A delegação da Ilha que participou da 17ª Cúpula desse mecanismo de consulta denunciou a intensificação sem precedentes do bloqueio imposto pelo governo dos EUA
A Declaração Final da Cúpula condenou explicitamente o bloqueio contra Cuba. FOTO: BRICS.
Na Declaração de Nova Délhi, adotada neste fim de semana na Índia, no âmbito da 18ª Cúpula de Líderes do BRICS, o Grupo «expressa sua profunda preocupação com a situação em Cuba, devido à intensificação das medidas de bloqueio dos EUA, seus efeitos adversos sobre a economia cubana, o fornecimento de energia e o preocupante impacto humanitário sobre o povo cubano; e reitera a necessidade de pôr fim às medidas econômicas, comerciais e financeiras» contra a Ilha.
Isso foi enfatizado, por meio da rede social X, pelo membro do Bureau Político e ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez Parrilla, que liderou a delegação da Ilha maior das Antilhas.
A este respeito, em seu discurso na sessão aberta intitulada BRICS: Construindo para a resiliência, inovação, cooperação e sustentabilidade, Bruno denunciou o fortalecimento sem precedentes dessa política, exacerbado por um bloqueio energético que ameaça sanções secundárias em todo o planeta.
«Isso interrompeu violentamente as cadeias de abastecimento do país», disse. Descreveu a situação como «um genocídio silencioso que está ceifando vidas, Trata-se», afirmou o ministro das Relações Exteriores, «de um ato de punição coletiva contra todo o povo cubano. Seus efeitos indiscriminados e humanitários são incalculáveis e causam grande sofrimento às famílias cubanas. É o instrumento escolhido para alcançar a ‘mudança de regime’».
Afirmou que essa é a mesma lógica que sustenta a injustificável permanência de Cuba na lista de países supostamente patrocinadores do terrorismo.
«Se o governo dos Estados Unidos tivesse permissão para destruir uma pequena nação com o objetivo de mudar seu sistema político, ou por qualquer outro motivo, o mundo se tornaria ainda mais perigoso do que já é. O que aconteceria depois, quem seria o próximo?», perguntou o ministro.
Também agradeceu «aos países membros e parceiros do Grupo por suas declarações a favor do levantamento do bloqueio e do embargo energético contra Cuba; e às inúmeras e genuínas manifestações de apoio e solidariedade ao nosso país por parte dos povos do mundo».
Rodríguez Parrilla afirmou que Cuba é «um país de paz. Não representamos uma ameaça para ninguém» e que está pronta «para contribuir, com nossas modestas experiências, para o fortalecimento deste grupo BRICS, cada vez mais importante, ao qual aspiramos nos tornar membros plenos».
Também enfatizou que o Grupo tem o potencial de ser um fator de paz e segurança para todos, desenvolvimento, justiça e progresso no Sul Global, indispensável para a construção de uma nova ordem internacional multilateral, equitativa e democrática, baseada na igualdade soberana dos Estados e no Direito Internacional.
No âmbito deste encontro, do qual Cuba participa pelo segundo ano consecutivo como país parceiro deste mecanismo de consulta e cooperação do Sul Global, o ministro das Relações Exteriores realizou diversas reuniões de trabalho: com o primeiro-ministro do Vietnã, Le Minh Hung; e com os seus homólogos do Brasil, Mauro Vieira; da Índia, Subrahmanyam Jaishankar; e do Irão, Abbas Araghchi.
UMA PLATAFORMA DE COOPERAÇÃO PARA BENEFÍCIO MÚTUO
O bloco BRICS tornou-se um mecanismo que, nos últimos anos, ampliou sua composição e fortaleceu seu papel como plataforma de cooperação entre economias emergentes e países do Sul Global. De fato, na 18ª Cúpula, o secretário-geral do Partido Comunista Chinês, Xi Jinping, enfatizou a necessidade de avançar na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, fortalecer a governança da segurança e aprimorar a governança climática e da inteligência artificial.
O líder chinês acrescentou que o mecanismo ampliado do BRICS deve consolidar suas bases para uma cooperação prática por meio da abertura, do benefício mútuo e da estabilidade nas cadeias industriais e de suprimentos. Nesse sentido, apresentou cinco iniciativas para aprofundar a cooperação entre os membros do grupo em inteligência artificial, comércio e investimento, indústrias digitais, manufatura inteligente e formação em ciência e tecnologia.
A sessão contou com a presença dos presidentes da Rússia, Vladimir Putin; da África do Sul, Cyril Ramaphosa; do Irã, Egito, Indonésia e outros líderes e representantes dos países do BRICS e parceiros, bem como do secretário-geral da ONU, António Guterres, e do primeiro-ministro da Índia e anfitrião, Narendra Modi.
O apoio à luta contra o bloqueio econômico, comercial e financeiro dos Estados Unidos, com desbordadas manifestações de solidariedade em cidades de todas as latitudes; o rechaço mundial à incluso na lista de países patrocinadores do terrorismo, e a profunda e coerente presidência do Grupo dos 77 mais a China, elevaram ainda mais o prestígio de Cuba em suas relações com o mundo