Parlamentos e partidos de várias partes do mundo manifestaram-se contra a ordem executiva de Trump
Mensagens de diversas organizações políticas e legislativas ao redor do mundo confirmam a injustiça da medida imposta por Donald Trump.Photo: Ricardo López Hevia
A história do embargo econômico, comercial e financeiro contra Cuba, imposto pelo governo dos Estados Unidos em 1962, é também a história de sua constante rejeição por grande parte da comunidade internacional. A intensificação progressiva dessa política gerou, quase em paralelo, ondas de solidariedade em todo o mundo.
Ano após ano, desde 1992, a Assembleia Geral das Nações Unidas denuncia, por meio de votações de diversos países, o bloqueio que já dura mais de seis décadas e é considerado o mais longo já imposto a um país. Em cada uma dessas sessões, Cuba obteve uma vitória esmagadora.
O capítulo mais recente dessa história foi a Ordem Executiva do presidente Donald Trump, que impôs sanções com o objetivo de dificultar ainda mais o fornecimento de petróleo à Ilha. Longe de aceitar essa imposição injusta, parlamentos, grupos e partidos políticos em todo o mundo responderam com firmeza, emitindo declarações que reconhecem a dignidade do povo cubano e seu direito de defender sua soberania contra medidas destinadas a levar a Ilha ao colapso.
PARTIDOS POLÍTICOS DE TODO O MUNDO CONDENAM A HOSTILIDADE CONTRA CUBA
Os pronunciamentos dos partidos políticos, enquanto forças que estruturam a governança e moldam o rumo das nações, também representam as posições do povo e mobilizam outras organizações de diferentes ideologias e continentes. Até o momento, dezenas delas levantaram suas vozes em apoio a Cuba.
Nos encontros realizados pelo ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez Parrilla, como enviado especial do Partido Comunista de Cuba (PCC) e do Governo ao Vietnã, To Lam, secretário-geral do Partido Comunista daquele país, expressou ao chefe da diplomacia cubana «a posição coerente do Partido, do Estado e do povo vietnamita de solidariedade, apoio e acompanhamento ao povo irmão cubano» e enfatizou a disposição de apoiar a superação das dificuldades e o desenvolvimento do país.
Ainda na sua qualidade de enviado especial à China, o ministro dos Negócios Estrangeiros cubano reuniu-se com Wang Huning, membro do Comité Permanente do Bureau Político do Comité Central do Partido Comunista Chinês, que reafirmou o apoio da sua nação à justa luta de Cuba contra as sanções. Expressou também a sua convicção de que o PCC irá superar as dificuldades e os obstáculos e conduzir o povo rumo a novos êxitos na construção do socialismo.
Nos Estados Unidos, o Partido Comunista daquele país caracterizou essa política como parte de uma ameaça fascista e perigosa, e exigiu a revogação imediata dessa Ordem Executiva, o levantamento total do bloqueio econômico e a remoção de Cuba da lista de países patrocinadores do terrorismo.
«Estamos empenhados em continuar mobilizando a classe trabalhadora e o povo pacifista dos Estados Unidos para lutar contra esta política e este regime de criminosos e fascistas», declarou.
Enrique Santiago, porta-voz da Esquerda Unida (federação espanhola de partidos de esquerda), criticou a intenção de Trump de intensificar o bloqueio «tantas vezes rejeitado pela ONU» e enfatizou que o povo cubano aspira a permanecer «livre e soberano», e não uma colônia dos EUA.
Defender Cuba dessa agressão é uma obrigação ética e política, afirmou em uma mensagem na rede social X. Enquanto isso, Pablo Fernández, porta-voz e secretário de organização Podemos, partido de esquerda da Espanha, definiu as medidas impostas como «terrorismo de Estado dos EUA contra Cuba».
