Diz a sabedoria popular que «a quem Deus deu, São Pedro abençoou». Mas, no caso da Venezuela, poderíamos acrescentar: Washington inveja.
Como essa nação sul-americana pode devolver algo que sempre lhe pertenceu, que a natureza lhe deu? Essa foi a pergunta que muitos se fizeram, após as declarações do presidente norte-americano em que ameaçava o governo bolivariano se não devolvesse o petróleo e os ativos que, segundo suas palavras, «roubou».
A esse respeito, o membro do Bureau Político e ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez Parrilla, destacou em X que especialistas da ONU condenaram a agressão dos EUA contra a Venezuela. Nesse sentido, ele afirmou que «o governo dos EUA deveria ouvir a comunidade internacional, embora seja bem conhecido seu duplo padrão e desrespeito pelo multilateralismo, pela diplomacia e pelo diálogo entre iguais».
O que o inquilino do Salão Oval evidentemente não levou em conta ao proferir tais aberrações foi que quem saqueou aquele país foi o governo dos EUA, com a ajuda da extrema direita venezuelana.
Tal é o caso da Citgo Petroleum Corporation, que era a maior subsidiária da PDVSA (Petróleos de Venezuela, S.A.) no exterior, e cuja entrega — «em bandeja de prata» ao fundo abutre Elliot Investment Management — se concretizou no final de novembro passado, como parte do leilão com propriedades na concessão de Juan Guaidó, em seu interinato em 2019, do controle dos ativos do patrimônio venezuelano aos EUA.
Em seguida, a partir do país vizinho ao norte, foi orquestrado um ataque cibernético à PDVSA, com o objetivo de interromper suas operações, o que não foi possível. Mais tarde, foi ordenado um bloqueio naval para limitar a entrada e saída de «navios petroleiros sancionados», e dois navios petroleiros venezuelanos foram capturados no mar do Caribe, o que provocou, em um desses casos, o desaparecimento forçado de sua tripulação.
Isso ocorre paralelamente à escalada da agressão militar direta, que desde agosto passado é mantida pela Casa Branca, em uma suposta luta contra o narcotráfico.
No entanto, seu discurso «pacifista» falacioso é coisa do passado. O próprio Trump confessou à imprensa que ficaria com o petróleo apreendido. «Vamos ficar com ele. Talvez o vendamos, talvez o usemos nas reservas estratégicas. Também ficaremos com os navios», afirmou. Não faltaram, em suas palavras, as já habituais ameaças ao presidente Nicolás Maduro: «Ele pode fazer o que quiser (...) se quiser fazer alguma coisa, se quiser bancar o durão, será a última vez que poderá bancar o durão».
Trata-se, sem dúvida, da política de forçar concessões sob pressão, que faz parte da nova Estratégia de Segurança Nacional, e cujos fundamentos se baseiam em uma versão atualizada da Doutrina Monroe.
A essas manobras de intimidação — sem precedentes na região — soma-se o fato de que, entre as mais de mil medidas coercitivas unilaterais com as quais a Venezuela encerra este ano de 2025, algumas das mais cruéis se concentram nos danos econômicos.
Nesse contexto, o Parlamento venezuelano anunciou, na última terça-feira, a aprovação unânime da Lei para Garantir as Liberdades de Navegação e Comércio contra a Pirataria, Bloqueios e outros Atos Ilícitos Internacionais.
Esta disposição estabelece, em seu artigo 13º, que «toda pessoa que promover, instigar, solicitar, invocar, favorecer, facilitar, apoiar, financiar ou participar em ações de pirataria, bloqueio ou outros atos ilícitos internacionais contra pessoas jurídicas que realizam operações comerciais com a República e suas entidades por parte de Estados, poderes, corporações ou pessoas estrangeiras, será punida com prisão de 15 a 20 anos e, como pena acessória, a imposição de multas».
A esse respeito, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, afirmou: «Este povo da Venezuela, com serenidade, decência e dignidade, vai responder a todas as agressões e vai vencer, não tenham dúvidas disso».
SAQUEIO NEOCOLONIAL. A SAGA
A indústria petrolífera, como se sabe, é a principal atividade econômica da Venezuela. Afetá-la causaria transtornos em todos os setores da vida da população e serviria para demonstrar a suposta incapacidade do Estado bolivariano de conduzir os caminhos da terra de Bolívar e Chávez, o que, segundo se diz, é uma das formas pelas quais pretendem provocar uma «mudança de regime» naquele país.
No entanto, a jogada parece não estar dando muito certo para os piratas modernos. Apesar das ações de saque neocolonial que se repetem na região, e à margem de qualquer marco legal internacional, a Venezuela registra um crescimento econômico de 18 meses consecutivos, no qual os hidrocarbonetos desempenham um papel estratégico.
De acordo com o presidente da PDVSA, Héctor Obregón, essa empresa estatal atingiu a cifra de 1,2 milhão de barris diários, prevista para a etapa. E caminha para o aumento da produção até 2026, no âmbito do Plano de Independência Produtiva.
A realidade dos fatos fala por si. A coerção econômica e militar, que hoje luta para destruir a Revolução Bolivariana, faz parte de uma agressão multifacetada que busca, longe de combater o narcotráfico, aproveitar esse pretexto para alcançar objetivos maiores.
A Venezuela possui a maior reserva de petróleo do mundo. Os Estados Unidos consomem cerca de 20,6 milhões de barris por dia. Não é difícil fazer as contas. A expropriação parece estar ligada à política externa do império como condição sine qua non. Sua sobrevivência depende disso.





