ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Barcos pesqueiros na costa de Gibara Photo: Juan Pablo Carreras / AIN

COM sua perpétua mania de correr colina abaixo para se encontrar com o mar, a vila de Gibara cativa os residentes e os visitantes chegados de qualquer lugar. Muitas das pessoas que nasceram e lançaram raízes asseguram que aqueles que fundaram a vila, há cerca de 200 anos, no norte da atual província de Holguín, sabiam que sua paquera com o Atlântico desencadearia esses amores à primeira vista.

Acerca do tema fala aos seus clientes Jorge Luis Rodríguez Salgado, trabalhador do setor privado, proprietário do restaurante “La Cueva Taína”, estabelecimento que precisamente seduz com autênticos pratos típicos de Gibara a comensais nacionais e estrangeiros.

O criador e chefe de cozinha afirma, entre muitas coisas, que é única a cor dourada das bananas fritas que oferece porque elas contêm uma dose especial de ferro obtido da matéria orgânica da zona. A seguir conta que os camponeses dedicados a essa cultura colocam as plantas em buracos abertos na rocha pura, aos quais incorporam terra. A natureza, conclui, abençoa-os por essa tenacidade.

No Hotel Ordoño, um prédio resgatado das ruínas, os trabalhadores são especialistas em contar lendas locais. E com certeza, a preferida tem por protagonista o fundador da instalação, que agora pertencem à rede Cubanacán. Asseguram que era tão intenso o amor por sua esposa, que após a precoce morte daquela, ordenou construir na parte mais alta do imóvel um mirante do qual observava diariamente o lugar onde jazia.

O certo é que a brisa marinha, o predominante estilo colonial, as narrações e evidências tangíveis de apaixonados relacionamentos amorosos e, sobretudo, a riqueza espiritual e o tradicional espírito empreendedor das pessoas que hoje habitam esta porção de Cuba, sugerem à viva voz que o setor do turismo é muito promissor aqui.  

ESCALAR NOVOS DEGRAUS

O vice-presidente da Assembleia do Poder Popular (prefeitura) do município, Alexander Ávila Bofil, domina com detalhes o relacionado com o presente e futuro do turismo no território.

“Em uma das últimas reuniões do governo, o ministro do Turismo, Manuel Marrero Cruz, que acompanha sempre de perto o que fazemos, instou-nos a incrementar as capacidades de alojamento por meio das pousadas privadas. Trata-se de incorporar as pessoas que possuem moradias com condições para a atividade, sobretudo no centro histórico, que conserva suas características coloniais”.

“Hoje dispomos nessas pousadas de 73 apartamentos dedicados ao serviço de hospedagem para turistas estrangeiros e nacionais. Superam a capacidade das três instalações do Ministério do Turismo que temos aqui”.

Detalha que um estudo em progresso, com o objetivo de determinar o quanto podem crescer, estima de forma imediata ao redor de mil apartamentos, caso os moradores se apropriarem da ideia promovida.

Quanto às ofertas gastronômicas do setor privado, especificamente restaurantes ou lanchonetes, existem 15, alguns deles nas próprias pousadas. Os titulares dos que estão neste caso, igualmente têm autorização para oferecer serviço de comida, atividade na qual não encontra obstáculos tudo aquele que decidir exercê-la.

“A cidade e o município receberão, em breve, os benefícios de vários projetos de desenvolvimento local ligados à chamada indústria do lazer. É fruto de teses de mestrado de um grupo de funcionários do território”, revela José Manuel Palma Tamayo, diretor municipal da Cultura.

“Propôs-se dar valor de uso à Casa de Santa María, imóvel da época colonial situado a cinco quilômetros da cidade capital municipal. Foi parte de um engenho do século 19 e se quer recrear esse ambiente. Existem ali grilhões, alfaias de lavoura e outros objetos de época que facilitam a interação com os turistas”.

À ideia se somaram propostas de especialistas pertencentes à direção local do Transporte de criar condições para que os turistas, além de passear em lancha pela baía de Gibara, possam remontar o rio, até chegar ao que foi aquela primeira usina de açúcar operada por escravos.

De Raciel Camping é a sugestão de criar a trilha Eco-espeleo-arqueológica Caverna Los Panaderos. Propõe excursões de conteúdo ecológico e a realização de mostras cinematográficas com estilo parecido ao de um evento com sede nas cavernas chilenas de Benavides. Contudo, diz o autor, aqui irão mais longe porque se dá papel principal à comunidade para buscar sentido de pertença e incrementar a cultura em geral.