Da mesma forma, organizações da América Latina, incluindo as do Peru, Argentina, Brasil e Colômbia, também expressaram seus sentimentos. O presidente do Partido Comunista do Chile, Lautaro Carmona, pediu maior solidariedade política e material com Cuba e alertou que essa ação, somada à ameaça de imposição de tarifas sobre quem vende combustível para a Ilha, apenas aprofunda o bloqueio criminoso que o povo cubano sofre há décadas.
Carmen Hertz, deputada desse partido, manifestou seu apoio ao nosso governo e destacou a firmeza da Ilha caribenha diante da agressão imperial: «Mas nem as garras do desespero, nem mais de 60 anos de bloqueio genocida, conseguiram, nem conseguirão, atingir a dignidade e a coragem inabalável do povo cubano», enfatizou.
Em resposta às inúmeras mensagens de apoio recebidas de várias partes do mundo, Cuba expressou sua gratidão aos países, órgãos legislativos, grupos parlamentares de amizade e organizações políticas.
DOS PARLAMENTOS, VOZES DO POVO EM APOIO À ILHA
A essência de um parlamento reside em ser a voz coletiva de um povo, canalizada através dos representantes que elegeu democraticamente. E o fato de um parlamento nacional, ou uma assembleia legislativa, pronunciar-se sobre uma questão de política internacional demonstra que o que emite não é meramente uma opinião.
Em resposta à recente Ordem Executiva de Trump, as declarações parlamentares demonstraram uma disposição em denunciar essa política agressiva e reafirmar, de seus assentos, que Cuba deve viver livre de pressões externas.
Rashida Tlaib, membro do Congresso dos EUA, denunciou a imposição da medida: «Esta Ordem Executiva matará inúmeros cubanos inocentes. Estou horrorizada com a tentativa do governo Trump de estrangular um povo inteiro. Casas, escolas e hospitais sem eletricidade. Crianças sem comida ou remédios. Cuba não representa nenhuma ameaça aos Estados Unidos. Isso é pura crueldade», disse a representante democrata do estado de Michigan.
Do México, a deputada federal Dolores Padierna Luna, vice-coordenadora da Organização Legislativa do Grupo Parlamentar Morena, descreveu a imposição como «puro imperialismo» e denunciou que tais medidas constituem uma «agressão de guerra comercial» destinada a punir países soberanos e a usar a fome e a energia como armas de pressão.
Também as descreveu como «desumanas, ilegais e coercitivas», concebidas para sufocar um povo inteiro e forçar alinhamentos geopolíticos. «Não há segurança nacional aqui: há dominação econômica, chantagem internacional e punição coletiva», concluiu. Dias antes, o grupo se reuniu com o embaixador cubano no México para destacar a resiliência do povo mexicano e apoiar a decisão da presidente Claudia Sheinbaum de manter relações de cooperação com Cuba.
Partindo da premissa de que os Estados Unidos buscam qualquer pretexto para uma intervenção militar em Cuba, a Câmara Baixa do Parlamento russo também se manifestou. Alexei Chepa, primeiro vice-presidente da Comissão de Assuntos Internacionais, afirmou que a ordem de sancionar as importações de petróleo «é mais um motivo para criar instabilidade internacional».
«É um pretexto muito estranho e conveniente para criar mais um escândalo. Lembramos que o pretexto para intervir na Venezuela foi o combate ao narcotráfico. Hoje, alegam que existe uma ameaça real a Washington vinda de Cuba. Uma ameaça real! É um absurdo, um pretexto para organizar uma intervenção em Cuba», afirmou.
Entre outras declarações, a esquerda no Parlamento Europeu – composta por mais de uma dezena de partidos políticos – denunciou a flagrante violação da soberania cubana e do direito internacional, apelando à União Europeia para que «aja para pôr fim a este bloqueio ilegal».
O apoio à luta contra o bloqueio econômico, comercial e financeiro dos Estados Unidos, com desbordadas manifestações de solidariedade em cidades de todas as latitudes; o rechaço mundial à incluso na lista de países patrocinadores do terrorismo, e a profunda e coerente presidência do Grupo dos 77 mais a China, elevaram ainda mais o prestígio de Cuba em suas relações com o mundo