Assembleia Internacional dos Povos se levanta em solidariedade a Cuba
Uma delegação dessa organização está realizando uma visita de trabalho à Ilha para avaliar as consequências do bloqueio
Os delegados da AIP também aprenderam sobre a história cubana por meio de uma visita ao Centro Fidel Castro Ruz.Photo: Dunia Álvarez Palacios
Num contexto global em que as guerras se tornaram – para alguns – um negócio extremamente lucrativo, existe uma Ilha nas Caraíbas que sofre há mais de seis décadas outra forma de agressão: o bloqueio económico, comercial e financeiro, que se intensificou nas últimas semanas.
As consequências extremamente graves em todas as esferas da vida cotidiana do povo cubano são bem conhecidas em todo o mundo. Alimentação, transporte, eletricidade, saúde, educação, saneamento... tudo se encontra em uma situação altamente complexa, que uma delegação da Assembleia Internacional dos Povos (AIP) veio testemunhar em primeira mão.
Em entrevista coletiva realizada nesta terça-feira, 10 de março, no Centro Fidel Castro Ruz, João Pedro Stédile, da Diretoria Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Brasil, explicou os objetivos desta visita de trabalho. «Primeiramente, queremos expressar nossa solidariedade ao povo e ao governo cubano», disse.
Além disso, acrescentou que pretendem aprender em primeira mão sobre os efeitos das sanções de Washington e as medidas que estão sendo tomadas pelo governo cubano e pela sociedade civil em resposta. Também irão coletar «opiniões e sugestões para levar de volta aos nossos países e desenvolver ações concretas de solidariedade».
Em resposta ao Granma Internacional, Brian Becker, líder do Partido pelo Socialismo e Libertação (PSL) nos Estados Unidos, observou que, com o objetivo de se aproximar da realidade cubana, eles já haviam visitado a Escola Latino-Americana de Medicina, onde centenas de médicos de diversos países se formaram e centenas mais estão estudando atualmente.
Também chegaram a vários hospitais, pois sabe-se que uma das áreas mais afetadas pelo bloqueio é a saúde. «Apesar de a Ilha ter um sistema de saúde de primeira linha, o povo cubano precisa de medicamentos e suprimentos médicos», afirmou.
«A crueldade do bloqueio é evidente nas restrições à obtenção de medicamentos, inclusive em casos críticos como o de crianças com câncer», enfatizou. Após concluir todas as visitas planejadas, embora a estadia seja curta, «retornaremos aos nosss países para informar outras pessoas, para que elas possam tomar conhecimento da situação em Cuba», disse.
Por sua vez, Fred M'membe, presidente do Partido Socialista da Zâmbia, afirmou que conversariam não apenas com a liderança do país, mas também com as pessoas comuns, o povo, nas ruas. «A realidade não pode ser escondida. Não é difícil entender o que está acontecendo quando estamos aqui», comentou, observando também que a AIP já visitou o arquipélago em diversas ocasiões.
M'membe acrescentou que nenhum país teve que suportar uma agressão tão massiva e prolongada quanto a nação caribenha. «O povo cubano não merece isso», declarou. «A única ameaça que Cuba representa é a bondade de seu povo», a quem, insistiu, «nós, africanos, expressamos nossa gratidão pela colaboração nas áreas da saúde, educação e na luta contra o colonialismo. Este é o momento de se levantar em solidariedade a Cuba, que é, perante o mundo, uma autoridade moral», afirmou.
Entre os delegados da AIP estão também representantes da Colômbia, Itália, Índia e Argentina.
O apoio à luta contra o bloqueio econômico, comercial e financeiro dos Estados Unidos, com desbordadas manifestações de solidariedade em cidades de todas as latitudes; o rechaço mundial à incluso na lista de países patrocinadores do terrorismo, e a profunda e coerente presidência do Grupo dos 77 mais a China, elevaram ainda mais o prestígio de Cuba em suas relações com o mundo