Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e Cuba: um laço de fraternidade indissolúvel
O primeiro-secretário do Comitê Central do Partido e presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, concedeu a Medalha da Amizade a dois ativistas de destaque do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Brasil: os camaradas Nivia Regina Da Silva e Marcelo Durão Fernandes
Nivia e Marcelo se declararam frutos dessa relação histórica entre Cuba e o MST, «que sempre se baseou na solidariedade e no internacionalismo». Photo: Estúdios Revolución
Em uma cerimônia simples que celebrou a verdadeira amizade, aquela construída na luta e na esperança compartilhadas, o primeiro-secretário do Comitê Central do Partido e presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, concedeu a Medalha da Amizade a dois ativistas de destaque do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Brasil (MST), os camaradas Nivia Regina Da Silva e Marcelo Durão.
Realizada na manhã de quarta-feira, 9 de setembro, no salão El Sol de América, do Palácio da Revolução, a cerimônia de entrega de uma medalha que homenageia a solidariedade e honra a luta de todo um povo.
Na entrega da Medalha da Amizade aos camaradas do MST, proposta pelo Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP), foi enfatizado que o Movimento dos Sem-Terra demonstrou que outro mundo é possível, que a terra pertence a quem a trabalha, que a soberania alimentar é um direito e que a solidariedade internacionalista é o caminho para alcançá-la.
Photo: Estúdios Revolución
O MST é um movimento que, por mais de quatro décadas, tem sido uma força imparável na luta pela justiça social, pela reforma agrária e pela soberania do povo, e sua ação militante e solidariedade com a Revolução Cubana e seu povo são incondicionais e estão presentes desde a sua fundação.
Entre os presentes na homenagem estavam Emilio Lozada García, chefe do Departamento das Relações Internacionais do Comitê Central do Partido, e o vice-primeiro-ministro Jorge Luis Tapia Fonseca, além de outros líderes do Partido, do Estado, do Governo, de organizações de massa e de instituições. Também participaram Christian Vargas, embaixador da República do Brasil em Cuba, e Marcelo Resende, representante da FAO em Cuba.
SOLIDARIEDADE COM CUBA, UMA RAZÃO PARA VIVER
«Hoje não estamos apenas concedendo duas medalhas; hoje estamos homenageando dois irmãos, dois lutadores que fizeram da solidariedade com Cuba a razão de suas vidas», disse o camarada Fernando González Llort, presidente do ICAP, ao explicar a decisão de conceder a distinção aos notáveis lutadores sociais Nivia Regina Da Silva e Marcelo Durão.
Photo: Estúdios Revolución
Ao elogiar a camarada Nivia, Fernando lembrou que ela é agrônoma especializada em agroecologia e mestre em agrossistemas, líder no setor de produção e cooperação, membro da Mesa Diretora Nacional e da Coordenação Nacional do MST.
Uma mulher – acrescentou – «que soube colocar a ciência a serviço da vida e o ativismo a serviço dos mais necessitados», que esteve na vanguarda da solidariedade com Cuba, como nos protestos contra o bloqueio em frente à embaixada dos Estados Unidos em Brasília e ao consulado no Rio de Janeiro, nas campanhas de coleta de assinaturas, na reivindicação pela libertação dos Cinco; tudo isso demonstra que estamos diante de «uma mulher que não se limita a discursos, mas age, que luta, que semeia».
De Marcelo lembrou que foi membro da direção estadual do movimento no Rio de Janeiro, da Direção Nacional, e que hoje faz parte da Coordenação Nacional. Mas, além de suas responsabilidades, ele tem sido um amigo incondicional de Cuba.
Marcelo – destacou Fernando – «participou da construção da CLOC Via Campesina, dos Movimentos Alba, das campanhas contra a ALCA, e quando a liberdade dos Cinco era uma causa que muitos silenciavam, ele pegou os lápis e os desenhos das crianças do MST e os transformou em cartas, em gritos, em esperança».
Durante a entrega da Medalha da Solidariedade, também foi mencionada a participação de Marcelo e Nivia nos últimos anos na entrega de doações de dezenas de toneladas de sementes de cereais, vegetais, máquinas agrícolas e medicamentos para os nossos hospitais.
AMIZADE E CONTINUIDADE
Em seu discurso de aceitação da Medalha da Amizade, Nivia, ecoando os sentimentos de Marcelo, enfatizou que se tratava de «uma conquista coletiva», pertencente tanto aos camponeses quanto aos ativistas. «Esta medalha representa o sujeito coletivo que é o MST», destacou.
Photo: Estúdios Revolución
Ao recebê-la, explicou, «estão selando a continuidade do nosso compromisso, da nossa lealdade e da nossa confiança em Cuba. Nós somos os frutos dessa relação histórica entre Cuba e o MST, que sempre se baseou na solidariedade e no internacionalismo».
Nascido nos últimos anos da ditadura militar e oficialmente fundado em 1984, este movimento camponês tem focado sua luta na reforma agrária, na ocupação de terras improdutivas e na transformação social, sempre a partir da agroecologia e da defesa dos direitos dos trabalhadores rurais.
Hoje, reúne mais de meio milhão de famílias assentadas e acampadas em 24 estados do Brasil e é reconhecida internacionalmente por sua capacidade organizacional e seu compromisso com a educação popular, com a construção de mais de 2.000 escolas públicas que atendem a quase 200.000 pessoas e já alfabetizaram mais de 100.000. Sua escola, Florestan Fernandez, é um dos mais importantes centros de formação política da nossa região.
O apoio à luta contra o bloqueio econômico, comercial e financeiro dos Estados Unidos, com desbordadas manifestações de solidariedade em cidades de todas as latitudes; o rechaço mundial à incluso na lista de países patrocinadores do terrorismo, e a profunda e coerente presidência do Grupo dos 77 mais a China, elevaram ainda mais o prestígio de Cuba em suas relações com o mundo