ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Photo: Estúdios Revolución
«Vim para apelar à humanidade para que demonstre solidariedade com Cuba, para impedir uma invasão ou lançamento de mísseis aqui, e para propor como alternativa, inclusive ao atual governo dos Estados Unidos, ao sr. Rubio e ao Sr. Trump, que se estabeleça um diálogo entre civilizações que devem ser iguais, embora diferentes».
 
Foi o que disse o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, em declarações à imprensa, após ser recebido pelo presidente cubano, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, na sexta-feira, 31 de julho, no Palácio da Revolução.
 
Após a cerimônia oficial no Salão Portocarrero — o local habitual para esses eventos protocolares na Ilha — e as conversas entre os dois líderes e suas delegações, o estadista colombiano considerou que «a América Latina e o Caribe são uma civilização diversa entre si, mas diferente das demais, e o caminho, se quisermos preservar a vida em geral e a existência humana em particular, é justamente construir um diálogo entre civilizações».
 
Poucas horas após chegar a Havana, Gustavo Petro declarou que «seria bom se, em meio ao perigo que paira sobre Cuba, ela se transformasse, em vez de um perigo, em um palco para esse diálogo».
 
Portanto, acrescentou o governante, «esta não é apenas uma mensagem para o povo cubano ou colombiano, não é apenas uma mensagem para a humanidade, mas para o próprio governo dos Estados Unidos».
 
«É hora de conversar. O que está acontecendo no Oriente Médio não é motivo para comemoração; pode ser o prelúdio de um holocausto global, de uma barbárie generalizada, e é preferível que o povo dos Estados Unidos e seu atual governo reajam».
 
Afirmou que «temos um homem como Netanyahu que está apenas se salvando, tentando perpetuar seu poder em Israel, travando guerras fora de Israel, tentando intensificar guerras fora de Israel para se salvar de um julgamento internacional, que, assim como os nazistas no Tribunal de Nuremberg, ele merece por ser genocida».
 
Acrescentou que «o povo dos Estados Unidos não pode ser cúmplice disso, e em minhas conversas como chefe de Estado com autoridades dos Estados Unidos, incluindo o presidente Trump, eu lhes dizia que não podiam ser cúmplices de um maníaco genocida se reconhecessem a própria história dos Estados Unidos nos séculos XX e XIX».
 
«Chegou a hora de um diálogo entre civilizações», reiterou o presidente da Colômbia, «e isso poderia acontecer, no caso americano, aqui entre o estado da Flórida e a Ilha e República de Cuba, que estão tão próximas e, ao mesmo tempo, tão distantes, o que bem poderia ser a primeira ponte de unidade da humanidade em meio à diversidade, pela vida e pela liberdade».
 
Esta é a terceira visita de Petro a Cuba como chefe de Estado. A primeira foi em junho de 2023, para concluir uma rodada de negociações de paz entre o governo colombiano e o Exército de Libertação Nacional (ELN). A segunda foi em setembro de 2023, para participar da Cúpula G77-China.
 
Segundo um comunicado divulgado pelo ministério das Relações Exteriores de Cuba, a agenda de Petro se encerra neste sábado, 1º de agosto, e a visita atende a um convite do presidente Díaz-Canel, que escreveu em sua conta nas redes sociais quase à meia-noite de sexta-feira que «foi um grande prazer receber o estimado presidente da Colômbia».
 
O presidente cubano acrescentou: «Agradecemos a profunda solidariedade e o firme apoio demonstrados ao nosso país diante das ameaças de agressão, do bloqueio energético e da intensificação do embargo econômico dos EUA. Reiteramos o compromisso inabalável do nosso governo com a paz na Colômbia».
 
A visita de Petro ocorre pouco depois de o presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, ter anunciado o fechamento da embaixada do país em Havana e que seu governo não terá mais relações com Cuba, o que foi descrito pelo ministério das Relações Exteriores cubano como um ato de subserviência à política de agressão dos Estados Unidos.
 
A declaração do ministério das Relações Exteriores, após essas observações, afirma que «Cuba desfruta de uma relação bilateral fluida com a Colômbia, que demonstra progressos significativos nas esferas econômica e comercial, na cooperação e nos intercâmbios acadêmicos, para benefício de ambos os povos. Tem sido um interesse constante de Cuba expandir e fortalecer essa relação».
 
Além disso, garante que Cuba honrará seus compromissos com os estudantes de Medicina no país caribenho, conforme os Acordos de Paz assinados em Havana em 2016.