenção é «fabricar uma provocação que lhes permita invocar falsamente o Artigo 51º da Carta das Nações Unidas» e insistiu que a Venezuela é apenas o «primeiro alvo de um plano maior» que busca dividir e conquistar o continente «pouco a pouco».
Entretanto, falando em nome do representante de Washington na ONU, Mike Waltz, ouviu-se uma ameaça explícita: «Os Estados Unidos imporão e farão cumprir as sanções máximas para privar Maduro dos recursos que ele usa para financiar o Cartel dos Sóis, que os EUA designaram como uma organização terrorista estrangeira, juntamente com o Trem de Aragua. Os navios petroleiros sancionados constituem o principal suporte econômico de Maduro e de seu regime ilegítimo», declarou.
Esta não é a primeira vez que a questão da escalada da ação militar contra a Venezuela é levada ao órgão multilateral. Em outubro passado, Samuel Moncada questionou o direito dos EUA de militarizar a região do Caribe, executar civis e negar-lhes o devido processo legal. Ele também denunciou que, dessa forma, a Casa Branca pretende transformar aquele país em uma «colônia» dos EUA.
Nessa ocasião, o Representante Permanente da Rússia, Vasily Nebenzia, acusou Washington de ser «responsável pelas consequências catastróficas que esse comportamento irresponsável tem para os habitantes do país bloqueado». Anteriormente, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, havia reiterado ao seu homólogo venezuelano, Yván Gil, a disposição de seu país em fornecer todo o apoio necessário para combater o bloqueio contra a nação sul-americana. Da mesma forma, Maduro e Putin enfatizaram o Acordo de Parceria e Cooperação Estratégica, que estabelece o respeito mútuo diante das sanções impostas pelo governo dos EUA.
Outras nações demonstraram seu apoio à Venezuela, como a China, que, por meio do ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, reiterou que ambos os países são parceiros estratégicos e que a confiança e o apoio mútuos são uma tradição nas relações bilaterais.
Por sua vez, a presidente mexicana Claudia Sheinbaum enfatizou que a política externa de seu governo permanecerá firme sob os princípios constitucionais de não-intervenção, «não interferência e resolução pacífica de conflitos».
Entretanto, execuções extrajudiciais continuam nas águas do Caribe e do Pacífico Oriental, como parte, segundo o Comando Sul, de uma estratégia regional para neutralizar redes criminosas transnacionais relacionadas ao tráfico de drogas, embora nenhum detalhe ou evidência verificável tenha sido relatado a esse respeito.





