As bandeiras multicoloridas de muitos países do mundo pintavam Cuba com a chegada ao aeroporto internacional José Martí, em Havana, da Caravana Nossa América para Cuba, um movimento internacional que visava romper o bloqueio da Ilha maior das Antilhas enviando ajuda solidária.
O primeiro carregamento, o Comboio Europeu, chegou da Itália em 17 de março, transportando aproximadamente cinco toneladas de suprimentos médicos. O segundo carregamento, de Nova York, foi arrecadado por jovens ativistas de direitos humanos e aliados da Revolução Cubana e trouxe não apenas suprimentos médicos, mas também itens de higiene pessoal e material escolar; todos esses itens serão distribuídos em coordenação com instituições cubanas.
A primeira doação foi possível graças à Agência Italiana para o Intercâmbio Cultural e Econômico com Cuba e à Progressive International. Ambas surgiram da campanha realizada em diversos países pela Let Cuba Breathe e Let Cuba Live, na qual grupos solidários e vários indivíduos ofereceram suas contribuições.
A este respeito, Rodrigo Zarza, diretor para a Europa, do Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP), enfatizou que essa ajuda, e o fato de os amigos de Cuba fazerem da defesa do nosso país uma motivação adicional para as suas vidas, é de grande importância, particularmente no momento complicado que estamos vivendo.
Rodrigo enfatizou que não se trata apenas de apoio material, mas sim de uma demonstração de que existe uma grande conscientização dentro do movimento solidário sobre a situação particular que estamos vivenciando do ponto de vista energético, devido à Ordem Executiva na qual o Governo dos EUA declarou Cuba uma «ameaça incomum e extraordinária», visto que o carregamento também inclui painéis solares e sistemas fotovoltaicos, que ajudarão algumas de nossas instituições de saúde.
Acompanhando o comboio estavam mais de cem passageiros, representantes de diversas organizações de solidariedade, grupos sindicais, trabalhadores, organizações políticas, de mais de uma dezena de países europeus, bem como da Argélia, Marrocos e Estados Unidos.
VOZES EM DEFESA DE CAUSAS JUSTAS
Ao desembarcarem, os homens e mulheres – trabalhadores, sindicalistas, líderes sociais e políticos – aproveitaram a oportunidade para se dirigir ao povo desta terra caribenha, a quem vieram oferecer não apenas assistência material em termos de suprimentos médicos e itens de primeira necessidade, mas também para reafirmar sua convicção de que a Ilha maior das Antilhas representa um exemplo moral sob qualquer perspectiva geográfica.
A eurodeputada francesa Emma Fourreau afirmou que é «muito importante para mim estar aqui com o povo cubano, que sempre demonstrou solidariedade com pessoas de todo o mundo». Ela também reconheceu que, embora a Ilha esteja atualmente sob cerco dos EUA, o bloqueio que impede o desenvolvimento do país existe há mais de 60 anos, tornando urgente «mostrar que grande parte do mundo está ao lado de Cuba».
«O que trazemos hoje é simbólico», disse, «não resolverá as necessidades, mas é um primeiro passo para expandir e atrair mais pessoas para o movimento internacional de solidariedade com Cuba».
A eurodeputada sabe que, ao retornar, falar sobre o cotidiano que presenciará durante esta visita, que já conta com a participação de delegações de outros continentes, também é urgente, «porque a imprensa estrangeira não conta a verdade. Seremos uma voz internacional em defesa do povo cubano», afirmou. «Para isso, poderão ouvir e ver o que o povo cubano tem a nos dizer».
Marc Botanga, membro do Parlamento Europeu pela Bélgica, enfatizou a importância de viajar para a Ilha para oferecer assistência ao povo que «está sendo sufocado pelas políticas criminosas dos Estados Unidos». Tendo testemunhado a solidariedade de Cuba com a Europa — especialmente a Itália — e outros países durante a crise da Covid-19, onde especialistas da Ilha prestaram apoio no auge da crise, ele se alegra em fazer parte do comboio. Explicou que a solidariedade não se resume apenas à ajuda material, mas também a expressar gratidão pelo que Cuba tem feito há décadas em diversas partes do mundo.
Lucano Domenico, eurodeputado italiano, reconheceu que a Ilha caribenha representa um símbolo da luta contra o imperialismo e não está sozinha nesta complexa situação que atravessa hoje, devido à intensificação do bloqueio, o qual ele e seu povo condenam.
Além disso, explicou que nem todos que apreciam Cuba estão presentes hoje; no entanto, este é apenas o começo da ajuda que a Itália e o mundo estão oferecendo.
A eurodeputada Ilaria Salís também observou que este carregamento de cinco toneladas, trazido pelo segmento europeu do comboio, é uma contribuição sincera de todas as organizações e indivíduos que se ofereceram para ajudar o povo cubano, dada a persistência – afirmou – «do bloqueio criminoso e genocida que procura sufocá-lo».

DE NOVA YORK: DEIXEM CUBA VIVER
«O povo cubano se sacrificou imensamente pela humanidade, pela dignidade de todos os povos do mundo, incluindo o povo dos Estados Unidos», destacou Manolo De los Santos, coordenador do Fórum dos Povos, que, após relembrar os eventos causados pelo furacão Katrina nos EUA – «quando nenhum médico norte-americano ousou ajudar as comunidades negras» – expressou gratidão aos médicos de Cuba, «dispostos, com o pouco que tinham, a ajudar a todos».
Por isso, acrescentou, «queremos voltar à Ilha maior das Antilhas, para demonstrar nosso amor e amizade e, acima de tudo, uma solidariedade militante que diz 'Não' à tentativa de genocídio para esmagar o povo cubano».
Em relação à doação, que inclui medicamentos para crianças com câncer, analgésicos, entre outros suprimentos, destacou que «um carregamento de painéis solares também está a caminho, para ser distribuído a hospitais cubanos, avaliado em mais de meio milhão de dólares».
Esses módulos de energia solar funcionarão de forma autônoma, permitindo que as enfermarias cirúrgicas em Cuba continuem funcionando apesar das dificuldades.
Por outro lado, a porto-riquenha Niki Franco, membro do projeto Let Cuba Live e da Nuestra América, enfatizou que é importante lembrar que Cuba não está sozinha.
«Vamos trocar ideias com estudantes e artistas, e aprender um pouco mais sobre como as pessoas se reinventaram, formando comunidades, apesar da situação causada pelas sanções impostas pelo governo de Washington», disse.
Da mesma forma, Vivian Lesmick, também integrante do projeto, afirmou que «todos os ativistas que chegam a Cuba não desejam nada mais do que mostrar ao mundo que o bloqueio está causando sofrimento ao povo cubano».
«Cuba é um país que já nos deu tantas coisas, tantas doações médicas, e agora, quando precisa de nós, aqui estamos», declarou.