A necessidade de complementar as ações aparece igualmente na possível restauração de baluartes do sistema defensivo montado em Gibara durante a última etapa da dominação espanhola e a posta em andamento de um jardim botânico e um viveiro de plantas ornamentais, ações que conduzirão a oferecer aos turistas serviços e produtos próprios da zona.

Promissória é a intenção de produzir e comercializar telhas e tijolos à base de barro, além de cal, materiais que correspondem aos utilizados na grande quantidade de imóveis construídos no período colonial, daí seu uso imprescindível à hora de acometer trabalhos relacionados com a preservação do patrimônio.

As autoridades do município fazem contas e continuam olhando para o futuro, porque 40% das utilidades que gerem os projetos de desenvolvimento local serão destinados a novas ideias desse tipo.

A secretária da filial da Associação Cubana de Artistas e Artesãos de Gibara, Mayelín Méndez González, dá fe da responsabilidade com que o governo promove a incorporação de todos os cidadãos aos planos em andamento.

São 59 associados nas manifestações de têxteis, tamanho e miscelâneas. Trabalham especialmente com búzios, conchas, madeiras e sementes típicas da zona, sempre que sejam das espécies autorizadas a explorar e comercializar. “Se não houver transgressões dos regulamentos, as portas nunca serão fechadas”, assegura.

“Estamos em condições de responder à demanda na medida em que crescer o número de turistas. Os principais artesãos têm pessoas que produzem para eles, daí que a preocupação fundamental seja conseguir, futuramente, o incremento da quantidade de artigos, sem afetar a qualidade e a originalidade”.

MINISTÉRIO DO TURISMO NA CONTENDA

O Ministério do Turismo se envolve na contenda. Graças aos investimentos realizados em períodos recentes, os hotéis Ordoño e Arsenita, ambos com o selo Encanto, são verdadeiras joias, devido aos valores patrimoniais dos imóveis e os serviços que prestam seus trabalhadores.

Junto à pousada El Faro constituem aqui as principais instalações hoteleiras da Empresa Integral Turística de Gibara, que dispõe assim de 43 apartamentos, mas o propósito, que contempla terminar neste ano o hotel Almirante, é chegar a 200, em um tempo relativamente breve, de acordo com a informação oferecida pelo especialista da atividade de desenvolvimento e investimentos na Delegação Provincial desse ministério, José Walker.

Pesquisas seguidas do acompanhamento do impacto em locais especializados resultam em que o produto Gibara tem aceitação no exterior, mas a realidade é que os espaços de alojamento são insuficientes. Se a situação se resolver com a participação dos setores privado e estatal, como é o propósito, não seriam poucos os visitantes que uma vez na província de Holguín, optariam por permanecer vários dias nesta vila costeira. As estatísticas dizem que na temporada alta a afluência diária de turistas ao território holguinero é de uns oito mil e na baixa de 4 mil em média.

No entorno urbano recebe especial atenção a criação da infraestrutura extrahoteleira, que conta com o bar La Loja e a confeitaria Siglo XX e logo disporá de um clube de lazer equipado com novos e atraentes equipamentos.

“Estudaram-se também todas as possibilidades da baía de Gibara. Possui importantes paisagens submarinas e o litoral é bem interessante para pescar e dar passeios”, argumenta Walker.

De fato, a sucursal náutica Marlin-Guardalavaca acaba de inaugurar um cais estendido sobre flutuadores ancorados no fundo da baía. Ali aportam uma vez por semana as embarcações do tipo catamarã que sarpam do porto de Vita, com turistas hospedados nas instalações do polo turístico de Holguín, a maioria delas na área costeira do município de Banes. O percurso cobre umas dez milhas e inclui a chegada a Bariay para conhecer o lugar do desembarque de Cristóvão Colombo, em 1492, e a rota seguida pelo célebre marinheiro até Gibara.

Os olhares estão igualmente voltados para a Área Protegida de Caletones, valorizada como um importante corredor de aves, pelo qual avistar as mesmas se propõe como uma oferta de turismo de natureza, que tem ali outro produto atraente em várias cavernas alagadas, apropriadas para o mergulho espeleológico.

O quarto ambiente é o agrícola, assegura o funcionário. As intenções são compartilhar com os turistas as fortes tradições dos camponeses de Gibara, o qual pretende tornar-se realidade nas chácaras de La Esperanza e La Victoria, possuidoras de imóveis com alto valor patrimonial. O projeto contempla, como é lógico, a participação das comunidades próximas.

Os planos, diz, concluirão com total sucesso. Seu otimismo está respaldado pela estreita unidade entre as autoridades locais e os dirigentes do Ministério do Turismo. Entre eles fluem as consultas e as ações para aproveitar, na íntegra, o potencial econômico, cultural e patrimonial do município de Gibara e sua atraente capital.